<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206</id><updated>2011-09-08T00:26:13.902-03:00</updated><title type='text'>Desventuras de uma crítica em formação</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>61</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-7218761938231255814</id><published>2009-05-18T12:43:00.001-03:00</published><updated>2009-05-18T12:46:03.142-03:00</updated><title type='text'>Que Sera, Sera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;James Stewart não é Cary Grant – e era isto o que mais incomodava Alfred Hitchcock no astro com quem trabalhou em quatro filmes (Grant foi protagonista de outros quatro). Hitchcock é famoso por desprezar o trabalho de atores, exceto o de Grant, o único a quem ele respeitava. Mas isso é outra história...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O Home que Sabia Demais” (“The Man Who Knew Too Much”, EUA, 1956) é a penúltima parceria entre Stewart e o diretor inglês – a última foi “Um Corpo Que Cai” (“Vertigo”, EUA, 1958), tendo Hitchcock culpado seu ator não-favorito pelo fracasso do filme à época. Quer aqueles dois homens se gostassem ou não, assistir a qualquer um desses filmes é um prazer enorme para quem compreende a beleza da decupagem na construção da narrativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decupar é dividir a ação em planos (quadros fixos na tela) e eu acredito, cada vez mais, que está aí a arte de um grande diretor. Hitchcock, provavelmente, pensava da mesma maneira. Não se tem notícia de um profissional tão metódico em relação ao processo de decupar filmes: ele tinha o hábito de recorrer aos storyboards e possuía uma imagem mental de todas as cenas. Para ele, o trabalho de criação acabava na divisão do roteiro em planos, não havendo espaço para a improvisação no set de filmagem. Por isso, via os atores como peças equivalentes às demais do cenário, que ocupavam uma posição pré-estabelecida dentro do quadro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O filme de 1956 é mais um exemplo das virtudes que eternizaram Hitchcock: um suspense refinado, saído de uma mente hábil em despertar as sensações do público. Sim, tudo isso graças a uma decupagem que merece ser admirada como uma obra, dessas de um museu de arte clássica, e de outros elementos acessórios. Fazer uma análise minimamente adequada do filme tomaria um tempo que eu não tenho, e um excesso de caracteres que vocês não teriam paciência de ler num blog. Portanto, cito apenas três momentos que exemplificam o que quero dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No primeiro deles, James Stewart caminha numa rua vazia. Para aguçar no espectador a mesma sensação do personagem – a dúvida de estar ou não sendo seguido – Hitchcock utiliza o espaço fora de tela, mantendo a câmera fechada em Stewart, enquanto ouvimos o som de passos no fundo. Num segundo momento, na sala do taxonomista, uma conversa entre Stewart e o personagem Ambrose Chappell é filmada em plano e contra-plano. A câmera é colocada num ângulo baixo em relação a Stewart (se não me engano), que divide o quadro com a cabeça de um animal feroz (não me lembro exatamente qual é). Isto remete à sua postura de ataque naquela cena, quando tenta reaver o filho raptado. Num terceiro momento, na Capela Ambrose, ele e a esposa (Doris Day) escondem-se dos raptores da criança. Eles se colocam fora do campo de visão do espectador, que não é o mesmo dos personagens de quem eles não querem estar à vista. Uma brincadeira de Hithcock com a nossa percepção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dos “elementos acessórios”, a imponente trilha de Bernard Herrmann é o mais importante. Durante uma sequência de 12 minutos não escutamos nenhuma palavra, apenas o som da orquestra no teatro (regida na tela pelo próprio Herrmann). É uma cena tensa, de um enorme poder dramático e de uma elegância indescritível. Hitchcock nos faz entender que o diálogo não ouvido entre os personagens é irrelevante ali, frente às ações decupadas e coordenadas pela montagem, conduzidas pela música.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O senso de humor do diretor é óbvio e quase sádico, sendo Stewart sua vítima preferencial: desde uma mesa baixa demais, onde não cabem suas pernas longas, até a sequencia na casa do taxonomista, com leões e tigres empalhados por todo o cenário, ridicularizando a súbita ferocidade do protagonista. É também nítido o fascínio do diretor pelas mulheres (loiras): a personagem de Doris Day é mais astuta e instintiva do que seu marido, e, sendo uma famosa ex-cantora, é a responsável pelo casal estar frequentemente em evidência. A música, novamente, e a mulher têm uma função dramática decisiva, quando Day canta “Que Sera, Sera” ao piano. Por tudo isto, assistir a um suspense de Hitchcock me faz pensar, afinal, que a controversa “teoria de autor” não é um total engano.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-7218761938231255814?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/7218761938231255814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=7218761938231255814&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/7218761938231255814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/7218761938231255814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2009/05/que-sera-sera.html' title='Que Sera, Sera'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-334288579714584067</id><published>2009-05-18T12:34:00.003-03:00</published><updated>2009-05-18T12:43:14.882-03:00</updated><title type='text'>Brando, um homem moderno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A mostra “Brando – O Ator no Cinema”, que aconteceu em março na Caixa Cultural (RJ), me inspirou algumas reflexões. Poucos dias antes da mostra, Marlon Brando já havia cruzado o meu caminho. Zapeando os canais na TV por assinatura, encontrei, nem me lembro em qual deles, o documentário “Brando” (Mimi Freedman/Leslie Greif, Estados Unidos, 2007), quase pela metade. No mesmo dia, pude assistir, no TCM, a “Caçada Humana” (Arthur Penn, Estados Unidos, 1966) - que, infelizmente, não pôde constar no catálogo da mostra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O Último Tango em Paris” (1972) é, sem dúvida, um filme inesquecível. Mas é uma co-produção França/Itália dirigida por Bernardo Bertolucci, que representa um outro cinema, mais livre, além das fronteiras de Hollywood, que estava descobrindo suas regras – ou a falta delas – havia pouco tempo. Um cinema mais aberto à experimentação, a repensar a narrativa, a relação do ator com o texto e com o próprio personagem. Tratarei aqui de dois outros filmes de Brando: “Caçada Humana” e “O Pecado de Todos Nós” (John Huston, Estados Unidos, 1967), obras contemporâneas, inseridas numa já consolidada indústria de cinema americana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram os anos 1960. Aos grandes estúdios de Hollywood já não era permitida a integração vertical (a possibilidade de atuar na produção, distribuição e exibição dos filmes); a TV realizava produções próprias e o público tinha entretenimento sem precisar sair de casa; o cinema se revolucionava, saía dos estúdios para as locações, rompia com a narrativa clássica que dominou a primeira década do século XX, sacudido pelos incômodos e culpas de um novo mundo, pós-Segunda Guerra.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era imperativo que Hollywood acompanhasse as mudanças e se reestruturasse também. Não foi imediatamente, nunca houve uma quebra ampla, geral e irrestrita de padrões, mas, sim, os grandes estúdios da costa oeste, que nunca foram ingênuos, começaram a dançar conforme a música, combinando seu material de consumo ao perfil de uma nova geração. “Caçada Humana” foi um dos primeiros trabalhos de Arthur Penn no cinema, assim como de Robert Duvall e de seu xará Redford (grande sex symbol da década seguinte). No elenco, Angie Dickinson e Jane Fonda, musas de uma nova era. A história foca as frustrações, preconceitos e a ignorância da sociedade de uma típica cidadezinha americana, numa narrativa mais aberta, onde a trama não é o que mais importa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em “O Pecado de Todos Nós”, duas figuras icônicas da Hollywood clássica, John Huston e Elizabeth Taylor, e uma narrativa igualmente mais aberta. Com uma fotografia em sépia, onde as tonalidades do technicolor não poderiam desviar a atenção do espectador, Huston constrói relações difíceis, corajosas e sutis. Mais do que as ações, interessa aqui o comportamento dos personagens e é a atuação, mais do que o texto, que nos leva a conhecê-los.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No centro de ambos os filmes está Brando, possivelmente o maior ícone da modernidade de Hollywood. A definição do “ator”, a imagem de uma masculinidade ao mesmo tempo bruta e vulnerável, um homem com a capacidade de se transformar em qualquer homem. Brando personificou a figura do astro moderno que Hollywood precisava e reinventou o papel do ator no cinema, dando-lhe o peso criativo que tinham o diretor e o produtor. Sem a interpretação instintiva e humanizada de Brando, “Caçada Humana” e “O Pecado de Todos Nós” não teriam o ar moderno que aparentam, ainda que com os avanços narrativos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-334288579714584067?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/334288579714584067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=334288579714584067&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/334288579714584067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/334288579714584067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2009/05/brando-um-homem-moderno.html' title='Brando, um homem moderno'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-3311243915614415297</id><published>2007-11-30T19:26:00.001-03:00</published><updated>2009-05-18T12:33:55.501-03:00</updated><title type='text'>Sangue, suor e lágrimas da sua avó...</title><content type='html'>&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/R1CVejnSUuI/AAAAAAAAAFE/3FR97oT7Ug0/s1600-R/overdose254_foto910.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5138771527018369762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: pointer; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/R1CVejnSUuI/AAAAAAAAAFE/lOm3-p_taM8/s320/overdose254_foto910.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Em 1953 a Segunda Guerra era um passado recente. Se alguma ingenuidade restou da Primeira Guerra, ela se perdeu entre 1939 e 1945, quando o avanço técnico beneficiou o genocídio. As bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki lançaram a ameaça do conflito nuclear. Uma nova ordem se estruturava em cima de paranóia e insegurança. Com os equipamentos portáteis usados na guerra, os artistas foram para fora dos estúdios. Nascia o cinema moderno, perturbado por ter chegado tarde aos campos de batalha e de concentração. E, se ele falhou em registrar o caos enquanto acontecia, restava-lhe agora a obrigação de mostrar o que passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rossellini, de Sicca e Viscontti elevaram o cinema a um novo paradigma e diz-se que Hollywood jamais se recuperou do baque. Ainda assim, na costa oeste dos Estados Unidos, os negócios seguiam como de costume. Lá não havia espaço para o neo-realismo ou para o cinema pessoal e não-genérico que crescia na Europa – Godard, Resnais, Truffaut – e fora dela – o nosso Cinema Novo. Nem a popularização da TV, nem o fim do monopólio de produção, distribuição e exibição pelos grandes estúdios fez o antigo cinema de gêneros jogar a toalha. Insistindo contra a conjuntura mais desfavorável já enfrentada, Hollywood se valia do ar blasé de Clark Gable em “...E o Vento Levou” e da célebre frase de seu personagem: “sinceramente, minha cara, eu não dou a mínima”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você perguntar à sua avó sobre “A Um Passo da Eternidade” ("From Here to Eternity, EUA, 1953) ela contará como chorou por duas horas com o infindável sofrimento na tela. Talvez você não conheça o filme, mas deve ter na memória a cena em que Burt Lancaster e Deborah Kerr são cobertos pelas ondas enquanto se beijam na praia – uma das seqüências românticas mais famosas da história. Não é preciso Oscar para ser um clássico, mas oito estatuetas – como filme, diretor (Fred Zinnemann), atriz e ator coadjuvantes (Donna Reed e Frank Sinatra) – ajudam um filme a se tornar um. O campeão de 53 é uma amostra do delicioso fascínio do cinema clássico-narrativo americano, em sua melhor era. O tipo de programa que dava à sua avó a chance de escapar da vida real e estar com astros que eram deuses para gente comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula combinava efeitos visuais, atores-fetiche em romances impossíveis e uma grande ferida da história americana. Esse belo melodrama de guerra, baseado no romance de James Jones, acontece numa base americana no Havaí às vésperas do ataque a Pearl Harbor. Lancaster era a primeira escolha da equipe para viver o Sgt. Warden, mas os demais atores eram a segunda opção do estúdio. Kerr, por exemplo, interpretou Karen, esposa do capitão da base e amante do sargento, porque os figurinos (oscarizados) desagradaram a temperamental Joan Crawford - e foi um choque ver Deborah no papel de uma esposa infiel. Montgomery Clift e Donna Reed arrancaram lágrimas como um soldado solitário e uma prostituta que se apaixonam. O filme alavancou a carreira cinematográfica de Frank Sinatra que, em alguns anos, ganharia fama de ator instintivo, melhor em papéis que combinavam com sua personalidade. Sua espontaneidade valeu um Oscar quando Hollywood ainda não o aceitava bem. E mesmo sendo o foco cômico do filme, nem ele foge à tragédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofrer embalado pela música, eia a máxima de um melodrama&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,0,51)"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;. O destino é o grande vilão. Os personagens são passivos e impotentes diante dele, incapazes de ações concretas que conduzam à felicidade, sempre breve e fugaz, pois o passar do tempo é irremediável. Aqui não é diferente. Cada um traz feridas da vida e todos agem como vítimas resignadas, condenadas a um futuro sem esperança. As subtramas culminam com o ataque japonês, que lhes põe fim e é a representação máxima do destino impiedoso, maior do que os homens, do qual não se pode fugir. O ser humano está bloqeuado, não tem saída. A nostalgia é a metáfora de uma vida perecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aristóteles já sabia que a tragédia tem forte apelo popular e nada mais fascinante que o escapismo masoquista de pagarmos um ingresso para que nos façam sofrer. Nos anos 50 o mundo ia por um novo caminho, mas os estúdios em Hollywood ainda mantinham aquele poder hipnótico de dar inveja à psicanálise&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-3311243915614415297?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/3311243915614415297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=3311243915614415297&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/3311243915614415297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/3311243915614415297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2007/11/em-1953-segunda-guerra-era-um-passado.html' title='Sangue, suor e lágrimas da sua avó...'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/R1CVejnSUuI/AAAAAAAAAFE/lOm3-p_taM8/s72-c/overdose254_foto910.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-3868512200319827556</id><published>2007-06-05T16:56:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T12:16:52.436-03:00</updated><title type='text'>Premonições</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/RmXAIeudK6I/AAAAAAAAAE8/NwNR5LAagEU/s1600-h/premonition.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/RmXAIeudK6I/AAAAAAAAAE8/NwNR5LAagEU/s320/premonition.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5072671807222131618" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Entrar no cinema sem expectativa pode ser uma boa. Enquanto os últimos capítulos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Homem Aranha&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Piratas do Caribe&lt;/span&gt; tumultuam metade das salas, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Premonições &lt;/span&gt;estréia como aquele filme que faz pouco barulho na sala ao lado, e talvez por isso agrade. O título é ruim. Por conta dele, o filme corre o risco de ser encarado pelo público apenas como “outro com nome parecido”, já que o mercado está saturado deles: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Premonição&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Premonição&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Dom da Premonição&lt;/span&gt;. Mas os três dias de abertura do longa em março nos EUA deixaram a Sony (uma das distribuidoras) contente. Ele ocupou o terceiro lugar nas bilheterias e presenteou Sandra Bullock com o fim de semana de estréia mais rentável de sua carreira.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Aqui, ele deu o azar de entrar em cartaz no furor de Peter Parker e Jack Sparrow. No filme, Bullock é Linda Hanson, dona-de-casa que fica viúva quando o marido (Julian McMahon) sofre um acidente. Na manhã seguinte ele está vivo e episódios incongruentes passam a se entremear, sem sabermos se são reais ou alucinações. Mesmo com perniciosas falhas de continuidade e alguns pequenos furos no roteiro, não nos perdemos na história. Mas, como o título, a idéia não é nada inovadora e traz os clichês costumeiros: a fé como resposta; a família como o bem maior; a sanidade da personagem que é questionada.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;Situar o espectador no ponto de vista de Linda é boa idéia – embora a overdose de Sandra Bullock na tela seja tamanha que os coadjuvantes parecem existir apenas pra que ela não fale sozinha. Enxergamos tudo de acordo com sua percepção das coisas. Afinal, nada indica que suas alucinações não correspondem à realidade. A direção de arte é correta e junto com a fotografia simula um ambiente palpável como o do nosso mundo real. Mas a sensibilidade do diretor Mennan Yapo é o que faz a diferença. Optando, por exemplo, pelos planos fechados na primeira metade do filme, ele soube o que mostrar nas imagens enquanto construía a tensão. É graças à sua astúcia que entramos no jogo de uma história parecida com tantas outras e somos levados.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Premonições&lt;/span&gt; é o tipo de cria da indústria que não está preocupado em te oferecer nada além do puro entretenimento. Uma idéia americana com lugares comuns, ancorada por uma estrela que já não brilha tanto em Hollywood. Mais um filme comercial de porte médio entre um ou outro blockbuster megalomaníaco. Tais estereótipos são inegáveis, mas dentro deles esse suspense se sai melhor do que um genérico com “premonições”. É um filme bem feito.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-3868512200319827556?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/3868512200319827556/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=3868512200319827556&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/3868512200319827556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/3868512200319827556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2007/06/premonies.html' title='Premonições'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/RmXAIeudK6I/AAAAAAAAAE8/NwNR5LAagEU/s72-c/premonition.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-3498624484316551685</id><published>2007-03-20T11:31:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T12:16:52.622-03:00</updated><title type='text'>Scoop - O Grande Furo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Rf_wZKallvI/AAAAAAAAAEw/lsqE7GvIVvw/s1600-h/scoop.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Rf_wZKallvI/AAAAAAAAAEw/lsqE7GvIVvw/s320/scoop.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044014422761510642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O melhor comentário que ouvi sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop – O Grande Furo&lt;/span&gt; (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop&lt;/span&gt;, EUA/Inglaterra, 2006) foi “ele não acrescenta em nada a carreira de Woody Allen”. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;O diretor nova-iorquino tem um hábito distinto da maioria de seus colegas do cinema contemporâneo: ele é um cineasta que bate cartão. Ano a ano, sem falhar, Allen lança pelo menos um longa de sua autoria no mercado. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Quantidade não garante qualidade. O velho chavão se encaixa bem ao Allen dos últimos anos, capaz de variar do agradável em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Melinda e Melinda&lt;/span&gt; (2005) ao admirável &lt;st1:personname productid="em Match Point" st="on"&gt;em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Match Point&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt; (2005) e ao mero aceitável &lt;st1:personname productid="em Scoop. A" st="on"&gt;em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop&lt;/span&gt;. A&lt;/st1:personname&gt; roupagem dos três filmes não é muito diferente do que aprendemos a esperar do cineasta com o passar do tempo. Suas neuroses particulares, o quê de egocentrismo, as tiradas auto-depreciativas, o humor cínico e cortante das falas marcaram toda a filmografia do diretor e são também o tempero de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop&lt;/span&gt;. Goste-se ou não do que ele faz, é preciso reconhecer sua astúcia. Reinventar um mesmo esquema com um mínimo de competência tantas e tantas vezes é capacidade de poucos, e talvez seja esse o seu maior talento.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Allen continua fora de seu cenário favorito, Nova York, embora o texto ainda faça menção à sua cidade natal e, como não poderia deixar de ser, à origem judia. Já à vontade depois de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Match Point&lt;/span&gt;, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop&lt;/span&gt; ele permanece em Londres na boa companhia de Scarlett Johansson e dá as caras em mais uma comédia. Se não faltam energia e personalidade ao filme de 2005, o novo longa se contenta com pouco. Sequer se aproxima da potência dramática de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Match Point&lt;/span&gt;, o que não chega a ser um problema se assumirmos que o filme não está interessado nisso. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop&lt;/span&gt; é, por natureza, bem menos pretensioso.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Sondra Pransky (Johansson) é uma estudante de jornalismo americana de visita a Londres. Quando participa de um truque de desmaterialização durante o show do mágico Sidney Waterman (Allen), surge em sua frente o espírito de um importante repórter investigativo morto recentemente (Ian McShane), que lhe dá um grande furo jornalístico: o aristocrata Peter Lyman (Hugh Jackman) seria um perigoso serial killer. Para investigar pistas que confirmem a história, Sondra se envolve com Peter e acaba se apaixonando por ele. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A trama é banal em todo o seu desenrolar. Fica a sensação de já termos assistido aquilo antes, em algum lugar. Isso porque, apesar de saturado do humor, dos vícios e das neuroses de Allen – e, que fique claro, se tratando dele esses não são termos pejorativos – já vimos, sim, essa mesma história em inúmeros outros filmes. A farsa pontilhada por nuances teatrais é simples, em técnica e enredo, mas de um bom gosto que se confirma, por exemplo, na trilha sonora refinada com músicas de Strauss. Londres, charmosa por si só, é um ótimo cenário para o texto ágil e afiado que Allen compartilha com sua musa e compatriota Johansson, inspiradíssima, sem jamais perder o controle do timing cômico. E se Hugh Jackman não oferece muito em seu desempenho, a dupla de americanos vale o ingresso.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Saindo da sala de cinema, a conclusão é que o filme não fede nem cheira. Woody Allen ainda é saboroso, embora às vezes seja sem sal. O tempero de Allen é bom, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Scoop&lt;/span&gt; ficou sem gosto.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-3498624484316551685?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/3498624484316551685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=3498624484316551685&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/3498624484316551685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/3498624484316551685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2007/03/scoop-o-grande-furo.html' title='Scoop - O Grande Furo'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Rf_wZKallvI/AAAAAAAAAEw/lsqE7GvIVvw/s72-c/scoop.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-4436165376210158756</id><published>2007-02-27T15:08:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T12:16:55.230-03:00</updated><title type='text'>Ele, o Oscar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSIatzFtDI/AAAAAAAAAEg/947BhOxURl4/s1600-h/oscar2007.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036300275858912306" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSIatzFtDI/AAAAAAAAAEg/947BhOxURl4/s320/oscar2007.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este foi um ano acanhado, mas relevante nas indicações e na premiação da Academia. O Oscar verde de Al Gore e Leonardo DiCaprio. O Oscar da diversidade para a qual a apresentadora Ellen DeGeneres chamou a atenção. Uma festa insossa na 79ª edição dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Los Angeles.&lt;br /&gt;A aparente injustiça de nunca terem premiado Martin Scorcese mostrava sinais de que seria corrigida. &lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt;, o vencedor do Globo de Ouro por melhor filme de drama, apontado como favorito, levou baldes de água-fria nas premiações anteriores ao Oscar, sugerindo que em 2007 o favoritismo seria menos certo do que as surpresas. Os sindicatos, bons termômetros para a premiação da Academia, preteriram o &lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt; de Alejandro Gonzáles Inãrritu, dando crédito a &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; de Martin Scorcese e confirmando o adorado – e adorável – &lt;em&gt;Pequena Miss Sunshine &lt;/em&gt;como o queridinho de 2006. Com seu porte tímido, o filme da dupla Jonathan Dayton e Valerie Ferris – o único dos concorrentes de melhor filme a não ter os diretores indicados – levou o prêmio do sindicato de atores por melhor elenco, o do sindicato de roteiristas por melhor roteiro original e o do sindicato dos produtores, garantindo ser um competidor forte na briga pela mais importante das estatuetas douradas. O filme de Scorcese acumulou os prêmios do sindicato de diretores, do de roteiristas – melhor roteiro adaptado – e dividiu com &lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt; o prêmio do sindicato de montadores, chamando a atenção para mais uma possível surpresa no Oscar.&lt;br /&gt;Ao todo, foram 14 indicações para filmes de veia latino-americana, muitas delas em categorias técnicas importantes: 5 para o mexicano &lt;em&gt;O Labirinto do Fauno&lt;/em&gt;, de Guillermo Del Toro, 2 para &lt;em&gt;Filhos da Esperança&lt;/em&gt;, dirigido pelo também mexicano Alfonso Cuarón e 7 para &lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt;, dirigido pelo não menos mexicano Iñarritu. Pedro Almodóvar viu Penélope Cruz, a estrela do espanhol &lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt;, ser indicada a melhor atriz, algo raro de acontecer a um filme falado em língua não-inglesa. &lt;em&gt;A Rainha&lt;/em&gt;, tão polido e britânico quanto Sua Majestade, foi indicado a 5 prêmios. E o “sabe-se-lá-por-quê” queridinho da América &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt;, o mais nomeado, com 8 indicações, arrematou apenas 2 estatuetas.&lt;br /&gt;Acho que o Oscar 2007 ficará na memória por uma estimativa agradável: em que outro ano filmes além dos domínios norte-americanos ocuparam tanto espaço na premiação? No fim de tudo, o que mais me impressionou foi ter me surpreendido menos do que a maioria. Numa premiação imprevisível, possivelmente uma das mais competitivas em anos, os sindicatos indicaram o caminho dos garotos dourados, rebaixando a euforia de favoritismos a especulações vazias.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSHK9zFtCI/AAAAAAAAAEI/qFJAFxxaqdM/s1600-h/labirinto-do-fauno.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036298905764344866" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSHK9zFtCI/AAAAAAAAAEI/qFJAFxxaqdM/s320/labirinto-do-fauno.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Como de praxe, as estatuetas mais esperadas da noite foram as últimas: melhor ator, atriz, diretor e filme, em sequência. O incomum foi apresentarem tantas categorias técnicas antes e entre os prêmios para as performances dos coadjuvantes. O primeiro prêmio foi para a melhor direção de arte, categoria em que &lt;em&gt;O Labirinto do Fauno&lt;/em&gt; concorria com &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Bom Pastor&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Piratas do Caribe – O Baú da Morte &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;O Grande Truque&lt;/em&gt;. O &lt;em&gt;Fauno&lt;/em&gt; havia levado o prêmio do sindicato pelos cenários que materializam a fantasia. Era possível que também abocanhasse o prêmio da Academia, ainda que se acreditasse no favoritismo de &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt;. John Myhre – já oscarizado por &lt;em&gt;Chicago&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Memórias de uma Gueixa&lt;/em&gt; – e Nancy Haigh respondem por um ótimo trabalho no musical de Bill Condon, mas os méritos da direção de arte de &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt; não chegam a merecer o Oscar. Minha aposta foi para Eugenio Caballero e Pillar Revuelta, que deram ao filme de Guillermo del Toro seu primeiro garoto dourado.&lt;br /&gt;Competindo com o &lt;em&gt;Apocalypto&lt;/em&gt; de Mel Gibson e com &lt;em&gt;Click&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O Labirinto do Fauno&lt;/em&gt; era também minha aposta para o prêmio de melhor maquiagem. Embora eu não tenha visto nenhum dos três concorrentes, me pareceu que no filme mexicano a maquiagem era um elemento essencial da direção de arte. Um Oscar poderia levar ao outro e o &lt;em&gt;Fauno&lt;/em&gt; recebeu sua segunda consagração, para David Martí e Montse Ribé.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt; se destacava novamente como favorito para melhor figurino. O trabalho de Sharen Davis é competente e dá um ar contemporâneo à década de 60. Mas, assim como a direção de arte, merece elogios, não a estatueta. O sindicato surpreendeu, preferindo &lt;em&gt;A Maldição da Flor Dourada&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A Rainha&lt;/em&gt;. Ainda assim, minha aposta era na veterana Milena Canonero, já premiada duas vezes pela Academia, que concorria por &lt;em&gt;Maria Antonieta&lt;/em&gt; e levou o Oscar por um trabalho que exigiu ousadia e pompa – bem do jeito que a Academia gosta.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036298270109185026" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSGl9zFtAI/AAAAAAAAAD4/d-0hf-YF08w/s320/happy-feet.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Duas das maiores surpresas, para mim, foram o &lt;em&gt;Labirinto do Fauno&lt;/em&gt; ter levado melhor fotografia (Guillermo Navarro) – que, eu acreditava, iria para o trabalho excelente (e reconhecido pelo sindicato) de Emanuel Lubezki em &lt;em&gt;Filhos da Esperança&lt;/em&gt;, um filme tecnicamente complicado e repleto de planos sequência – mas, mesmo depois de aclamado por três prêmios técnicos, perder para o alemão &lt;em&gt;A Vida dos Outros&lt;/em&gt; o Oscar de melhor filme em língua estrangeira. &lt;em&gt;Happy Feet&lt;/em&gt; também surpreendeu, levando o prêmio de melhor longa de animação que parecia ser de &lt;em&gt;Carros&lt;/em&gt;. Os pinguins dançarinos de George Miller são mesmo superiores aos automóveis de John Lasseter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSFotzFs_I/AAAAAAAAADw/B_44gPYqovk/s1600-h/pequena-miss-sunshine-poster.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036297217842197490" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSFotzFs_I/AAAAAAAAADw/B_44gPYqovk/s320/pequena-miss-sunshine-poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O prêmio de efeitos visuais para John Knoll, Hal T. Hickel, Charles Gibson e Allen Hall por &lt;em&gt;Piratas do Caribe – O Baú da Morte&lt;/em&gt;, contra &lt;em&gt;Poseidon&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Superman Returns&lt;/em&gt;, não surpreendeu. Melhor roteiro adaptado e melhor roteiro original também seguiram o previsto sem decepcionar. William Monahan, que elaborou a história precisa e ágil de &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; a partir do roteiro de um filme chinês, venceu o primeiro. E Michael Arndt levou o segundo por sua crítica bem-humorada à família de classe-média norte-americana em &lt;em&gt;Pequena Miss Sunshine&lt;/em&gt;, um roteiro delicado e agradável, recusado pelos grandes estúdios, que conquistou como filme independente.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSD4tzFs-I/AAAAAAAAADg/GZtvJl0ubUo/s1600-h/babel-poster.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036295293696848866" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSD4tzFs-I/AAAAAAAAADg/GZtvJl0ubUo/s320/babel-poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; No Oscar verde, anti-poluição ambiental, anti-desperdício e, aparentemente, anti-republicano, Al Gore foi celebridade. Aplaudido com entusiasmo por Leonardo DiCaprio e pela platéia ao pisar no palco do Kodak Theatre, sorridente e confortável o suficiente para ouvir e fazer piadinhas, o ex-quase presidente foi estrela na 79ª edição do Oscar. Era certo que ele levaria para casa a estatueta pelo documentário de longa-metragem &lt;em&gt;Uma Verdade Inconveniente&lt;/em&gt;. E, com tanta hospitalidade, também não era difícil imaginar que a canção do filme, “&lt;em&gt;I Need to Wake Up&lt;/em&gt;”, de Melissa Etheridge, com sua mensagem moral passasse por cima das três concorrentes de &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt; (esgoeladas por Jennifer Hudson, Beyoncé Knowless e Anika Noni Rose) e de “&lt;em&gt;Our Town&lt;/em&gt;”, composição de Randy Newman para &lt;em&gt;Carros&lt;/em&gt;. Oscar de melhor canção para um filme documentário? Enfim, era o documentário do Al Gore.&lt;br /&gt;Eu apostava no filme de Iñarritu para melhor trilha sonora e edição. A trilha, dilacerante, arrematou o prêmio e Gustavo Santaolalla, que já havia vencido o ano passado por &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt;, derrotou Thomas Newman (&lt;em&gt;The Good German&lt;/em&gt;), Philip Glass (&lt;em&gt;Notas sobre um Escândalo&lt;/em&gt;), Javier Navarrete (&lt;em&gt;O Labirinto do Fauno&lt;/em&gt;), Alexandre Desplat (&lt;em&gt;A Rainha&lt;/em&gt;) e ganhou seu segundo Oscar. Mas &lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt; perdeu a estatueta de melhor edição para &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; – minha primeira opção nas apostas, que acabei rebaixando a segunda – e Thelma Schoonmaker, parceira habitual de Martin Scorcese, ganhou o Oscar por um trabalho valoroso.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036292901400064962" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSBtdzFs8I/AAAAAAAAADM/L_yD-wZrnqk/s320/cartas-de-iwo-jima.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt;, mais um drama dirigido pelo durão Clint Eastwood, foi minha primeira aposta para melhor edição de som. Achei um filme absolutamente maravilhoso. &lt;em&gt;Iwo Jima&lt;/em&gt; era minha paixão no Oscar desse ano e porque minhas apostas costumam ser influenciadas pela emoção, troquei meu voto para &lt;em&gt;A Conquista da Honra&lt;/em&gt;, o similar oposto de &lt;em&gt;Iwo Jima&lt;/em&gt;, também dirigido por Eastwood e rodado simultaneamente ao outro. &lt;em&gt;Cartas...&lt;/em&gt; é um filme superior, mais seguro e bem construído, mas as semelhanças técnicas entre os dois são enormes. Na última hora mudei de novo o voto, dessa vez para &lt;em&gt;Piratas do Caribe – O Baú da Morte&lt;/em&gt;, pelo ótimo trabalho de som realizado por Christopher Boyes e George Watters. E o Oscar acabou sendo dado a Alan Robert Murray – que concorria pelos dois filmes de Eastwood – por &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt;. Para mixagem de som, as apostas eram no favorito &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt;. O filme em si é fraco, mas a mixagem de Michael Minkler, Bob Beemer e Willie Burton merece o prêmio que levou.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR8ydzFs6I/AAAAAAAAAC0/4wucurLGdJ4/s1600-h/alan-arkin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036287489741271970" style="margin: 0px 0px 10px 10px; float: right;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR8ydzFs6I/AAAAAAAAAC0/4wucurLGdJ4/s320/alan-arkin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:times new roman;" &gt;Falando em prêmios merecidos, vamos ao Oscar menos justificável da &lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-family:times new roman;" &gt;noite: o de melhor atriz coadjuvante para Jennifer Hudson. Sim, era uma barbada, ainda que alguns acreditassem que a pequena miss sunshine Abigail Breslin pudesse ganhar. Apesar do favoritismo, eu não acreditava que o musical fosse levar os dois Oscars de coadjuvante, mas estava em dúvida de quem ficaria na berlinda, a “injustiçada” do &lt;em&gt;American Idol&lt;/em&gt; Jennifer Hudson ou Eddie Murphy. &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt; é sofrível, roteiro e direção são medíocres e, embora as atuações não sejam ruins, elas também não são memoráveis. Jennifer Hudson é boa o suficiente para o papel, mas seu desempenho não valia um Oscar. Particularmente, eu preferia Adriana Barraza ou mesmo Rinko Kikuchi, ótimas em &lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt;. Eddie Murphy desenvolveu um trabalho realmente bom como Jimmy Early e seu personagem no filme cresceu porque ele é, de longe, a melhor coisa de &lt;em&gt;Dreamgirls&lt;/em&gt;, um alívio para o filme. Dizem que a Academia não simpatiza muito com Murphy e ele não era, na minha opinião, mais merecedor do prêmio de coadjuvante masculino do que os outros concorrentes, todos donos de excelentes atuações. Venceu o veterano Alan Arkin, de &lt;em&gt;Pequena Miss Sunshine&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036285892013437842" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR7VdzFs5I/AAAAAAAAACs/_1j6rTUH_wg/s320/HudsonJennifer.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melhor atriz, melhor ator e melhor diretor eram barbadas das mais certas. &lt;em&gt;A Rainha&lt;/em&gt; se ergue sobre o comedimento de Hellen Mirren e ela venceu Penélope Cruz (&lt;em&gt;Volver&lt;/em&gt;), Judi Dench (&lt;em&gt;Notas sobre um Escândalo&lt;/em&gt;), Meryl Streep (&lt;em&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/em&gt;) e Kate Winslet (&lt;em&gt;Pecados Íntimos&lt;/em&gt;) pelo desempenho magistral no filme de Stephen Frears. Forest Whitaker, bom ator relegado a papéis de coadjuvante, não tinha grande visibilidade no cinema até personificar o medonho ex-ditador de Uganda Idi Amim em &lt;em&gt;O Último Rei da Escócia&lt;/em&gt;. Saiu vitorioso, deixando para trás Leonardo DiCaprio (&lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt;), Will Smith (&lt;em&gt;A Procura da Felicidade&lt;/em&gt;), o novato Ryan Gosling (&lt;em&gt;Half Nelson&lt;/em&gt;) e o veteraníssimo - e dono de um Oscar honorário - Peter O´Toole, que nunca levou a estatueta de melhor ator, apesar de essa ter sido sua oitava indicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR6vtzFs4I/AAAAAAAAACI/5CvdDjeOOQ0/s1600-h/ultimo_rei_da_escocia_poster.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036285243473376130" style="margin: 0px 10px 10px 0px; float: left;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR6vtzFs4I/AAAAAAAAACI/5CvdDjeOOQ0/s320/ultimo_rei_da_escocia_poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR18tzFs0I/AAAAAAAAABo/rGx61d6cVaU/s1600-h/rainha-poster.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036279969253536578" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReR18tzFs0I/AAAAAAAAABo/rGx61d6cVaU/s320/rainha-poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Martin Scorcese receberia a estatueta de melhor diretor pela qual esperava há tanto tempo, e que esse ano lhe era de direito. Ninguém apostava no contrário. &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; se destacou nas premiações pré-Oscar, indicando que essa era a vez de Scorcese, um diretor incrível jamais premiado com a estatueta dourada, atropelado por Roman Polansky (&lt;em&gt;O Pianista&lt;/em&gt;) em 2003 e por Clint Eastwood (&lt;em&gt;Menina de Ouro&lt;/em&gt;) em 2005, só para lembrar o passado recente. E foi o momento mais emocionante da noite quando o trio Steven Spielberg, George Lucas e Francis Ford Coppola entregou o Oscar ao amigo. No palco, três enormes personalidades do cinema contemporâneo, homenageando uma quarta figura tão gigante quanto eles. Uma cena fundamental para história do Oscar, do Cinema e para qualquer um que se interesse por ambos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReRz89zFszI/AAAAAAAAABg/u9XHqWg-HZo/s1600-h/oscar_scorcese.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036277774525248306" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReRz89zFszI/AAAAAAAAABg/u9XHqWg-HZo/s320/oscar_scorcese.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O prêmio de melhor diretor de Martin Scorcese foi merecidíssimo. &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; é um filme impecável. Ainda assim, eu apostava que ele levaria o Oscar de melhor filme menos por merecimento e mais pela velha iniciativa da Academia de corrigir injustiças. Não que tenha sido um Oscar injusto, não acho que seja o caso. &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt; não é uma das obras-primas do diretor, mas Scorcese realizou um filme irrepreensível, como eu já enfatizei. Nem por isso o melhor entre os 5 indicados. Minha paixão era &lt;em&gt;Cartas de Iwo Jima&lt;/em&gt;, como também já deixei claro, e isso é uma opinião pessoal. Fiquei tentada a apostar minhas fichas nele, mas pensando racionalmente não acreditei que a Academia fosse novamente preterir Scorcese e oscarizar um filme de Clint Eastwood, que já venceu o amigo há dois anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Babel&lt;/em&gt; ainda era apontado por muitos críticos como o favorito, e eu não via porquê, já que o filme de Iñarritu – o segundo melhor entre os concorrentes, na minha opinião – não mostrou bons resultados nas demais premiações, dando a entender que seria uma decepção no Oscar. &lt;em&gt;A Rainha&lt;/em&gt;, britânico como é, nunca me pareceu ter chance de levar o prêmio principal. Por isso eu acreditava que a briga seria mesmo entre &lt;em&gt;Pequena Miss Sunshine&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Sunshine &lt;/em&gt;acabou vencendo melhor ator coadjuvante, o que significou para mim que ele poderia, então, não levar o primeiro prêmio. O Oscar de melhor filme seria provavelmente de Os Infiltrados, que já havia ganho melhor diretor, roteiro adaptado e edição. E assim foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReRzutzFsyI/AAAAAAAAABY/vI_3-QpnC5U/s1600-h/infiltrados-poster.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5036277529712112418" style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReRzutzFsyI/AAAAAAAAABY/vI_3-QpnC5U/s320/infiltrados-poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os 5 indicados ao prêmio principal foram realmente os melhores de 2006 - e essa é mais uma opinião pessoal. Dizer isso pode parecer redundante, mas nem sempre concordo com as indicações. Em quase todos os anos há um ou outro filme que me desagrada. Dessa vez não foi o caso e fiquei feliz por isso. Em 2008, a Academia completará 80 anos e acho que podemos esperar uma grande festa. Com ótimos filmes, torço eu. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-4436165376210158756?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/4436165376210158756/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=4436165376210158756&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/4436165376210158756'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/4436165376210158756'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2007/02/2007-foi-um-ano-acanhado-mas-relevante_27.html' title='Ele, o Oscar'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/ReSIatzFtDI/AAAAAAAAAEg/947BhOxURl4/s72-c/oscar2007.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-116827626512849585</id><published>2007-01-08T13:41:00.000-03:00</published><updated>2007-01-08T22:32:41.966-03:00</updated><title type='text'>Diamante de Sangue</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2105/1402/1600/817295/diamante-de-sangue-poster.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/2105/1402/320/879358/diamante-de-sangue-poster.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Martin Scorsese fez bem a Leonardo DiCaprio. Se a arte cinematográfica não ganhou muito com suas primeiras parcerias – &lt;em&gt;Gangues de Nova York&lt;/em&gt;, de 2002, e &lt;em&gt;O Aviador&lt;/em&gt;, de 2004 – o ator parece ter tirado grande proveito delas. Com duas indicações a melhor ator em drama no Globo de Ouro 2007 – por &lt;em&gt;Os Infiltrados&lt;/em&gt;, a terceira cria da sociedade com Scorsese, e &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; – DiCaprio pode não ser o melhor ator do ano, mas exibe sinais de amadurecimento que não deixam dúvida. O garoto de rostinho bonito por quem as adolescentes suspiraram em &lt;em&gt;Romeo+Julieta&lt;/em&gt;, que alcançou o estrelato ao protagonizar &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt; em 1997, tem agora 32 anos e uma capacidade dramática consideravelmente mais versátil. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Blood Diamond&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2006), DiCaprio é Danny Archer, ‘garoto branco nascido na África’ como o próprio personagem se define, traficante de armas para a Frente Revolucionária Unida (FRU). A trama se passa em Serra Leoa no ano de 1999, quando a guerra civil atingia seu auge. A FRU invade aldeias e cidades matando, mutilando, transformando meninos em guerrilheiros e o exército sequer disfarça as arbitrariedades que comete na briga pelos diamantes extraídos ilegalmente, que tem como conseqüências diretas a ultraviolência, a miséria e o exílio forçado de um sem número de civis. Os diamantes de sangue, como ficam conhecidos, são interceptados às escuras em Londres e se espalham pelas vitrines de joalherias de todo o mundo para, junto a pedras garimpadas legitimamente, tornarem-se 'the girls best friends', nas palavras da Marilyn Monroe de &lt;em&gt;Os Homens Preferem as Loiras&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Também envolvido no tráfico de diamantes, Danny é detido na tentativa de contrabandear pedras para a Libéria e na prisão conhece Solomon Vandy (Djimon Hounson), pescador de etnia Mendy separado da família durante um ataque da FRU à sua aldeia. No garimpo de trabalhos forçados para onde é levado pelos guerrilheiros, Solo encontra um diamante cor-de-rosa que passa a ser alvo da cobiça de Danny. Assim como usa Solo para conseguir o que quer, Danny é usado por Maddy Bowen (Jennifer Connelly), jornalista norte-americana interessada em escrever sobre as pedras ilegais, em busca de fatos passíveis de serem provados. O diamante encontrado por Solo representa para o trio principal a chance única de que cada um alcance aquilo que objetiva. Como já explicam alguns dos posteres, para o pescador afastado da mulher e dos filhos a pedra significa a liberdade; para o ex-mercenário, a fortuna; e para a repórter obcecada pela causa social, a verdade.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; é aquele tipo de filme em que a realidade brinca de ser ficção. As comparações com &lt;em&gt;O Jardineiro Fiel &lt;/em&gt;(2005) e &lt;em&gt;Hotel Ruanda&lt;/em&gt; (2004) têm sido recorrentes, já que os três gritam em alto e bom som por uma causa comum: a violência e o subdesenvolvimento na África, seus motivos e conseqüências. Longe de ser um romance acima da indisfarçável desordem do continente como o belo filme de Fernando Meirelles, ou a ficção ultrarealista que é o &lt;em&gt;Hotel Ruanda&lt;/em&gt; de Terry George, o longa dirigido por Edward Zwick é um thriller de ação (muita ação), com um pano de fundo verdadeiro demais para ser esquecido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Danny Archer, Solomon Vandy e Maddy Bowen são personagens da ficção – o altruísmo de Maddy raramente sobreviveria no mundo real, a moral da história e a redenção do personagem corrompido não negam as opções clássicas de um roteiro cinematográfico. O romance e o desenvolvimento da ação no enredo remetem a um roteiro ficcional, mas a ligação dos personagens com o ambiente que os cerca – e, no caso de Danny e Solomon, os condiciona – mantém a lógica e faz o espectador cair em si o tempo todo. O que assistimos já foi real em Serra Leoa e ainda é em muitos países da África.&lt;br /&gt;O trabalho consciente, preciso e seguro de Edward Zwick pouco faz lembrar a direção de &lt;em&gt;O Último Samurai&lt;/em&gt;. Em &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt;, a câmera é caótica – não poderia deixar de ser, já que passeia pelo caos – e não se atém a uma única imagem da guerra por mais do que poucos segundos. O panorama assustador se constrói na tela por uma sucessão de quadros que chocam – mulheres e crianças aos berros, corpos expostos pelo chão, crianças empunhando armas, em meio à pobreza e ao abandono extremo – e pela hábil exploração do espaço fora de tela. A beleza natural do continente, a despeito de todas as suas mazelas, é freqüentemente ressaltada pela fotografia dos filmes que têm como cenário o espaço africano e aqui não é diferente.&lt;br /&gt;A guerra em Serra Leoa terminou em 2002. Antes disso, uma mostra de boas intenções em prol do fim dos conflitos na África já começava a aparecer: o Processo Kimberley é um acordo entre diversos países e determina que o percurso de cada pedra de diamante seja fiscalizado a partir do garimpo. &lt;em&gt;Diamante de Sangue&lt;/em&gt; talvez tenha boas chances no Oscar e nas demais premiações do cinema ao redor do mundo, assim como o esforço de Leonardo DiCaprio. Duro é saber que ainda falta muito para que a vida real ganhe um final feliz, tão mais fácil de se ver na ficção.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-116827626512849585?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/116827626512849585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=116827626512849585&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/116827626512849585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/116827626512849585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2007/01/diamante-de-sangue.html' title='Diamante de Sangue'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-116000621926323256</id><published>2006-10-04T20:42:00.000-03:00</published><updated>2006-10-07T01:45:15.786-03:00</updated><title type='text'>O Diabo Veste Prada</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/diabo-veste-prada-poster01.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center;" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/diabo-veste-prada-poster01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando Laura Weisberger escreveu &lt;em&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/em&gt;, vestiu os personagens de ficção para contar sua experiência infernal enquanto trabalhou para uma das figuras mais poderosas da moda, Anna Wintour, diretora da &lt;em&gt;Vogue&lt;/em&gt; americana. No livro, Wintour é Miranda Pristley, a &lt;em&gt;Vogue&lt;/em&gt; se transforma em &lt;em&gt;Runway&lt;/em&gt; e Weisberger ganha a identidade de Adrea Sachs, uma jornalista recém-formada que consegue o emprego dos sonhos de muitas garotas (mas não o dela) e se torna assistente pessoal da editora de uma das revistas de moda mais badaladas do mundo. Como acontece nos contos de fada urbanos, Andrea é um patinho feio, a moça “gorda” (se comparada às modelos anoréxicas) e inteligente, completamente deslocada no mundo fashion, que ao longo da história sofre uma metamorfose e ganha uma bela aparência. Interessante, mas não inusitado, é o que esse processo vai fazer ao espírito da jovem. Após a imersão naquele universo, vêm os julgamentos de caráter, que por convicção da personagem ou por simples moralismo se sobrepõe à sua ambição. Por fim nos deparamos com o mito faustiano: vale a pena vender a alma?&lt;br /&gt;Seguindo o caminho natural dos best sellers, o livro de Weisberger teve seus direitos comprados por Hollywood e chegou às telas esse ano. &lt;em&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;The Devil Wears Prada&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2006) é um filme de luxo. Ou, melhor dizendo, é um filme que se dá a muitos luxos. Meryl Streep como a sufocante e mimada Miranda Pristley e os figurino de milhões de dólares, tão deslumbrantes quanto caros, são alguns deles. E como produto do grande cinema de mercado, o filme consegue atingir seu objetivo: entreter o público em uma trama banal, que está longe de ser surpreendente, mas é bem arranjada e charmosa.&lt;br /&gt;Por uma montagem paralela comparamos a rotina matinal de Andrea (Anne Hathaway) à de mulheres exuberantes, acostumadas ao glamour. Essa sequência de abertura traz o ritmo e o estilo necessários para lançar o espectador na história.  Logo depois, encaramos a personagem em seu lugar. Andrea é mais uma pessoa comum na selva de Nova York, um ambiente que o cinema se habituou a retratar como caótico, competitivo, às vezes hostil. O desenrolar da trama é concentrado nas personagens de Meryl Streep e Anne Hathaway. Em certo momento, Nate (Adrian Grenier), o namorado de Andrea, declara o que vemos durante quase todo o filme: Miranda é a única pessoa com quem a protagonista parece se relacionar. E é dessa relação entre a megera e a garota que sem perceber está a caminho de se tornar sua pupila que surgirão os conflitos da história. A moça desengonçada aprende a ser linda e a sobreviver no universo da moda, mas entra em conflito consigo mesma por se afastar cada vez mais daquilo que queria ser.&lt;br /&gt;Atrás do disfarce fútil, estão boas alfinetadas à ditadura da beleza e uma certa simpatia ao feminismo. Mas ainda que critique o mundo da alta costura, o filme não deixa de admirá-lo com um olhar apaixonado.  Uma das cenas traz não só a explicação para a relevância da moda, mas também muito da própria índole do filme.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/em&gt; é sempre elegante. A fotografia, a montagem, o ritmo acelerado imprescindível e a trilha sonora pop encontram o ponto certo para contribuir na narrativa. Meryl Streep está além das críticas como o diabo de voz aveludada e Anne Hathaway se sai bem em seu papel, ajudada por coadjuvantes donos de um timing cômico impecável como Stanely Tucci e Emily Blunt.&lt;br /&gt;Seja qual for a opinião, o interesse ou a visão do espectador sobre o ambiente onde se constrói a história, ela vem imbuída de um olhar próprio, que está talvez entre o respeito e a admiração, mas que independe do público. E é isso que, dentre outras coisas, faz de &lt;em&gt;O Diabo Veste Prada&lt;/em&gt; uma trivialidade de bom gosto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-116000621926323256?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/116000621926323256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=116000621926323256&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/116000621926323256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/116000621926323256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/10/o-diabo-veste-prada.html' title='O Diabo Veste Prada'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-115661535260404872</id><published>2006-08-26T14:48:00.001-03:00</published><updated>2006-08-27T14:45:39.686-03:00</updated><title type='text'>Obrigado por fumar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/obrigado-por-fumar.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/obrigado-por-fumar.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Jordan faz cestas. Manson mata pessoas. Eu falo. Cada um tem seu dom”&lt;/em&gt;. Esse não é o início, mas o final da história de Nick Naylor. O personagem vivido por Aaron Eckhart é o principal porta-voz da indústria do tabaco, um lobista das grandes empresas de cigarro que ganha a vida manipulando informações para defender os direitos dos fumantes nos Estados Unidos, enquanto tenta ser um exemplo para o filho Joey (Cameron Bright). &lt;em&gt;Obrigado por fumar&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Thank you for smoking&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2006) é inteligente, cínico, auto-depreciativo, escancarado, ousado e talvez mais. Explorando um humor refinado e ao mesmo tempo agressivo, usa a metalinguagem como ferramenta para o escárnio e exige do espectador não apenas senso de humor, mas um verdadeiro gosto pelo sarcasmo.&lt;br /&gt;O filme dirigido por Jason Reitman é absurdo exatamente por fazer todo sentido. Assim como seu protagonista, é dotado de flexibilidade moral e se abstrai de qualquer tentativa de ser edificante. À medida que aumenta sua visibilidade, Nick é perseguido por um senador oportunista (o sempre incrível William H. Macy) e enganado por uma jornalista sedutora (a sempre insossa Kate Holmes), ligações perigosas que quase põe fim à sua vida e à sua carreira, respectivamente. Com seus altos e baixos o personagem se mantém o tempo todo em conformidade com aquilo que é, mesmo depois do ponto de virada. No final da história, Nick consegue ser o exemplo que queria para o filho, sem impor a Joey e ao público uma visão considerada “certa” e um comportamento moral. Ao contrário. Dentro de seu pragmatismo, ele é sempre coerente com as idéias que defende, personificando a máxima de que qualquer ponto de vista pode estar certo, desde que bem argumentado. O essencial é a liberdade de escolha.&lt;br /&gt;O que não faltam ao longa são qualidades para serem elogiadas. O roteiro adaptado do livro de Christopher Buckley (que aparece como figurante) é filmado com talento e as cenas bem construídas são emolduradas pela ótima fotografia de Jim Whitaker. A trilha sonora elegante e clássica cai como uma luva na composição do sarcasmo e do irresistível cinismo do texto. O bom elenco, escolhido com esmero pelo diretor, dá o toque final.&lt;br /&gt;Mas um dos mais saborosos trunfos se esconde em um requinte que evidencia a inteligência do enredo: a maneira como a indústria do cinema é exposta ao ridículo sem pudores, dos primórdios da aparição do filme falado em 1928 até a poderosa figura do produtor contemporâneo, interpretado por Rob Lowe. Para ilustrar como o cinema clássico fez bem à indústria do tabaco, Nick cita, por exemplo, o onipresente cigarro nas mãos da intensa Bette Davis e a primeira cena de Humphrey Boggart e Lauren Bacall, dupla icônica do charmoso gênero &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, o casal mais famoso do mundo (nas palavras de Naillor), dentro e fora das telas. Seus argumentos são fascinantes e sempre convincentes. A seqüência em que Jeff Megall (Lowe) narra uma possível cena a ser protagonizada por Brad Pitt e Catherine Zetta Jones, fumando nus em uma nave espacial depois do sexo, é impagável. &lt;em&gt;“Mas o cigarro não explodiria com oxigênio do espaço?”&lt;/em&gt;, questiona Nick. &lt;em&gt;“Nada que não possa ser ajeitado com uma fala no roteiro”&lt;/em&gt;, tranqüiliza Megall. O sarcasmo é tão completo que lança ao ridículo não só o cinema, mas também o público, condicionado a comprar idéias disfarçadas de um entretenimento inofensivo.&lt;br /&gt;Doak Boykin, o “poderoso chefão” do tabaco interpretado por Robert Duval não se separa do charuto nem quando está com as veias entupidas em um leito de hospital, mas é interessante reparar que nenhum ator é visto fumando um cigarro durante todo o filme. Não espere sair doutrinado do cinema. &lt;em&gt;Obrigado por Fumar&lt;/em&gt; escancara o contra-senso e o humor negro da situação que explora com elegância, respeito à sutileza e um comedimento disfarçado que o tornam especial. Se há uma moral nessa história, ela é: &lt;em&gt;“pense por conta própria e, então, escolha o seu lado”&lt;/em&gt;. Ou não escolha nenhum.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-115661535260404872?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/115661535260404872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=115661535260404872&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115661535260404872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115661535260404872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/08/obrigado-por-fumar_26.html' title='Obrigado por fumar'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-115595081729720388</id><published>2006-08-18T22:16:00.000-03:00</published><updated>2006-08-19T13:33:06.680-03:00</updated><title type='text'>A Prova</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"The biggest risk in life is not taking one"&lt;/em&gt;.&lt;em&gt; "If you don´t believe in yourself, who will believe in you?"&lt;/em&gt;. Não, não são frases roubadas de odiosos manuais de auto-ajuda. Sim, parecem. Mas são as chamadas nos cartazes de &lt;em&gt;A Prova&lt;/em&gt;. Enquanto escolhia um deles para ilustrar a crítica, achei que os dizeres me vinham a calhar. Escrever sobre filmes é das coisas que mais gosto de fazer na vida. Mas apesar de umas postagens esporádicas nos últimos meses, crítica mesmo, feita por mim, há séculos não se via por aqui. E quanto mais tempo fico sem praticar, mais me pergunto se tenho algum talento e se a cada dia não perco mais e mais o jeito. Enfim, vamos à prova.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/_proof.posternacional.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/_proof.posternacional.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Catherine (Gwyneth Paltrow) dedicou anos de sua juventude a cuidar do pai, Robert (Anthony Hopkings), um gênio da matemática que terminou seus dias esclerosado. Prestes a completar 27 anos, abalada pela morte recente dele, ela se mantém no casulo em que viveu durante aqueles anos difíceis, temendo herdar a loucura de Robert. Então surge Hal (Jake Gyllenhaal), um ex-aluno que acredita haver algo de produtivo nos 103 cadernos que o velho homem escreveu durante sua doença. Ela também precisará lidar com a irmã Claire (Hope Davis), que volta à Chicago para o enterro do pai, decidida a vender a casa da família e levar Catherine para Nova York.&lt;br /&gt;A partir disso, não é preciso ser muito intuitivo para descobrir que a presença de Hal e os choques com a personalidade da irmã definirão o rumo de Catherine. &lt;em&gt;A Prova&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Proof&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005) é um drama sério e humano, adaptação da peça homônima de David Auburn, vencedora do prêmio &lt;em&gt;pullitzer &lt;/em&gt;e do Tony. O enredo que poderia facilmente cair no piegas e na falta de graça na transposição para o cinema se mantém firme pelos artifícios da adaptação do roteiro. Sem buscar grandes saídas, concentrando o foco na tensão do texto e da situação em si, a trama se mostra muito bem resolvida na tela, eficiente e modesta. Em concisos 100 minutos, envolve o espectador no conflito da protagonista sem fugir da simplicidade.&lt;br /&gt;A peça de Auburn se tornou sucesso imediato de crítica e público. O texto seco, considerado &lt;em&gt;"ultrarealista"&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;não demorou a sair de Chicago e chegar à Broadway. Em Londres, ganhou uma elogiada montagem de John Maidden - veterano do teatro e diretor do filme - estrelada pela americana Gwyneth. No Brasil, a peça foi levada aos palcos por Aderbal Freire Filho, com Andréa Beltrão e Emílio de Melo no elenco. A galeria de personagens é pequena e seus conflitos se limitam a espaços restritos. Grande parte das ações acontece na casa de Robert e Catherine. Poucas cenas empregam figurantes e são raros os que acrescentam alguma importância ao desenrolar da história. Toda a tensão está concentrada nas situações e nos conflitos entre aqueles poucos personagens. Contando com a preciosa ajuda da trilha sonora, o longa realiza com habilidade a transição pelo ápice até o desfecho trama. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um roteiro que descenda de um texto teatral enfrenta o perigo constante de recair em falas excessivamente explicativas e nos vícios de uma linguagem própria do palco que não costuma caber no cinema. Mas aqui a tentação não se converte em pecado. Se a direção e os atores são capazes de dar veracidade ao texto sem torná-lo enfadonho frente às câmeras, como foram capazes de fazer nesse filme, não há porque evitar o risco.&lt;br /&gt;Gwyneth Paltrow, indicada ao Globo de Ouro pelo papel, repete duplamente a parceria com John Maidden. Quando a peça de Auburn ganhou o palco do West End em Londres, a atriz havia acabado de receber o Oscar por &lt;em&gt;Shakespeare Apaixonado&lt;/em&gt;, filme de 1998 dirigido por Maidden. Amparada pelo bom trabalho dos coadjuvantes, em &lt;em&gt;A Prova &lt;/em&gt;ela consegue se segurar com méritos na liderança. Anthony Hopkings, como de costume, exibe a boa performance com uma naturalidade que chega a parecer fácil. Hope Davis é um contraponto essencial à personagem de Gwyneth e Jake Gyllenhaal conserva o charme inerente e o talento seguro que vem lapidando. Depois de ousar como o cowboy gay de &lt;em&gt;Brokeback Mountain&lt;/em&gt; ou com o excesso de testosterona de um solado norte-americano entediado no Golfo em &lt;em&gt;Soldado Anônimo&lt;/em&gt;, seu personagem aqui não poderia ser mais politicamente correto. Hal é, em uma análise simples, o &lt;em&gt;“salvador espiritual”&lt;/em&gt; da protagonista, aquele que a aproxima da redenção necessária para a resolução de seus conflitos. Logo, é inevitável que ele lance mão de um catálogo de frases de auto-ajuda típicas quando estamos perto do desfecho.&lt;br /&gt;O grande drama de Catherine é resumido em uma fala de Claire: &lt;em&gt;“Eu acho que você herdou parte do talento dele e parte de sua tendência à instabilidade”&lt;/em&gt;. O que consome a atormentada personagem, já devastada pelos anos que dedicou ao pai doente, é se perguntar até onde vai sua herança. O público é frequentemente levado por armadilhas, em um jogo que lhe permite embarcar na confusão mental da protagonista. &lt;em&gt;Flash backs&lt;/em&gt; são recorrentes e bem encaixados, mas é pena que os requintes da história para nos confundir se diluam às vezes rápido demais, em seqüências que não demoram a se esclarecer. Ainda assim, &lt;em&gt;"A Prova" &lt;/em&gt;é bom cinema, com seu segredo que vai além do &lt;em&gt;“o que” &lt;/em&gt;e se esconde no &lt;em&gt;“como”.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-115595081729720388?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/115595081729720388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=115595081729720388&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115595081729720388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115595081729720388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/08/prova.html' title='A Prova'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-115185774689796152</id><published>2006-07-02T13:10:00.000-03:00</published><updated>2006-07-02T19:37:30.260-03:00</updated><title type='text'>Joga pedra na Leni?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Leni Riefenstahl, a controversa e brilhante cineasta alemã, estreou no cinema como atriz. Estrelou vários &lt;em&gt;filmes de montanha&lt;/em&gt; (gênero clássico alemão, uma espécie de &lt;em&gt;western &lt;/em&gt;germânico) até ser convidada para dirigir &lt;em&gt;A Luz Azul&lt;/em&gt;, uma ficção, estilo onde residia seu interesse a princípio. Sobre como a cineasta teria se aproximado do líder do Terceiro Reich, afirmam algumas fontes que ela se fascinou pela capacidade oratória de Hittler, depois de vê-lo discursar em um comício em 1932. Outras, como a própria Leni, contam que ela foi procurada por Hittler depois que esse assistiu &lt;em&gt;A Luz Azul&lt;/em&gt;. Após dirigir, em 1933, um curta-metragem sobre o partido nazista, foi convidada por Hittler para filmar a convenção anual do Partido Nacional Socialista em Nuremberg, em 1934. Leni recusou o convite e sugeriu ao líder alemão que contratasse Walter Ruttmann para o trabalho, mas voltou atrás. &lt;em&gt;O Triunfo da Vontade&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Der Triumph des Willens&lt;/em&gt;, 1936) foi a maior superprodução da época, considerada uma das melhores obras de propaganda já produzidas, glorificando Hittler, embora a cineasta afirme que seus propósitos eram estritamente documentais.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Arquitetura da Destruição&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Architektur des Untergangs&lt;/em&gt;, Suécia, 1989), documentário de Peter Cohen, explora a idéia de como Adolf Hittler, um confesso artista frustrado, transferiu para a arena da política, da guerra e da moderna forma de genocídio seus ideais megalomaníacos de estética e arte. &lt;em&gt;"Só entende o Nacional-Socialismo quem conhece Wagner”&lt;/em&gt;, são palavras do Führer. Aos 15 anos, Hittler assistiu em Linz, sua pequena cidade natal, a ópera &lt;em&gt;Rienzi&lt;/em&gt; e, segundo o próprio, impressionado com a estética wagneriana, &lt;em&gt;“foi naquela hora que tudo começou”&lt;/em&gt;. A encenação da ópera foi posteriormente empregada nos &lt;em&gt;“comícios de pseudo-arte”&lt;/em&gt;, onde, como diz o narrador do filme de Cohen, o então ditador da Alemanha era &lt;em&gt;“cenógrafo, diretor e ator principal”&lt;/em&gt;. O cinema de &lt;em&gt;Triunfo da Vontade&lt;/em&gt; representou a perfeição desses espetáculos de força e poder.&lt;br /&gt;Acusada de usar prisioneiros em seus sets de filmagem, Leni passou quatro anos presa em um campo de concentração francês após a Segunda Guerra, mas ao fim do julgamento foi considerada apenas “simpatizante” do nazismo. Seu &lt;em&gt;Olympia (1938)&lt;/em&gt;, que registrou as Olimpíadas de Munique em 1936, inaugurou a tradição da cobertura de eventos esportivos. Com a grande sacada, até então inédita, de unir o acontecimento esportivo a cobertura midiática, ela empregou técnicas fenomenais para a época, com ângulos incomuns de câmera, técnicas de montagem sofisticadas, &lt;em&gt;close ups&lt;/em&gt; extremos e nus, entre outras. Aqueles Jogos Olímpicos foram considerados as &lt;em&gt;“Olimpíadas de Hittler”&lt;/em&gt; e isso, por si só, já renderia um filme imbuído de propaganda política. No entanto, os defensores de Riefenstahl citam momentos do documentário, quando o rosto do Führer é filmado na vitória do afro-americano Jesse Owens, ou a aparição de outros vencedores não-arianos, alegando que tal imagem não se encaixa na idéia de superioridade racial nazista. Mas é fato também que o filme remete constantemente a Hittler e a outras figuras nazistas enquanto documenta o espetáculo olímpico.&lt;br /&gt;Na década de 1930, a proposta nacional-socialista procurou retomar a idéia da beleza clássica renascentista, desconstruída pelas vanguardas da década de dez. O discurso da beleza e da perfeição casava perfeitamente com a ideologia nazista e Hittler se imaginava um especialista em artes. Quando invadiu a França, poupou Paris da destruição por considerá-la linda. Acreditava que quando a Berlim de seus caprichos estéticos estivesse pronta, Paris seria apenas uma sombra. A valorização da pintura, da escultura e, como não poderia deixar de ser, do cinema, das Belas Artes em geral, se tornou um competente reforço ao programa nazista e a &lt;em&gt;“nova arte alemã”&lt;/em&gt; foi ganhando traços cada vez mais definidos a partir dos primeiros eventos culturais. O cinema de Riefenstahl, embora acusado por razões justas de propagandista, tinha um trato muito forte com a beleza, com suas cenas grandiosas, herdadas em parte dos filmes de montanha, ao contrário dos filmes clássicos e incisivos de propaganda anti-semita, que justificavam descaradamente o genocídio.&lt;br /&gt;Leni tentou produzir outros filmes no pós-guerra, mas sofreu um boicote que a impediu de financiar suas produções. Declarou posteriormente que era fascinada pelos nazistas, mas que, politicamente ingênua, ignorava as barbaridades cometidas por eles, posição que seus críticos consideram absurda. Riefesnstahl foi uma talentosa artista que, como tantos outros, serviu a propósitos políticos de &lt;em&gt;“grande extensão estética”&lt;/em&gt;, como dispara o narrador de &lt;em&gt;Arquitetura da Destruição&lt;/em&gt;. As inovações técnicas e estéticas de &lt;em&gt;Olympia&lt;/em&gt; são inquestionáveis e influenciam ainda hoje as coberturas esportivas de televisão. Como artista, ela desenvolveu um trabalho singular, mas a ideologia que abraçou e a propaganda imersa em seus documentários, sofisticada mas inegável, causa rejeição em muitos.&lt;br /&gt;O nacional-socialismo se valeu de toda a tradição clássica alemã, bastante filosófica, e a empregou de forma rasa, tirando proveito da radicalização da questão ideológica no entre-guerras. Vale considerar que, embora o nazismo seja uma dos capítulos mais atrozes da história do século XX e a arte tenha lhe servido como impulso e justificação de atos inumanos, não foi apenas o Estado fascista de Hittler que se valeu do cinema-documentário como propaganda política. Nos Estados Unidos, diretores como John Huston e Frank Capra foram contratados pelo governo para produzir filmes bélicos. No Brasil, foi criado por Getúlio Vargas o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), com o mesmo propósito de desenvolver documentários de propaganda, em um projeto que envolveu nosso pioneiro Humberto Mauro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talento e propaganda política podem andar juntos, foi o que nos mostrou Leni. Difícil é dizer até onde sua arte deve ser julgada, ou dissociada da ideologia a que serviu. Fica a pergunta: merece pedras? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-115185774689796152?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/115185774689796152/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=115185774689796152&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115185774689796152'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115185774689796152'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/07/joga-pedra-na-leni.html' title='Joga pedra na Leni?'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-115126859159497058</id><published>2006-06-25T17:40:00.000-03:00</published><updated>2006-06-26T14:00:58.290-03:00</updated><title type='text'>Pergunte ao Pó</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não, eu não me desloquei até a Barra da Tijuca para assitir esse filme. Não por falta de vontade, mas por uma séries de desventuras com a letra &lt;em&gt;p&lt;/em&gt;: pobreza, problemas e preguiça. Mas como sou uma excelente hostess, compenso a minha ausência dando a vocês mais um texto que não é meu. Hoje as palavras não são daquele que se impôs como meu subtituto oficial, nosso politizado Felipe Sembalista. Quem assina essa crítica é um nome novo - não necessariamente jovem - por aqui. Se o Felipe não ficar esperto e largar um pouco essa vida de DACO, perde o emprego. Sem mais delongas, &lt;em&gt;Pergunte ao Pó&lt;/em&gt;, por Igor Costoli.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/pergunte-ao-po03.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/pergunte-ao-po03.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pergunte ao Pó&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Ask the Dust&lt;/em&gt;, EUA, 2006) é uma adaptação da obra homônima do escritor John Fante, e era um projeto pessoal de 30 anos do diretor e roteirista Robert Towne (&lt;em&gt;Chinatown&lt;/em&gt;). Das coisas relevantes a serem ditas sobre o texto de Fante, a que resume mais rapidamente seu espírito e importância é seu prefácio escrito pelo admirador e declarado influenciado pela sua obra, Charles Bukowski.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Collin Farrel (&lt;em&gt;O Novo Mundo&lt;/em&gt;) é Arturo Bandini, um aspirante a escritor em busca de sucesso e dinheiro na Los Angeles dos anos 30/40. Na época da Grande Depressão americana, carregar um sobrenome confundível com descendência mexicana não lhe abria portas. Aos poucos se descobre que inspiração lhe fazia mais falta que os minguados níqueis que não possuía.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentindo-se tão ridículo por roubar leite quanto humilhado por dever a senhoria da pensão no Bunker Hill, Arturo conhece a garçonete Camilla (Salma Hayek), e aí começa uma relação áspera, de troca mútua de ofensas e agressões. Arturo é um escritor de muita sensibilidade, e por isso mesmo era de se esperar – e entender isso pela carta de seu editor é dos momentos máximos do filme - que fosse tímido e não conhecesse as mulheres ou a vida, por ter medo de ambas. Por não saber falar com uma mulher, acaba por ser sempre grosseiro voluntária e involuntariamente com as que encontra, incluindo a patética mas cativante Vera Rivkin, uma ótima atuação da atriz Idina Menzel.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Salma havia recusado o papel quando 8 anos antes ele lhe fora oferecido. À época, não gostaria de ficar marcada por uma personagem que a estereotipasse, argumento justo. Filmes, sucesso e reconhecimento depois, Towne não poderia ter feito melhor escolha para a interpretação de uma mulher forte, dura às custas do preconceito que sofre e interessada em um futuro melhor. No papel para o qual Johnny Deep e Val Kilmer estiveram cotados, Farrel não decepcionou, ao contrário. E isto vale menção, já que Arturo é o filme.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perdido e autodepreciativo. Com estas duas características, é difícil pensar que Bandini realmente acredite em seus sonhos. Se Farrel e seu Arturo são a exata noção do destempero, rude quando sabemos estar fraco, perdido quando esperaríamos que fosse forte, o filme é um retrato de uma época através do estilo que concebeu. Pergunte ao Pó não é um filme noir, mas seus personagens o são. A época de ouro de Hollywood aparece como mãe do famoso gênero do cinema, homenageado não em sua forma, mas em conteúdo. As personagens estão perdidas demais, desiludidas demais, e o que lhes sustenta, quando sustenta, é a pose.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Como vai o livro?”&lt;/em&gt;, pergunta o velho Hellfrick. &lt;em&gt;“Vai”&lt;/em&gt;, responde Arturo. &lt;em&gt;“Pois continue indo, garoto. Não morra nessa terra como morremos todos nós”&lt;/em&gt;. Velho e alcoólatra, o Hellfrick de Donald Sutherland não está ali apenas para ser o &lt;em&gt;“eu amanhã”&lt;/em&gt; que Arturo deveria temer. Em &lt;em&gt;O Dia de Gafanhoto&lt;/em&gt; (de John Schlesinger, 1974), Sutherland fez o papel de um homem ingênuo e desastrado, numa película sem muita sutileza na hora de mostrar o que a Hollywood da época de ouro do cinema americano fazia à alma das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A se destacar que o amor de Arturo e Camilla é um sentimento que está ali o tempo todo, ainda que só se vejam as constantes trocas de farpas entre o casal, e a inabilidade dos dois em deixarem para trás o sofrimento e a discriminação que carregaram para uma Los Angeles vermelha e solitária. Não se engane: todos estão sós. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem resposta. E isso diz tudo sobre &lt;em&gt;Pergunte ao Pó&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-115126859159497058?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/115126859159497058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=115126859159497058&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115126859159497058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115126859159497058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/06/pergunte-ao-p_25.html' title='Pergunte ao Pó'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-115032116315030466</id><published>2006-06-14T18:30:00.000-03:00</published><updated>2006-06-14T23:24:10.193-03:00</updated><title type='text'>Alfies</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/alfies.png"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/alfies.png" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Há poucos dias assisti &lt;em&gt;Alfie - O Sedutor&lt;/em&gt;&lt;em&gt;. &lt;/em&gt;O filme de 2004, dirigido por Charles Shyer, é uma nova versão de &lt;em&gt;Como Conquistar As Mulheres&lt;/em&gt;, dirigido por Lewis Gilbert em 1966, que só hoje tive a oportunidade de ver. O original, inglês, trazia Michael Caine como o conquistador patológico que cai em crise de consciência. A refilmagem coloca Jude Law dentro dos impecáveis ternos do irresistível mulherengo. O Alfie de Caine vivia suas aventuras românticas na Londres da década de 60, ainda fechada para certas liberdades do amor. O de Law pula de cama em cama na Nova Iorque do século XXI, onde tudo é permitido.&lt;br /&gt;Refilmagens costumam me deixar com o pé atrás. Se um filme foi significante a ponto de se tornar um clássico, não há porque filmá-lo novamente. E se um filme foi ruim a ponto de ser esquecido... bem, talvez ele mereça uma segunda chance, se o enredo valer a pena. A verdade é que há casos e casos&lt;em&gt;. Psicose&lt;/em&gt;, refilmado em 1998, é um exemplo a não ser seguido. O filme de 1960 só é o que é por causa de seu diretor. Hitchcock não é considerado o mestre do suspense por acaso. A mesma trama nas mãos de Gus Van Sant, recuperada em um outro momento da história do cinema, rendeu um filme absolutamente desnecessário. O mesmo não se pode dizer do golpe de mestre dado por George Clooney ao tomar o personagem de Frank Sinatra na refilmegam de &lt;em&gt;Onze Homens e Um Segredo&lt;/em&gt;. A nova versão comandada por seu amigo Steven Soderbegh em 2001 deu tão certo que ganhou uma inusitada continuação em 2004 e já está com sua terceira parte no forno. Mesmo com a balança equilibrada, não me agrada a idéia de filmarem novamente títulos como &lt;em&gt;Crepúsculo dos Deuses&lt;/em&gt;, ainda que Hugh Jackman interpretasse no cinema o Joe Gillis que lhe rendeu elogios no teatro inglês, ou &lt;em&gt;Butch Cassidy&lt;/em&gt;, principalmente se for infame a ponto de dar a Ben Affleck o personagem que se tornou memorável na pele de Paul Newman. Para o meu alívio, ambas as idéias parecem ter sido esquecidas.&lt;br /&gt;Voltemos a Alfie. No quadro de prós e contras das refilmagens, a repaginada do sedutor conta pontos à favor. Se não se pode dizer que é necessária, pode ser considerada ao menos interessante. É fidelíssima, em termos de estrutura, composição e imagem à obra original, embora faça mudanças na história e acresecente um tom de contemporaneidade ao visual - o que nem sempre tem bons resultados - mostrando vida própria. Mas, como de praxe, não supera o filme que lhe antecedeu e, a bem da verdade, não chega a atingir o melhor dele.&lt;br /&gt;Comparações e paradoxos entre um longa e outro são inevitáveis, obrigatórios e renderiam uma boa retórica. No entanto, o que há de mais interessante nas duas versões são as discrepâncias sutis - ou não - no caráter do protagonista. As diferenças entre o Alfie da segunda metade do século XX e o do início do século XXI são as linhas decisivas no percurso do espectador ao entrar na viagem proposta pelo filme e fazem com que ele desembarque em pontos que não estão muito longe um do outro mas que são, sim, distintos. O homem reflete seu meio e sua época. Vários atores recusaram o papel de Alfie no filme de Lewis Gilbert por tocar no tema do aborto, ainda um forte tabu na época. De 1966 para 2004 qualquer constrangimento dessa natureza se tornou mais tolerável pela sociedade e Nova Iorque é hoje o ecótone das liberdades sexuais. Mas a diferença na constituição do personagem está além do tempo-espaço.&lt;br /&gt;Alfie é essencialmente machista, charmoso e irresistível para as mulheres. Não por causa da aparência física, que não é ruim, mas pelo &lt;em&gt;je ne sais pas &lt;/em&gt;que revela. Nós conhecemos o sujeito real à medida que ele se apresenta para a câmera e isso cria uma initmidade com o espectador do lado de cá. Fica dificíl dizer se o personagem soaria tão carismático não fosse o artifício metalinguístico. O Alfie de Michael Caine é irresistível em seu charme rude, de homem estúpido que não sabe sequer o que significa sensibilidade. Não se prende às mulheres e não as ilude, mas não evita que elas se agarrem a ele. Em sua essência há a necessidade de ser percebido e amado. Egoísta, egocêntrico e altruísta, desapegado à quase qualquer vida que não seja a sua, parece destrutivo por natureza. As mulheres são para ele um objeto a ser usado numa relação de troca em que ele pouco dá e muito recebe, mas que, ele vai descobrir, lhe é por fim desvantajosa. O que há de mais delicioso no filme original está escondido pelo roteiro: descobrir ao longo dos acontecimentos o quão vulnerável, fraco, covarde e patético Alfie é na verdade. E o que é interessante, ele é sempre abandonado pelas mulheres que o amam, ainda que não se importe de perdê-las.&lt;br /&gt;O roteiro da versão século XXI é menos corajoso. A trama se torna mais regular, as explicações são fáceis e a transição do protagonista de conquistador incurável para mulherengo arrependido carrega no drama e perde na ironia. O mesmo final é ácido com Maichel Caine e apenas triste com seu colega de sotaque britâncio. O Alfie de Jude Law é também irresistível e tem a mesma necessidade de amor. Mas é refinado, às vezes delicado e não envolve as mulheres com seu discurso excessivamente desapegado. Ele diz o que elas querem ouvir e abandoná-las à partir de certo ponto já é um hábito. As mudanças não são ruins e o personagem vai bem nas maõs de Law. Mas como se sentisse pena de seu protagonista, o roteiro não permite que ele se revele um homem digno de dó por trás daquela carcaça de charme. Ele oferece ao personagem uma oportunidade de redenção quando faz com que ele enxergue em um relance o quão vazia é sua vida.&lt;br /&gt;Apiedar-se de um personagem, se envolver emocionalmente com ele à ponto de não deixar que ele mostre seus defeitos mais feios para o público, é frustrante. &lt;em&gt;ALfie - O Sedutor &lt;/em&gt;é mais um caso comum de cópia que não alcança o peso do original. O filme de 66 fez barulho no Oscar, no Glbo de Ouro, no BAFTA, em Cannes e até no Grammy. Ao todo, foram 19 indicações, mas apenas 3 prêmios. O filme de 2004 levou o Globo de Ouro de melhor canção original por&lt;em&gt; Old Habitts Die Hard &lt;/em&gt;e não foi além de impulsionar a carreira de Jude Law e seu romance com a colega de elenco Sienna Miller. Impossível de esquecer, mas difícil de lembrar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-115032116315030466?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/115032116315030466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=115032116315030466&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115032116315030466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/115032116315030466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/06/alfies.html' title='Alfies'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114890611884257916</id><published>2006-05-29T09:15:00.000-03:00</published><updated>2006-05-30T21:22:38.660-03:00</updated><title type='text'>X-Men - O Confronto Final</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/xmen3_81.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/xmen3_81.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;X-Men – O Confronto Final&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;X-MEN: The Last Stand&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2006), o último capítulo da primeira trilogia dos mutantes no cinema, impressiona. É superior aos anteriores, embora o diretor Brett Ratner tenha o bom senso de respeitar os dois longas dirigidos por Brian Singer, mantendo uma conexão com os filmes que o antecederam e garantindo a lógica da série. Entretanto, seu papel na saga representa boas e más notícias. Se você não conhece os X-Men e aprecia um cinema comercial bem feito, o filme sem dúvida te agradará. Mas, se você conhece a historia dos mutantes, ainda que superficialmente, e já simpatizava com o grupo antes dele ganhar as telonas, uma série de ressalvas precisa ser considerada para que, então, se ame ou lamente o destino que lhes foi reservado.&lt;br /&gt;Obviamente, é impossível resumir 40 anos de quadrinhos e manter à risca o teor da fonte. Não é isso que se espera do cinema. O rumo dado à história em &lt;em&gt;O Confronto Final&lt;/em&gt; é coerente com a trama lançada em &lt;em&gt;X-Men 1&lt;/em&gt; e desenvolvida no &lt;em&gt;2&lt;/em&gt;, mas deixa de lado a coesão com o que o grupo de mutantes é fora da película. A descoberta de uma cura para a mutação coloca o grupo de Charles Xavier (Patrick Stuart) e a Irmandade formada por Magneto (Sir Ian Mckellen) em campos definitivamente opostos, na iminência de uma guerra decisiva. Cyclope (James Marsden), que ainda não superou a perda de Jean (Famke Jansen) após o acidente no lago Alkalil, parte em busca da amada. Ela ressurge como a Fênix Negra, uma entidade fora de controle, com poderes ilimitados e uma incrível força de destruição. Sem Scott, Tempestade (Halle Berry) e Wolverine (Hugh Jackman) tornam-se os responsáveis pela escola e os líderes do time no confronto final contra o grupo de Magneto, que tem ao seu lado a Fênix. Todo esse enredo, inicialmente repleto de subtramas, é condensado em 103 minutos. Sem perder tempo, Ratner mantém um ritmo ágil e empolgante, e não poupa o público de espetáculos visuais. De toda forma, sustentar os personagens que defende - e que não nasceram pelas mãos dos roteiristas de cinema - ainda que isso significasse um filme menos impressionante, seria uma boa escolha.&lt;br /&gt;Brett Ratner conseguiu sair por cima dos que duvidaram de sua competência para substituir Brian Singer na direção da franquia, mostrando um trabalho à frente do de seu colega. O cuidado com os planos que cria para compor a narrativa e os movimentos de câmera trabalhados, entre outras coisas, são preocupações raras de se achar no grande cinema de mercado. Além do talento para dirigir cenas majestosas, o sujeito se revela um belo diretor de atores. Todos estão extremamente à vontade em seus papéis. Nesse terceiro filme, parecem ter o domínio completo de personagens que já conhecem a fundo. E embora a alma cinematográfica de muitos deles destoe do que são nos quadrinhos e nos desenhos, é preciso reconhecer que são verossímeis. Vampira (Anna Paquin) é desde o primeiro filme uma personagem com diferenças gritantes em relação à original e o final que lhe é dado só confirma o quão distante a mutante das telas está daquela das páginas do gibi. Hugh Jackman confirma de uma vez por todas que nasceu para ser Wolverine, atingindo o tom perfeito nas frases cínicas que intensificam o charme mal-caráter e o carisma do personagem. Na ausência de Cyclope, Logan deixou de ser o anti-herói, substituindo o rival como mocinho da trama – a meu ver, a maior ferida do roteiro. O animal aqui está domesticado além da conta, mas felizmente o enredo consegue equilibrar o personagem e não permite que ele perca irremediavelmente sua personalidade. Para alívio da platéia, Wolverine ainda sabe mostrar as garras e impõe respeito como nunca.&lt;br /&gt;Lançar na trama personagens excitantes que fazem os fãs salivarem, sem se comprometer a desenvolvê-los a fundo, é uma prática que os dois primeiros longas já exploraram. Aparentemente, Anjo (Ben Foster) teria um grande papel na história, mas o roteiro não cruza a barreira da sugestão e, por fim, o personagem fica restrito a uma participação mínima. Colossus (Daniel Cudmore), que assim como Kitty Pride (Ellen Page), a Lice Negra, já havia mostrado as caras no filme anterior, também não recebe o espaço prometido pela publicidade e pelos teasears – seu grande feito é protagonizar, ao lado de Wolverine, o &lt;em&gt;“arremesso especial”&lt;/em&gt; – ao contrário de sua colega, que chega a ensaiar um triângulo amoroso com Vampira e Bobby Drake (Shawn Ashmore), mais do que nunca o Homem de Gelo. Fera (Kelsey Grammer) ganha seu merecido lugar no time dos mutantes e a construção do personagem mostra com eficiência seu lado racional e seu lado animal. Magneto embolsa aliados interessantes, personagens reconhecíveis de imediato por quem conhece os X-Men, e aí é interessante pensar que os fãs e os leigos poderão absorver uma mesma história de modos diferentes. Além de Homem Múltiplo (Eric Dane), Fanático (Vinnie Jones) &lt;em&gt;“Você sabe quem sou eu?”&lt;/em&gt;, Calisto (Dania Ramirez) e companhia, o filme oferece um gostinho dos Sentinelas, em uma referência emocionante a &lt;em&gt;“Dias de um Futuro Esquecido”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dar ao público novos mutantes é sempre apetitoso, mas deixar para trás tantos personagens essenciais, com um lugar fundamental na trama, para conceder espaço maior a outros sem uma bagagem já adquirida na trilogia, não me parece um bom artifício. É provável que o destino de Cyclope esteja ligado ao fato de James Marsden ter se bandeado para o elenco de &lt;em&gt;Superman Returns&lt;/em&gt;, mas as baixas sofridas em ambos os lados da batalha mutante são irremediáveis. Em certos momentos, senti que o diretor não se importou em perder seus personagens, em físico e espírito. Seria inviável e desnecessário manter-se fiel à saga da Fênix Negra, uma trama extremamente complexa nos quadrinhos e um capítulo de peso na história dos X-Men. Mas é pena que, no filme, ela seja tão bem lançada para posteriormente ganhar uma linearidade que a deixa ao léu. Ainda assim, pode-se dizer que dentro daquilo proposto pelo roteiro, o episódio foi bem resolvido.&lt;br /&gt;O que há de mais interessante nos X-Men é a conotação violenta que têm com a realidade, construindo uma metáfora sobre preconceito e intolerância. Muitos questionamentos fortes, já propostos pelos filmes anteriores, são levantados de forma inteligente e mais clara no de Brett Ratner. O extremismo de Magneto é ilustrado por um discurso em que discorre a respeito da superioridade da raça mutante, uma referência à Hittler e ao totalitarismo. Vale lembrar que o personagem sofreu na infância com o nazismo, chegando a mostrar em uma das cenas a marca que leva no braço como herança da época. As atitudes de Xavier, representante mor do bem e do equilíbrio, são questionadas, algo que não se via antes. Sua forma de agir não seria, no fundo, manipuladora e arrogante? Os mutantes deveriam aceitar a &lt;em&gt;“cura”&lt;/em&gt; para o que não é uma doença, mas algo que os torna aquilo que são? Não é justo querer ser como &lt;em&gt;“todos os outros”&lt;/em&gt;? A cura voluntária não seria convertida em uma arma biológica? E, novamente, seriam os mutantes o novo elo na evolução, humanos melhorados? É pena que essas questões sejam abandonadas ao longo da trama, que se limita à instauração do conflito, culminação do confronto e sua resolução.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;X-Men - O Confronto Final&lt;/em&gt; tem razões para exibir um título tão apocalíptico. A seqüência dirigida por Brett Ratner dá um fim à trilogia, amarrando os pontos em aberto do segundo capítulo e fechando a franquia iniciada por Brian Singer, ainda que o final tenha um delicioso ar de &lt;em&gt;“a história não acaba aqui”&lt;/em&gt; – é bom não deixar a sala antes que os créditos terminem. E embora crie finais aleatórios para personagens que têm toda uma vida fora do cinema, o que pode ser extremamente frustrante, as saídas que a trama usa e as tensões que cria fazem o filme funcionar bem. É, em geral, um ótimo espetáculo. Agora, fica pergunta: conseguirá Brian Singer levar o homem de aço além de onde chegaram os mutantes que ele abandonou?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114890611884257916?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114890611884257916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114890611884257916&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114890611884257916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114890611884257916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/05/x-men-o-confronto-final.html' title='X-Men - O Confronto Final'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114824529512474485</id><published>2006-05-21T17:44:00.000-03:00</published><updated>2006-05-22T12:56:45.520-03:00</updated><title type='text'>O Código Da Vinci</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/davincicode_07.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/davincicode_07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jesus Cristo teria se casado com Maria Madalena e gerado descendentes? O Santo Graal, representação máxima do poder da Igreja na Terra, seria uma referência a essa descendência e não um cálice sagrado? Os códigos humanistas inseridos nas pinturas de Leonardo Da Vinci revelariam um segredo que a Igreja Católica protegeu por séculos? Dan Brown, autor do best seller mais comentado dos últimos tempos, teria roubado a teoria de outros estudiosos para criar a trama de &lt;em&gt;O Código Da Vinci&lt;/em&gt;? Até aqui, apenas especulações. Acredita-se no que quiser. Vamos aos fatos e aos números. É certo que o romance de Brown vendeu 49 milhões de cópias e despertou reações infladas da Igreja Católica em todo o mundo, e no Brasil não foi diferente. E é óbvio que Hollywood não perderia a chance de transformar tanta polêmica em bilheteria e dinheiro. Impulsionado pela popularidade do livro, pegando carona na publicidade antecipada e gratuita, o projeto de 125 milhões de dólares foi levado à frente pelo produtor Brian Grazer, o diretor Ron Howard e o roteirista Akiva Goldsman. O trio oscarizado por &lt;em&gt;Uma mente Brilhante&lt;/em&gt; havia ainda trabalhado junto em &lt;em&gt;A Luta pela Esperança&lt;/em&gt;, mas dessa vez se separou do companheiro Russel Crowe para guiar Tom Hanks na adaptação de &lt;em&gt;O Código&lt;/em&gt; (The Da Vinci Code, Estados Unidos, 2006) das páginas do livro para a tela de cinema. Hanks não é exatamente o que se chamaria de &lt;em&gt;“Harrison Ford num terno da Harris Tweed Shop”&lt;/em&gt;, como seu personagem, Robert Langdon, é descrito no romance, mas mantém a pose nessa aventura de suspense acompanhado por um time estrelar. Audrey Tautou (que nem de longe lembra Amèlie Polain), Jean Reno, Sir Ian McKellen, Alfred Molina e Paul Bettany são alguns dos bons nomes que encabeçam o elenco.&lt;br /&gt;Confesso que nunca tive muito interesse em ler o best seller de Dan Brown e, portanto, apesar de já ter ouvido antes as teorias exploradas pela trama, que são mais antigas do que a polêmica gerada pelo pai de Robert Langdon, a história me foi apresentada pela primeira vez através do filme de Ron Howard. Assim, minha análise do longa passará longe de questões problemáticas do tipo &lt;em&gt;“O filme foi uma boa adaptação do livro?”&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;“O livro é bom”?&lt;/em&gt; A estrutura narrativa do suspense, no cinema e na literatura, mostra muitos traços comuns. O &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, grande reduto do gênero, que teve seu auge no cinema durante a década de 1950, descendeu da literatura de mesmo nome, mais antiga. Durante toda a historia que se seguiu, os dois formatos coexistiram e dialogaram. Como é de praxe, o herói aqui se vê envolvido em uma trama mirabolante, ao lado de uma mulher bonita, corajosa, forte e inteligente como ele, que precisa de proteção. Eles formam uma boa dupla e a atração que surge é inevitável, mas a paixão não vai além de uma tensão sugerida. O herói salva a moça, permitindo que ela encontre sua redenção. E, com o fim do mistério que os mantinha ligados, o casal fatalmente se separa.&lt;br /&gt;Jacques Saunière, curador do museu do Louvre, é assassinado na noite em que iria se encontrar com Robert Langdon. Antes de morrer, o velho homem, membro importante do Priorado de Sião - sociedade secreta que protege há séculos um segredo capaz de mudar a história da humanidade - deixa na cena do crime insígnias que somente Langdon poderia decifrar. O professor mestre em simbologia torna-se o principal suspeito do crime. Perseguido pelo capitão da polícia francesa Bezu Fache (Reno) e por Silas (Bettany), um monge albino fanático a mando da Opus Dei, Langdon começa a seguir a trilha de códigos sugerida por Saunière, ao lado de Sophie Neveu (Tautou), criptógrafa do governo francês e neta da vítima.&lt;br /&gt;A historia criada por Dan Brown traz um mínimo de verossimilhança. Embora o autor afirme que se baseou em pesquisas e fatos reais para desenvolver seu enredo, especialistas apontam uma série de erros na obra e um sem número de publicações entrou na dança tentando tirar proveito do sucesso enorme do livro que cutucou o cristianismo. Mas é sempre bom ter em mente que, polêmicas à parte, o &lt;em&gt;O Código Da Vinci&lt;/em&gt; é uma obra de ficção, que usa as teorias provocativas à fé católica como um pano de fundo para sua teia de suspense.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Código Da Vinci&lt;/em&gt; é um produto vendável, destinado ao grande público. E o será em qualquer formato que se encaixar, em papel ou em película, porque suas pretensões não vão além disso. O livro não deve ser mais do que o esperado de um bom best seller de suspense. O filme não é mais do que o esperado de uma superprodução eficiente. Ron Howard é reconhecidamente um diretor limitado. Dá conta da história, mas para narrá-la lança mão de uma série de saídas fáceis. Em &lt;em&gt;O Código&lt;/em&gt;, não é diferente. Howard faz um uso excessivo de flash backs, a maneira mais simples – e, por que não dizer, simplória – de explicar a trama. Como é de seu feitio habitual, a música óbvia acompanha em crescendo os momentos de tensão e em instante algum consegue surpreender. À receita, misturam-se ainda inevitáveis cenas de ação para despertar a platéia e frases de efeito rasíssimas. Esses são apenas alguns dos muitos clichês que o diretor não se intimida em explorar. Em suma, Howard faz seu serviço, mas continua com preguiça de ousar. Visualizado por um outro diretor ou por uma outra equipe, o filme poderia talvez mostrar mais do que mostra pelos olhos de Ron Howard.&lt;br /&gt;Tom Hanks não faz feio como o herói da trama. Ao contrário, sua presença é discreta, contida e até charmosa. Audrey Tautou garante personalidade à principal personagem feminina da história, uma qualidade interessante e de valor inestimável para o papel. O elenco coadjuvante tem peso. Tratam-se de atores sérios, capazes de conferir profundidade a qualquer papel que interpretem. É uma pena que o filme, talvez por obra da montagem, não abra mais espaço a suas participações. O Bezu Fache de Jean Reno, por exemplo, ganha contornos rasos demais, um desperdício para um ator desse porte.&lt;br /&gt;As maiores estrelas do filme são as locações, grandes responsáveis pela gravidade e o charme do longa. O aval para filmar no Museu do Louvre, em Paris, Temple Church, em Londres, e Rosslyn Chapel, em Edimburgo, foram uma verdadeira benção à produção. Os cenários contextualizam a trama, enchem os olhos e emprestam um rebuscamento que, mais do que um belo luxo, mostra-se um fator essencial à história. A Abadia de Westminster precisou ser &lt;em&gt;“dublada”&lt;/em&gt;. Sem a permissão para que fossem gravadas imagens em seu interior, a catedral de Lincolnshire fez as vezes do templo oficial das cerimônias religiosas da família real britânica, que foi filmada apenas por fora.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Código da Vinci&lt;/em&gt;, o filme, é eficiente. Em grande parte, consegue envolver a platéia em suas reviravoltas, como um bom entretenimento. Tem um enredo interessante e eficaz, que cumpre aquilo que se presta a fazer. Competente. E não mais que isso. Hollywood, no sentido mais puro e simples do termo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114824529512474485?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114824529512474485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114824529512474485&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114824529512474485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114824529512474485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/05/o-cdigo-da-vinci.html' title='O Código Da Vinci'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114494906803271658</id><published>2006-04-13T14:17:00.000-03:00</published><updated>2006-04-14T03:37:33.783-03:00</updated><title type='text'>V de Vingança</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/VdeVingan??a.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/VdeVingan%3F%3Fa.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Lembre-se, lembre-se, do 5 de novembro, a traição, a pólvora e o ardil”&lt;/em&gt;. Em 5 de novembro de 1605, o inglês Guy Fawkes juntou-se a aliados na tentativa de destruir o rei James I, explodindo o Parlamento, mas o grupo foi descoberto, torturado e enforcado. 400 anos depois, a Inglaterra foi resgatada de um período de caos por um governo totalitário, em uma realidade alternativa onde a Alemanha nazista venceu a Segunda Guerra Mundial e a guerra civil destruiu os Estados Unidos, reduzindo-os novamente ao status de colônia. Nessa visão arrojada do futuro elaborada por Alan Moore, todos os aspectos da vida civil são censurados pelo Estado fascista, que tem “olhos, ouvidos, nariz e dedos”. Liberdades individuais, como a opção sexual, a cultura e a expressão, são tolhidas por esse governo tirânico, que usa a mídia para manter o povo anestesiado e sob controle. &lt;em&gt;“Força pela união. União pela fé”&lt;/em&gt;, é o lema que rege essa assustadora Inglaterra fictícia. Dentro dessa sociedade dominada pelo medo emerge um anti-herói anarquista, de codinome &lt;em&gt;V&lt;/em&gt; (que nas telas ganhou o corpo e a voz do “Agente Smith” Hugo Weaving). Com um visual inspirado em Guy Fawkes, trajando capa, peruca e uma máscara sorridente que parece ironizar a opressão em que vive a Inglaterra, ele tenta despertar a sociedade para a obrigação de deixar o presente para trás e criar um novo futuro. Em uma de suas missões pela noite, V conhece Evey Hammond (Natalie Portman), uma jovem que salva do perigo e transforma numa espécie de pupila.&lt;br /&gt;Publicada na década de 80, &lt;em&gt;V de Vingança&lt;/em&gt; é considerada por muitos uma das melhores HQs de todos os tempos. Depois de &lt;em&gt;Jack – do Inferno&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;A Liga Extraordinária&lt;/em&gt;, Alan Moore viu mais um de seus quadrinhos ganhar as telonas, em uma produção dos irmãos Wachowsky (&lt;em&gt;V for Vendetta&lt;/em&gt;, Estados Unidos/Alemanha, 2006), criadores de &lt;em&gt;Matrix&lt;/em&gt; e grandes fãs da série. Moore já declarou não ter interesse no cinema e ficou irritado ao ser dito que ele estaria envolvido na adaptação. O filme dirigido pelo estreante James McTeigue parece ter decepcionado não só o pai dos quadrinhos, mas também os fãs. Eu, que não conheço as HQs e me interesso apenas pelos aspectos cinematográficos dessa história, aproveito a opinião de David Lloyd, o desenhista da série, que embora tenha achado o roteiro muito diferente dos quadrinhos considerou-o um bom thriller de ação, para entrar na análise do filme.&lt;br /&gt;Apesar do conceito denso, &lt;em&gt;V de Vingança&lt;/em&gt; é escancaradamente um filme comercial. Um típico produto vendável de Hollywood: pop, futurista, movimentado e estiloso, como seu irmão &lt;em&gt;Matrix&lt;/em&gt;, do qual empresta algo do visual e dos efeitos. É um belo exemplo de blockbuster com eficiência e qualidade, e de como o cinema faz uso de sua linguagem e técnicas para conduzir as emoções do espectador. O ritmo é ágil e a montagem, impecável. Ela possibilita o compasso intricado do filme e atiça o cérebro da platéia. Costurando os planos de forma a associar ações de personagens diferentes ela lança mão de um artifício que nada tem de inovador, mas mostra um bom resultado estratégico. Cada enquadramento é minuciosamente escolhido para aumentar o impacto sobre o público e é sempre emocionante observar um close-up de V prestes a enfrentar seus inimigos. A música imponente realiza bem sua função que é, por excelência, criar o clima e despertar os sentidos em cenas emblemáticas. Até os clichês melodramáticos que o roteiro optou por adotar funcionam, sem serem prejudiciais (e vale lembrar que melodrama não é um conceito pejorativo). &lt;em&gt;V de Vingança&lt;/em&gt; ilustra a fórmula que o cinema descobriu e tomou para si: como aliar de forma previsível, mas imperceptível, seus recursos para entreter o espectador em seu jogo. &lt;br /&gt;É ainda um filme que se sai bem em todos os gêneros em que possa se encaixar. É um bom suspense, uma boa ficção científica com metáfora política (o texto de Moore segue uma linha parecida a &lt;em&gt;1984&lt;/em&gt;, de George Orwell, e ao que tudo indica ele se baseou na administração da ex-primeira ministra britânica Margareth Tatcher para criar sua série) e soa real exatamente por ter consciência o tempo todo de que não passa de uma ficção. &lt;em&gt;“O povo não deveria temer o governo. O governo é que deveria temer o povo”&lt;/em&gt;. Em um mundo sombrio onde o governo vigia a liberdade, quem vigia o governo? A paz deve ter como custo a integridade dos cidadãos? A luta de V contra a estupidez dos dirigentes da nação desencadeia um efeito dominó – uma metáfora clara no filme – e as idéias anarquistas defendidas pelo terrorista se espalham até culminarem no caos que construirá uma nova era.&lt;br /&gt;Hugo Weaving compõe um vilão-herói saboroso. O mérito maior vai para seu trabalho de voz, já que ele passa o filme inteiro enclausurado em uma máscara. V tem todas as características de um legítimo herói &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;. Os comentários acidamente espirituosos que acompanham cada confronto, o mistério pessoal que vai sendo revelado ao longo da trama, a ligação com um passado que moldou seu caráter e o seguirá para o resto da vida, o envolvimento com uma mulher bela, forte, inteligente e apaixonada que o protagonista fatalmente abandonará ao final da história por não poder se libertar do passado. V é um homem, mas o rosto por trás da máscara não é mais que os músculos por trás da pele ou os ossos por trás dos músculos. V é, acima de tudo, uma idéia e por isso o personagem mostra um caráter tão deliciosamente contraditório. Um homem pode ser morto e esquecido. Idéias são à prova de balas. Permanecem vivas e ainda podem mudar o mundo 400 anos depois.&lt;br /&gt;A relação entre V e Evey é múltipla e se transforma o tempo todo. Eles são mestre e pupila, homem e mulher, pai e filha. Natalie Portman entrou de cabeça – e sem cabelo, se me permitem uma piadinha infame – no enredo e dá conta das mudanças na nuance de Evey, desde a charmosa e nada ingênua heroína &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt; (faceta evidente na cena em ela que dança com V na galeria das sombras), a uma personagem dramática que precisa amadurecer ao longo da história. Ainda dentro do &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, vale destacar o papel do detetive interpretado por Stephen Rea, responsável por desvendar o mistério da trama, sempre munido de sarcasmos e frases de efeito.&lt;br /&gt;Se for entendida e aproveitada como puro cinema, essa superprodução rende um ótimo programa, capaz de entreter e empolgar durante seus agitados 132 minutos de projeção. &lt;em&gt;V de Vingança&lt;/em&gt;, o filme, é isso, um produto bem feito do cinema comercial. Para quem é fã desse tipo de diversão, fica o conselho: veja e, se possível, reveja.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114494906803271658?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114494906803271658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114494906803271658&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114494906803271658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114494906803271658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/04/v-de-vingana.html' title='V de Vingança'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114437634769943384</id><published>2006-04-06T23:02:00.000-03:00</published><updated>2006-04-06T23:22:00.790-03:00</updated><title type='text'>Espíritos [por Felipe Sembalista]</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/critica.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/critica.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Existem certos gêneros dentro do cinema aonde o número de títulos lançados é tão grande que se tornam muito iguais, e um exemplo disso são os filmes de terror. Algumas boas surpresas à parte, a maioria gira em torno de um assassino em série que mata jovens adolescentes ou então um grupo de pessoas que se perde e deve lutar com algo (ou alguém) pela sobrevivência em um local inóspito. Uma certa originalidade foi servida ao público recentemente, com títulos como &lt;em&gt;O Chamado&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Visões&lt;/em&gt;, de roteiro ou produção oriental. E eis que surge &lt;em&gt;Espíritos – A Morte Está Ao Seu Lado&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Shutter&lt;/em&gt;. Tailândia, 2004) nos cinemas brasileiros. Dono da maior bilheteria do ano em seu país natal e com um trailer pra lá de macabro, me causou boas perspectivas.&lt;br /&gt;O enredo gira em torno de dois jovens que, ao voltarem de carro para casa, acabam atropelando uma outra jovem e vão embora sem prestar socorro. A partir daí, ambos começam a notar sinais estranhos em fotografias, como vultos e supostas aparições de espíritos. O que era para ser um filme interessante pelo tema tratado, no entanto, se revelou uma decepção. Repetindo a fórmula de incontáveis filmes norte-americanos, o filme cai no erro de produzir apenas alguns bons sustos durante a projeção, e nada mais. Não é original nas situações e imagens, assim como não dá medo, como sugere o seu trailer.&lt;br /&gt;As atuações dos desconhecidos &lt;a href="http://www.cinemacomrapadura.com.br/personalidades/?id_personalidade=20449"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Ananda Everingham&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (Thun) e &lt;a href="http://www.cinemacomrapadura.com.br/personalidades/?id_personalidade=20450"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Natthaweeranuch Thongmee&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; (Jane) são apenas boas, e a presença de coadjuvantes é mínima. A montagem não segue um estilo norte-americano, mas isso não quer dizer que se trata de um elemento que ajuda o filme. Pelo contrário, em certos trechos há um certo desencontro de continuidade na história. A trilha sonora é discreta, e está presente apenas nas seqüências de maior movimentação na tela. Longos intervalos de silêncio causam um certo murmurinho no cinema, que tem como público predominante adolescentes e jovens.&lt;br /&gt;O que era para ser um filme interessante, com um terror adulto e psicológico, acaba se tornando no final das contas nada mais do que um filme de terror com situações e imagens comuns. Em certos momentos, o tal “espírito” chega a ser até mesmo engraçado. A ressalva fica para o final do filme, que conta com um toque interessante e macabro de originalidade. E só.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114437634769943384?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114437634769943384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114437634769943384&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114437634769943384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114437634769943384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/04/espritos-por-felipe-sembalista.html' title='Espíritos [por Felipe Sembalista]'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114382194167899784</id><published>2006-03-31T13:04:00.000-03:00</published><updated>2006-03-31T18:55:55.333-03:00</updated><title type='text'>A Máquina</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/maquina-poster01.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/maquina-poster01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história que eu vou contar agora é uma daquelas com sotaque bem nordestino. É história pra lá de bonita, acontecida nos tempos de Antônio, num lugar longe que só a gota. Esse lugar bem muito longe se chamava Nordestina e de tão distante que era, nem se via no mapa. Foi lá que o tempo achou por bem apadrinhar um amor tão forte que não achava palavra pra se medir. Antônio se apaixonou por Karina e Karina por Antônio. Mas Nordestina era pequena demais para os sonhos da menina bonita que queria ganhar o mundo. E pra não perder seu amor para o destino, Antônio, que nunca quis mesmo deixar seu pequeno cenário, inventou de enfrentar a geografia, a economia, a sociologia, a filosofia e foi buscar esse tal mundo que Karina tanto queria, ainda que esse mundo, assim meio troncho, não lhe parecesse um mimo dos melhores.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt; (Brasil, 2006) não leva um mundo desconhecido apenas aos seus personagens fictícios. O filme marca também a estréia do diretor João Falcão em um novo universo, por trás das câmeras do cinema, e o caminho que essa história percorreu para chegar até aqui seguiu o rastro do sucesso. O romance homônimo de Adriana Falcão, publicado em 1999, foi primeiro adaptado para os palcos por João, um pernambucano já renomado dentro do teatro brasileiro, e nesse processo novas cenas foram criadas. Estimulado pela boa recepção da peça, João Falcão, co-roteirista de filmes como &lt;em&gt;Lisbela e o Prisioneiro&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Coronel e o Lobisomem&lt;/em&gt;, decidiu transpor a saga de Antônio para a telona, se aventurando na direção. Levou consigo a bagagem já adquirida e os quatro atores que representaram o protagonista nos palcos. Na peça, o papel era interpretado de uma só vez por Lázaro Ramos, Vladimir Brichta, Wagner Moura (que no filme fazem participações especiais) e Gustavo Falcão, mas o diretor optou por simplificar no cinema e utilizar apenas dois intérpretes. Aqui, o Antônio jovem é vivido por Gustavo e o Antônio do futuro por Paulo Autran. A semelhança de sobrenomes não é mera coincidência. Gustavo Falcão é sobrinho de João, que é marido de Adriana. Na nova adaptação, outras cenas foram criadas no roteiro, várias locações foram visitadas para compor a cidade de Nordestina e &lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt; foi se encaixando no espaço retangular da tela, até que essa &lt;em&gt;“parceria de família”&lt;/em&gt; chegasse aos cinemas com a feição bonita que ganhou.&lt;br /&gt;A trama toca em temas de reflexão social, como o poder da mídia e a fuga da vida sem recursos do sertão, mas sempre de forma poética e bem humorada para contar seu romance, a imensa história de amor que preenche o filme todo. A clássica luta do herói e da heroína (Mariana Ximenes) contra o destino fatal que pode separá-los ganha combustível renovado pela originalidade desse filme, herdada das formas anteriores que lhe deram origem e agraciada pela invencionice brasileira. Os elementos fundamentais dessa narrativa são a palavra, o tempo e a estética. O poder da língua portuguesa é explorado ao máximo para compor o romance através das palavras que saem da boca de seus personagens. Diálogos rápidos, inspirados e graciosamente confusos já foram empreendidos em &lt;em&gt;O Auto da Compadecida&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Lisbela e o Prisioneiro&lt;/em&gt;, mas aqui eles atingem a plenitude de seu potencial e de sua eficiência, brincando com a metalinguagem de maneira critiva e inteligente. Chega a ser impressionante a capacidade do roteiro em dizer a coisa certa, no momento certo, até mesmo quando a idéia é não saber o que dizer. Uma lição de delicadeza e lirismo genuinamente brasileiros. O tempo se torna um personagem maleável e interage com o protagonista. Para não perder Karina para o mundo, Antônio constrói uma máquina capaz de transportá-lo ao futuro, onde estará o seu "eu" 50 anos mais velho. No desenrolar dos acontecimentos, só o Antônio do futuro poderá salvar o do presente, evitando que aquela viagem no tempo tenha sido em vão e que ele passe a vida inteira longe de Karina. Com seu "eu" ensandecido, o herói vai aprender a criar o destino em uma das passagens mais poéticas e comoventes da história. A estética incomum, dominada pelo cenário teatral tão destoante do realismo habitual no cinema, dá a cara de Nordestina. Aquela cidadezinha pode ser lugar nenhum ou qualquer lugar do sertão. Cada um desses elementos é fundamental para desenvolver a linguagem não-realista, própria da história, e para dar veracidade ao seu caráter fabuloso.&lt;br /&gt;O elenco parece embarcar nessa viagem absurda com prazer e talvez por isso saiba fazer o público rir, suspirar e se emocionar com tanta habilidade. Gustavo Falcão não faz o tipo protagonista de novela. Mas a doçura, a voz envolvente e a segurança com que circula da inocência à esperteza cheia de artimanhas tornam-no mais encantador do que qualquer aspirante a galã. Mariana Ximenes é indiscutivelmente bela e oferece uma interpretação intensa e meiga sem passar da medida. Paulo Autran dispensa qualquer adjetivo, sua presença é sempre deliciosa. Lázaro Ramos, como um lunático, Vladimir Brichita, como o sedutor barato José Onório e sobretudo Wagner Moura, como um apresentador de TV bem ao estilo João Kleber, se confirmam como participações realmente especiais em seus pequenos, mas ricos papéis. No elenco competente destaca-se também a comediante Fabiana Carla e toda a sua graça nordestina como Dona Nazaré, mãe de Antônio.&lt;br /&gt;Yes, nós temos cinema. Com um roteiro primoroso, uma direção consciente e um ritmo dinâmico, &lt;em&gt;A Máquina&lt;/em&gt; é o tipo de produção que faz o espectador brasileiro sorrir no cinema ao lembrar que nem só da costumeira falta de originalidade da Globo Filmes vive o nosso mercado. E como é bom perceber que, seja pela publicidade ou simplesmente pela qualidade do material, uma história linda como essa é capaz cair nas graças do público. &lt;em&gt;Se eu fosse você &lt;/em&gt;não perderia esse filme por nada. Afinal, quem não quer um amor que de tão grande seja capaz de viajar no tempo e te dar o mundo de presente? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114382194167899784?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114382194167899784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114382194167899784&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114382194167899784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114382194167899784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/03/mquina.html' title='A Máquina'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114308673350383641</id><published>2006-03-23T00:19:00.000-03:00</published><updated>2006-03-23T01:05:33.590-03:00</updated><title type='text'>Mais do mesmo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esse moço agora acha que o blog é dele!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em prol do nosso projeto futuro (que em breve será divulgado ao público, que nós esperamos ser grande) vou fingir que nem percebo o abuso e dar mais espaço ao meu amigo curitibano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O assunto agora já parece um pouco longe, mas como não há nada nesse mundo que seja mais a cara do Felipe do que a tradicional premiação da Academia, aí vai mais do Oscar, pelo mesmo Felipe Sembalista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/winners.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/winners.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar sobre o Oscar sempre foi um prazer para mim. O prêmio em si, sua importância, sua influência, sua metodologia e a forma com que ele se manifesta podem até não conquistar a todos, mas é impossível ficar indiferente à noite dourada do cinema. Noite esta que está na sua 78ª edição e aglutina uma audiência de mais de 1 bilhão (segundo alguns cálculos e projeções, quase 2 bilhões!!!) de pessoas ao redor do mundo. Em outras palavras, esse é o evento mais assistido da face da Terra. Nem mesmo a final de uma Copa do Mundo de futebol ou a cerimônia de abertura das Olimpíadas reúne tantos espectadores de frente para a televisão.&lt;br /&gt;É certo que em alguns anos a cerimônia em si ganha tons meio insossos ou de pouca originalidade, mas felizmente esse não foi o caso da cerimônia deste ano. A começar pelo apresentador, que arrancava dúvidas de muita gente. Especialmente porque Jon Stewart não é um nome conhecido no Brasil e nem no meio cinematográfico. Trata-se na realidade de um apresentador de TV estadunidense, e todos sabem que a apresentação da cerimônia realizada por David Letterman (outro ícone da TV gringa), há uma década atrás, não foi lá aquelas coisas. Mas a primeira grata surpresa da noite foi exatamente essa. Com um tipo de humor perfeito para uma cerimônia como o Oscar e algumas alfinetadas e improvisações ótimas no transcorrer da transmissão, Stewart conquistou o público com a sua forma de apresentação, que lembra muito o ainda imbatível Billy Crystal. Pelo jeito Chris Rock, Steve Martin e Whoopi Goldberg devem estar se mordendo de raiva…&lt;br /&gt;Outro ponto positivo da cerimônia deste ano é um certo retorno à forma que a cerimônia possuía há cerca de uma década atrás, quando estava em seu pico de glamour e beleza. Não que isso tenha sido esquecido de lá para cá, mas uma insistência tola de algumas emissoras de TV à respeito do tempo da cerimônia acabaram atrapalhando o seu brilho em alguns momentos (como a cerimônia corrida de 2000 ou então a saída pouco elegante de se ganhar tempo ao entregar prêmios no meio da platéia, da cerimônia de 2004). Enfim, esse ano todos os vencedores subiam no palco para receber a estatueta, ao som da orquestra ao fundo e tudo o que já é tradicional no evento.&lt;br /&gt;Algumas novidades: foi o primeiro ano em que existiu trilha sonora durante o agradecimento dos vencedores. Além disso, os clipes dos filmes indicados na categoria máxima não foram mais apresentados no meio da cerimônia, mas sim momentos antes de intervalos comerciais ao longo da transmissão. Ganha-se tempo com isso, mas perdem-se momentos interessantes como a identificação do público com os artistas de cada filme.&lt;br /&gt;As apresentações musicais foram bastante animadas, embora já tenham sido muito melhor produzidas. Na cerimônia de 1998, por exemplo, a interpretação da canção &lt;em&gt;When You Believe&lt;/em&gt;, do desenho animado &lt;em&gt;O Príncipe Do Egito&lt;/em&gt; deu um show nesse quesito com a presença de um coral juvenil no palco do Dorothy Chendler Pavillion. Ainda mais atrás, na cerimônia de 1971, Isaac Hayes interpretou a música tema de &lt;em&gt;Shaft&lt;/em&gt; com um balé totalmente elaborado e regado à muita luz e fumaça. Enfim, não foi exatamente um show de apresentações musicais (até mesmo na questão dos intérpretes, pouco conhecidos), mas foi interessante ver todos os engomados de smoking batendo palmas na canção &lt;em&gt;Travelin’ Thru&lt;/em&gt; ou se mexendo na poltrona ao som do segundo rap da história a vencer na categoria de melhor canção.&lt;br /&gt;Esse ponto, aliás, merece uma atenção especial: esse ano o Oscar contou apenas com três canções indicadas, e isso é um reflexo da produção musical no cinema contemporâneo, que vem diminuindo dia a dia. Não existe mais uma produção de musicais como nos anos 1950 e 1960, e a Disney já não faz mais animações cheias de canções. Na maioria das vezes, as músicas são apresentadas apenas nos créditos, o que enfraquece a sua relação com o filme.&lt;br /&gt;Outra característica que saltou aos olhos dos telespectadores foi a presença um tanto quanto freqüente de clipes temáticos sobre cinema. Alguns foram muito pertinentes, como a abertura da cerimônia (linda) e a montagem com os filmes épicos da história do cinema. Outros clipes, no entanto, pareciam estar fora de contexto, como o que se referiu aos filmes &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt; e as piadas de Jon Stewart sobre a votação nos indicados. Ainda na apresentação desses clipes, pode-se notar o esforço da Academia no sentido de combater a pirataria e uma espécie de “banalização” do cinema, tema esse que gera controvérsias mas que no meu modo de ver é pertinente. Me preocupa um pouco essa onda do digital, do “avançado tecnologicamente”. Nada se compara a uma projeção em película de um filme, nem mesmo o melhor dos home theater do mercado. E essa questão vai muito além do que simplesmente o quesito técnico, afinal de contas um conjunto de caixas acústicas pode reproduzir minimamente um cinema. Mas a arte do cinema depende da ação de ir a uma sala, pagar um ingresso e assistir ao filme em um quarto escuro e uma tela gigante. Nunca um DVD conseguirá suprir isso.&lt;br /&gt;Mas vamos aos prêmios propriamente ditos. Nas categorias de curta-metragem e documentário, prefiro não opinar pois não conheço e nem assisti a nenhum dos indicados (nem mesmo o vencedor e já lançado no Brasil &lt;em&gt;A Marcha Dos Pingüins&lt;/em&gt;). O prêmio de melhor filme em língua estrangeira foi para o sul-africano &lt;em&gt;Tsotsi&lt;/em&gt;, ainda não lançado no Brasil, e que rendeu um momento emocionante no discurso do diretor no momento em que se referia à África. Está na hora do Brasil levar o seu também... Para melhor longa-metragem de animação, o prêmio ficou com a animação em massinha &lt;em&gt;Wallace &amp; Gromit: A Batalha Dos Vegetais&lt;/em&gt;, que acaba de ser lançada em DVD (e assim melhor julgada, uma vez que pela sua passagem nos cinemas o filme não arrancou um público muito grande aqui no Brasil).&lt;br /&gt;Nas categorias de atuação, prêmios justos. O super charmoso George Clooney levou pelo seu desempenho como coadjuvante em &lt;em&gt;Syriana&lt;/em&gt; (que eu ainda não tive oportunidade de conferir) e Rachel Weisz pelo seu desempenho no filme &lt;em&gt;O Jardineiro Fiel&lt;/em&gt;, dirigido pelo brasileiro Fernando Meirelles. Fica apenas aquela velha dúvida no ar: até que ponto um ator deixa de ser coadjuvante em um filme e passa a se tornar protagonista? Rachel Weisz, por exemplo, apesar de aparecer bem menos no filme que o seu companheiro de cena, possui importância fundamental no enredo.&lt;br /&gt;Nas categorias de atuação como protagonista, as indicações refletem um ano muito bom para os atores, com pelo menos quatro indicados em interpretações ótimas; e não tão marcante assim para as atrizes.  Reese Witherspoon levou pelo seu delicioso desempenho em &lt;em&gt;Johnny &amp;amp; June&lt;/em&gt;, provando assim que não é apenas um rostinho bonito de comédias adolescentes. E na categoria de melhor ator, a disputa mais acirrada. David Strathairn, Heath Ledger, Terrence Howard e Joaquim Phoenix estão ótimos em seus papéis. Quem levou foi Philip Seymour Hoffman, que até então nunca tinha sido indicado ao prêmio e interpreta de forma brilhante o escritor norte-americano Truman Capote.&lt;br /&gt;Nas categorias de melhor edição de som, melhor mixagem de som e melhores efeitos visuais, o prêmio foi para o filme &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt;. Realmente, as seqüências do filme são de tirar o fôlego de qualquer um, e muito dessa sensação se deve ao som do filme (e, é claro, à overdose de efeitos visuais que saltam da tela). &lt;em&gt;Guerra Dos Mundos&lt;/em&gt;, um dos principais concorrentes, não possui um envolvimento tão grande do som no espectador.&lt;br /&gt;Para melhor maquiagem, a Disney levou por &lt;em&gt;As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa&lt;/em&gt;. Dos demais concorrentes, o mais forte era o terceiro episódio de &lt;em&gt;Star Wars&lt;/em&gt; que, apesar de muito bom, não inova em muitos aspectos se comparado ao filme deNárni a. Melhor figurino, melhor direção de arte e melhor fotografia foram para o filme produzido por Steven Spielberg, &lt;em&gt;Memórias De Uma Gueixa&lt;/em&gt;, impecável na recriação de ambientes e costumes orientais. Apenas destaco aqui a falta que faz o filme &lt;em&gt;Orgulho e Preconceito&lt;/em&gt; entre as indicações para melhor fotografia, que é talvez uma das maiores qualidades do filme.&lt;br /&gt;Em uma apresentação linda, foram anunciados os indicados à melhor trilha sonora do ano. E, apesar do já consagrado John Williams estar indicado duplamente por seus trabalhos em &lt;em&gt;Munique&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Memórias De Uma Gueixa&lt;/em&gt;, não foi páreo para a composição na medida que o argentino Gustavo Santaolalla fez para o filme &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt;. Composição essa que irrompe na tela em todos os momentos-chave da projeção e simplesmente conforta os ouvidos do espectador. Não é uma trilha agressiva, é sublime. Ponto também para Alberto Iglesias, compositor da trilha indicada de &lt;em&gt;O Jardineiro Fiel&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Na categoria de melhor montagem, prêmio justíssimo para “Crash - No Limite”, que tem nesse elemento um dos mais importantes para o bom entendimento da trama. Trabalho de ponta de Hughes Winborne. Para os prêmios de roteiro, venceram as duas melhores histórias do ano: “O Segerdo de Brokeback Mountain”, adaptado de um conto, e “Crash – No Limite”, escrito especificamente para o cinema (e esse fator é admirável).&lt;br /&gt;Para o prêmio de melhor diretor, o Oscar foi para Ang Lee, diretor de filmes como &lt;em&gt;Razão e Sensibilidade&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Tempestade De Gelo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Hulk&lt;/em&gt; (?!?!?) E esse foi, na minha opinião, um dos Oscars mais bem concedidos da noite. Isso porque o espectador sai do cinema após ver &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt; sem saber exatamente o que o filme tem de tão bom que o encantou. Seriam as interpretações dos atores, a fotografia, o roteiro? Também, mas a grande verdade é que todos esses elementos se completam, nenhum deles se destaca sobre os demais. E a “mão” do diretor entra exatamente aí: dirigindo os atores nas cenas, sabendo transpor do papel para a tela as intenções do roteirista e enquadrar a câmera com essas intenções formando um conjunto coeso e agradável. Palmas para esse taiwanês que ainda terá grandes filmes na carreira (assim esperamos).&lt;br /&gt;Tivemos também o Oscar honorário para Robert Altman, e esse foi um momento dos mais memoráveis do Oscar desse ano. Primeiramente porque (felizmente) Altman pode falar o que quisesse sem que a música o atropelasse, e isso significou um apanhado muito interessante em seu discurso.&lt;br /&gt;Finalmente chegamos à categoria máxima, que é a de melhor filme do ano de 2005. E aqui eu aproveito para saudar e comemorar o que foi a produção cinematográfica do ano passado. Se em 2004 eu já tinha afirmado que há tempos não via um Oscar com indicados de tanta qualidade, esse ano então foi um dos mais marcantes de toda a história do prêmio. Filmes inteligentes, bem produzidos, bem dirigidos, bem escritos e que tocam em temas muito relevantes. Não que o cinema tenha como papel primordial questionar ou tentar modificar a sociedade, mas a idéia de que os filmes são “apenas contadores de histórias” já caiu há algum tempo. E é uma pena que o Oscar possa indicar apenas cinco filmes como melhores do ano. O magnífico &lt;em&gt;O Jardineiro Fiel&lt;/em&gt;, o bem recebido &lt;em&gt;Marcas Da Violência&lt;/em&gt; e o épico muito bem refilmado de &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt; são apenas alguns exemplos de filmes que também mereceriam estar indicados nessa categoria. Só espero que os próximos anos também venham com essa quantidade boa de excelentes filmes. O público (e o cinema em si) agradecem. Também gostaria de dizer aqui que, em anos como esse, o vencedor não necessariamente está muito acima dos que ficaram sem a estatueta. &lt;em&gt;Crash – No Limite&lt;/em&gt; venceu os outros filmes por um triz. As regras da Academia dizem que existirá apenas um vencedor para cada categoria, então é assim que as coisas funcionam. Mas isso não quer dizer que &lt;em&gt;Crash – No Limite&lt;/em&gt; tenha deixado &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt; para trás. Ambos são filmes maravilhosos (assim como os demais indicados e até mesmo são filmes que eu citei e que não estavam indicados), mas &lt;em&gt;Crash – No Limite&lt;/em&gt; possui alguns elementos em que se sai ligeiramente melhor do que o seu principal concorrente, e por isso acabou levando a estatueta. Ou seja: é melhor? É sim, pelo menos na minha opinião. Mas isso não desqualifica os demais. Por fim, aqui eu gostaria de deixar um adendo aos que repetidamente afirmam que o Oscar é um prêmio político. Se realmente ele tivesse essa característica, &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt; teria levado melhor filme. Seria até mais saudável para a imagem da Academia, que assim demonstraria que não é conservadora (como muitos também gostam de afirmar). Mas mais uma vez provando que seus critérios são artísticos, a Academia premia o melhor filme do ano de fato (por um triz, repito).&lt;br /&gt;Vou chegando ao fim dos meus comentários comemorando um ano excelente de produções cinematográficas e uma cerimônia muito interessante, lamentando somente as transmissões disponíveis para o público brasileiro. A única emissora que transmitiu a cerimônia na íntegra foi a TNT, o que já restringe (e muito) o acesso da população ao prêmio. Afinal, não podemos contar que a maioria das pessoas possuem TV por assinatura nas suas casas e, mesmo que tenham, possuam o canal em seu pacote. A tradução simultânea mais uma vez foi um pouco desagradável a partir do momento em que praticamente anulava o som original da cerimônia. Além disso, o comentarista Rubens Ewald Filho, apesar de seu vasto conhecimento da área, comentou pouco este ano. Uma pena. O que é inaceitável e vergonhoso, e isso sim, foi a transmissão promovida pela Rede Globo (que, aliás, nunca foi uma emissora muito competente para transmissões de eventos ao vivo). Qual é a credibilidade de uma emissora que corta a cerimônia pela metade para exibir uma dúzia de semi-analfabetos com seus corpos quase nus rebolando e falando mal um dos outros em uma prisão de luxo? É aí que percebemos o quanto éramos felizes e não sabíamos. Em 2001, o SBT possuía em sua grade de programação um programa nos mesmos moldes do Big Brother, mas nem por isso deixou de transmitir um só minuto da cerimônia. Pelo contrário, adiantou toda a programação da tarde da emissora para iniciar a transmissão meia hora antes do horário de início da festa. Sem contar nos repórteres ao vivo lá no tapete vermelho entrevistando as celebridades. Coisa que a Globo nunca fez... sem contar na equipe mais competente e carismática do SBT, que trata o prêmio da maneira que ele merece.&lt;br /&gt;Enfim, encerro fazendo votos de que o próximo Oscar me empolgue tanto quanto este me empolgou, e torcendo para que seja melhor tratado pelos executivos da emissora que o esteja transmitindo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114308673350383641?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114308673350383641/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114308673350383641&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114308673350383641'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114308673350383641'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/03/mais-do-mesmo.html' title='Mais do mesmo'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114253491056764586</id><published>2006-03-16T15:41:00.000-03:00</published><updated>2006-03-16T15:48:30.570-03:00</updated><title type='text'>Freedom! Forever!</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/vforvendetta_03.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/vforvendetta_03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se a Alemanha nazista tivesse vencido a guerra? E se a Inglaterra caisse nas mãos de um governo totalitário? Um justiceiro de capa e espada surgiria na noite para libertar seu povo da tirania.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;V de Vingança&lt;/em&gt; é uma "visão descompromissada" do futuro que transporta Natalie Portman e Hugo Weaving para essa realidade alternativa. Quer uma dica: assista os traillers. Se não der a sorte de vê-los no cinema, procure na internet, é facílimo de achar. O único pecado que um dos &lt;em&gt;teasers&lt;/em&gt; comete é jogar na tela em letras garrafais o nome de Natalie e ignorar o de Weaving, nada mais nada menos que o protagonista &lt;em&gt;V&lt;/em&gt;! Gafe imperdoável...&lt;br /&gt;Com a correria do fim de semestre ando sem tempo para as minhas críticas megalomaníacas. Mas tento colocar aqui o que tem me chamado a atenção. &lt;br /&gt;&lt;em&gt;People shoud not be afraid of the government. Government should be afraid of the people.&lt;br /&gt;Remember, remember, the 5th of november.&lt;br /&gt;V for Vendetta&lt;/em&gt;!!&lt;br /&gt;Estréia 7 de abril. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114253491056764586?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114253491056764586/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114253491056764586&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114253491056764586'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114253491056764586'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/03/freedom-forever_16.html' title='Freedom! Forever!'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114214419537459894</id><published>2006-03-12T02:54:00.000-03:00</published><updated>2006-03-12T12:18:32.036-03:00</updated><title type='text'>Só pela piada</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/scarymovie.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/scarymovie.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tosco. Atira longe o respeito e a noção.&lt;br /&gt;Inteligente, sarcástico e espirituosíssimo.&lt;br /&gt;Nem é preciso gostar do conteúdo escatológico dessa paródia que de tempos em tempos goza dos grandes sucessos de bilheteria para se divertir com a imagem.&lt;br /&gt;O cartaz da quarta sequência de &lt;em&gt;Todo Mundo em Pânico &lt;/em&gt;é simplesmente impagável!&lt;br /&gt;Estréia por aqui em 21 de abril. Hum... piada com o líder da Inconfidência?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114214419537459894?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114214419537459894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114214419537459894&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114214419537459894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114214419537459894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/03/s-pela-piada.html' title='Só pela piada'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114169137096890062</id><published>2006-03-06T19:27:00.000-03:00</published><updated>2006-03-07T14:49:52.366-03:00</updated><title type='text'>And the Oscar goes to...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/oscar%202006.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/oscar%202006.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;"E ai gostou do Oscar?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi a pergunta que a Marcela me fez ao comentar sobre &lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt;. Eu, pobre estudante do segundo período de Cinema, dei uma resposta simplezinha logo depois do post que a minha querida caloura deixou. Ingênua criatura. Mais tarde, quando me interessei em saber qual foi a repercussão da &lt;em&gt;maior festa do Cinema &lt;/em&gt;na mídia, descobri que a discórdia impera e percebi que o Oscar 2006 merecia o seu próprio texto. Então, vamos a ele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tapete vermelho, glamour, gente bem vestida e mal vestida, celebridades arroz de festa, estrelas que chamavam a atenção. Não há como escapar do trivial na noite de entrega da estatueta dourada concedida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas que é o sonho de qualquer mortal capaz de chegar ao Monte Olimpo de Hollywood. E todo ano um filme desponta como favorito, embora nem toda cerimônia conte com um devorador de prêmios como &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;O Senhos dos Anéis&lt;/em&gt;. A bola da vez era &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt;, indicado a 8 Oscar, que de tão comentado dispensa qualquer apresentação. Sobretudo depois da tendência que o Globo de Ouro apontou, começou a se criar toda uma expectativa em torno do que seria (mas não foi) o&lt;em&gt; "Oscar gay". &lt;/em&gt;A Academia estaria se abrindo a temas que outrora jamais comportaria? A boa arte e a originalidade venceriam enfim os padrões mofados de Hollywood? Bem, acho injusto dizer que o Oscar 2006 foi apenas mais do mesmo. Mas é perceptível que a premiação frustrou algumas expectativas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A noite começou com a sensação de &lt;em&gt;deja vu&lt;/em&gt;, quando o Oscar de ator coadjuvante foi entregue a George Clooney (sempre irresistível). Eu não assisti &lt;em&gt;Syriana &lt;/em&gt;e não digo que foi um prêmio injusto. Mas me soou como uma decisão política, já que Clooney, por uma série de razões óbvias, não levaria para casa as estatuetas de roteiro e direção. Meu favorito na categoria era Jake Gyllenhaal, mas isso não interessa. &lt;em&gt;O Jardineiro Fiel&lt;/em&gt;, preterido em tantos quesitos logo na indicação, experimentou também a política da Academia ao ter Rachel Weiz indicada a coadjuvante (artifício recorrente quando se deseja oscarizar uma jovem, bela e competente atriz principal) e a moça saiu do Kodak Theatre com um prêmio bastante merecido. Mais uma boa dose de conveniência foi despejada sobre a estatueta de melhor longa de animação, entregue ao mais fraco de todos os concorrentes, &lt;em&gt;Wallace e Gromit&lt;/em&gt;: &lt;em&gt;A Batalha dos Vegetais&lt;/em&gt;. A produção inglesa sofreu um atraso de cinco anos depois que o estúdio pegou fogo, mas, até onde se sabe, Tim Burton e Hayao Myazaki não tinham nada a ver com isso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O show seguiu mais plausível. Os prêmios "técnicos" foram quase todos para &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt;, o que já era de se esperar. Escolhas justas pois, tenha você amado ou odiado a tribo de nativos saída de &lt;em&gt;Thriller&lt;/em&gt;, os insetos gigantes e o gorila temperamental, há de se convir que &lt;em&gt;Guerra dos Mundos&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; Munique&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; Harry Potter e o Cálice de Fogo &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;As Crônicas de Nárina&lt;/em&gt;, embora muito competentes, &lt;em&gt;&lt;/em&gt;não foram páreo para a grandiosidade visual e sonora da última empreitada de Peter Jackson. Mas &lt;em&gt;Nárina &lt;/em&gt;não saiu da festa de mãos vazias, arrematando um merecido prêmio de melhor maquiagem. E se Steven Spilberg não ganhou uma estatueta sequer pelos filmes que dirigiu, viu &lt;em&gt;Memórias de uma Gueixa&lt;/em&gt;, produção sua, levar três Oscar, por melhor figurino, direção de arte e fotografia. Se foi justo não sei, já que esse é mais um dos filmes que não pude assistir. &lt;em&gt;Orgulho e Preconceito&lt;/em&gt;, &lt;em&gt; O Jardineiro Fiel&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Johnny e June&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt; eram&lt;em&gt; &lt;/em&gt;representantes à altura em algumas das categorias, mas com a onda de orientalidade que tomou o ocidente era previsível que as gueixas e a exuberância visual de Bob Marshal levassem a melhor. O Oscar de filme estrangeiro surpreendeu e foi cair no colo do pouco divulgado &lt;em&gt;Tsotsi&lt;/em&gt;, da África do Sul. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O melhor ator e a melhor atriz, por sua vez, não surpreenderam. Philip Seymour Hoffman recebeu sua merecida estatueta por &lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt;, mas minha torcida era mesmo por Joaquin Phoenix, que depois do seu desempenho magnífico me transformou em fã de Johnny Cash. Confesso que até o último momento tive esperança de que o Oscar fosse para ele, já que o bonequinho dourado de Reese Whiterspoon sofria pouca ameaça, e a consagração do casal como melhor ator e atriz de 2005 seria um belo tributo à química rara e adorável que exibiram no delicioso &lt;em&gt;Johnny e June&lt;/em&gt;. Dá para perceber que estou de coração partido pelo filme ter levado apenas um prêmio (o de Reese), não é? E estou mesmo. Uma pena. Outra das minhas grandes frustrações foi &lt;em&gt;Brokeback Mountain &lt;/em&gt;não ter sequer concorrido ao Oscar de melhor montagem (vencido por &lt;em&gt;Crash- No Limite&lt;/em&gt;, acredito que justamente). Mas foi um deleite ver a trilha sonora do filme, que de tão sublime não há palavras para descrever, sair premiada. Tremenda surpresa John Williams, o grande oscarizado das trilhas, ter concorrido por dois filmes diferentes (&lt;em&gt;Munique &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;Memórias de uma Gueixa&lt;/em&gt;)&lt;em&gt; &lt;/em&gt;e perdido a estatueta. Para mim, esse foi um dos prêmios mais justos da noite. &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain &lt;/em&gt;mereceu todos os Oscar que arrematou. Melhor roteiro adaptado e melhor diretor (o taiwanês Ang Lee) foram para o endereço certo, embora George Clooney fizesse jus a esse último por &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt;. O prêmio de roteiro original também acabou nas mãos de &lt;em&gt;Crash&lt;/em&gt;, o único dos candidatos a melhor filme que eu, grande amiga de Murphy, não consegui assistir. Portanto, difícil dizer se os brilhantes roteiros de &lt;em&gt;Match Point&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt; mereciam menos a glória. As três canções que concorreram foram apresentadas em perfomances incrivelmente ridículas e não chega a ser inusitado o prêmio ter ido para o rap bacana &lt;em&gt;"It´s hard out here for a pimp"&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;Ritmo de um Sonho&lt;/em&gt;. Vamos lembrar que a Academia já deu o Oscar para Eminen. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um aparte para o Oscar honorário concedido ao maravilhoso Robert Altman. Já era mais que tempo de uma homenagem dessas. E chegamos ao ponto alto da noite. Até mesmo os produtores de &lt;em&gt;Crash&lt;/em&gt; se surpreenderam quando foi anunciado por Jack Nicholson (também chocado com o resultado) que o prêmio máximo da festa seria dado a eles. Repito: não vi &lt;em&gt;Crash&lt;/em&gt; e confesso que tinha &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt;, o perigoso filme de George Clooney, e &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt;, o delicado romance de Ang Lee - e minha paixão confessa - como os concorrentes mais fortes da categoria. Uma nuvem cinza paira sobre a minha cabeça e acredito que ela só vai desaparecer quando eu enfim conseguir assistir o grande premiado. Pode ser que a Academia tenha se acovardado de última hora e imaginado ser mais seguro dar o Oscar de melhor filme para uma produção que põe o dedo em uma ferida já admissível de se tocar. Mas desde que &lt;em&gt;Crash &lt;/em&gt;estreou no Brasil, em outubro de 2005, tenho ouvido cometários entusiasmados sobre ele e há quem defenda que o filme era, sim, mais merecedor da estatueta de melhor produção que seu colega tido como favorito. Creio que ainda não me recuperei do choque, porque, convenhamos, surpreender não é a maior especialidade do Oscar. Mas o resultado não me deixou triste (um pouco desiludida talvez). Para alguém que ama tanto o cinema foi um prazer acompanhar uma cerimônia em que os concorrentes tinham tanta qualidade e valor. Não é sempre assim. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os que ainda estão frustrados com a derrota de &lt;em&gt;Brokeback Mountain&lt;/em&gt;, pensem que o Oscar, com todo o seu charme, importância e glamour, não passa de um prêmio para figurar na prateleira. O belo romance protagonizado por Heath Leadger e Jake Gyllenhaal não precisa disso para ser o que é e para ganhar na história do Cinema o espaço que lhe caberá. Nenhuma das ótimas produções que tiveram seus nomes citados ontem a noite precisam. Seja por iniciativas sutis da premiação, por meu instinto pessoal ou apenas por uma vontade intuitiva, o Oscar 2006 me despertou algo diferente. Começo a ter esperanças no bom senso da Academia. Só resta torcer pelo futuro, para que a cerimônia seja cada vez mais coerente com o que deve ser: uma enorme festa para premiar o bom cinema. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114169137096890062?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114169137096890062/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114169137096890062&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114169137096890062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114169137096890062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/03/and-oscar-goes-to.html' title='And the Oscar goes to...'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114132499548719124</id><published>2006-03-02T15:41:00.000-03:00</published><updated>2006-03-03T15:47:33.226-03:00</updated><title type='text'>Capote</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/capote.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/capote.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005) é um filme impecável. Do protagonista ao modo de narrar a história, tudo parece ter sido meticulosamente calculado para sair na medida adequada. Philip Seymour Hoffman já provou ser um ator extremamente competente nos papéis de coadjuvante a que foi confinado durante toda a sua carreira e ganhou aqui sua grande chance para o Oscar como estrela principal do longa dirigido pelo estreante Bennett Miller. Hoffman emagreceu dezoito quilos, conseguiu uma caracterização física parecidíssima com a do verdadeiro Trumam Capote e está irritantemente bem na pele do escritor que dá nome à trama, falecido em 1984 devido a complicações com o alcoolismo. Capote foi um dos mais afamados escritores norte-americanos das décadas de 50 e 60, autor de &lt;em&gt;Bonequinha de Luxo&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Música para Camaleões&lt;/em&gt;. O filme recria com zelo uma passagem ímpar de sua vida, que deu origem à última de suas obras, o romance de não-ficção &lt;em&gt;A Sangue Frio&lt;/em&gt;. Em 1959 uma pacata família foi violentamente assassinada no interior do Kansas. Esse fato brutal atraiu a atenção do escritor, que viu ali o tema para um bom artigo. Enquanto acompanhava o desenrolar das investigações e depois de conhecer os dois assassinos, presos em Las Vegas e devolvidos ao Kansas, Capote passou a enxergar no caso material suficiente para um livro inteiro, que revolucionaria a literatura de não-ficção.&lt;br /&gt;O longa mantém um tom de suspense cheio de classe e a relação que se estabeleceu entre Capote e um dos assassinos, Perry Smith (Clifton Collins Jr.) é o alicerce da trama. Desejando à todo custo compreender as razões do crime, o escritor se aproxima daqueles que o cometeram, mas Perry lhe desperta um fascínio que o outro criminoso não desperta. Durante os cinco anos que dedicou ao seu livro, eles intensificaram um vínculo sofrível de identificação, atração e necessidade mútua. Os dois homens não eram em sua essência tão diferentes. Tiveram infâncias muito parecidas, marcadas por dificuldades e abandonos, mas seguiram caminhos inversos, um denominador que instiga o interesse de Truman. Ainda assim, com vidas desiguais, o escritor e o assassino são semelhantes por se destacarem do habitual. Capote incomoda por seus trejeitos femininos, a voz aguda e o modo de vestir destoante do convencional. Perry é introspectivo, extremamente sensível e inteligente, um contraste agressivo com a resignação que mostra diante do crime que cometeu. Da forma como é apresentado no filme, não é difícil compreender o fascínio que esse homem provocou no escritor. Clifton Collins Jr. chama a atenção, imprimindo gravidade e mistério a seu personagem. Um homem comum, pequeno, sem nada demais em sua aparência, mas com um olhar forte e uma voz imponente que parecem torná-lo onipresente na tela. A Phillip Seymour Hoffman foi dada a delicada missão de construir um protagonista que desperta mais antipatia do que empatia. Capote, com sua língua crítica e afiada, gostava de concentrar as atenções em torno de si. Era um sujeito egocêntrico, egoísta, manipulador e nos soa por vezes realmente detestável. Mas ao longo do filme vamos nos familiarizando com a tênue linha que Hoffman criou para libertar seu personagem da simples carcaça de maneirismos e lhe conceder uma humanidade real. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;É difícil dizer se Capote realmente se afeiçoou a Perry Smith, mas é bastante evidente que esse homem era para ele uma mina de ouro. Seus segredos guardariam o que o escritor acreditava serem as bases para uma obra literária brilhante. Assim, o envolvimento de Capote com os assassinos condenados à pena de morte pelo crime se dava na medida de seus interesses. Quando lhe convinha atrasar a execução da sentença, contratava bons advogados. Mas quando se apropriou de tudo o que precisava saber sobre a personalidade de Perry para caracterizá-lo em sua obra, já esgotado pelos anos de imersão naquele caso, lhe convinha que o final da história chegasse logo. Não havia mais porque ajudar os assassinos a ganharem tempo antes da morte. O escritor soube conquistar a confiança de Perry para conseguir o que queria e o manipulou em prol de seus fins artísticos e literários. Mas foi também manipulado pelo outro e não conseguiu escapar ileso dessa teia que construiu. O final da trama, ainda mais tenso que todo o resto, deixa claro que Perry tomou consciência de como foi usado e soube jogar com esse trunfo psicológico em seus últimos momentos para não permitir que o &lt;em&gt;amigo&lt;/em&gt; saísse de tudo aquilo tão impune quanto gostaria. Capote nunca mais terminou um livro depois da experiência de &lt;em&gt;A Sangue Frio&lt;/em&gt;. Seus meios para tecer o que se tornou um prisma da literatura de não-ficção lhe custaram mesmo a sanidade e a alma.&lt;br /&gt;A também escritora Harper Lee, amiga íntima de Capote que viu seu clássico &lt;em&gt;O Sol é Para Todos&lt;/em&gt; ser transformado em filme durante esse meio tempo da trama, ganhou lugar de destaque na história e Catherine Keener concorre ao Oscar de atriz coadjuvante pelo papel. Da sua maneira educada e elegante, o texto faz insinuações à preferência sexual da autora. Num ano em que a Academia mostra uma tendência a realizar o que vem sendo chamado por alguns de o &lt;em&gt;"Oscar gay"&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt; se insere bem no contexto. O Globo de Ouro, tido normalmente como o termômetro do Oscar, deu visibilidade às produções nesse sentido, confirmando &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt; como o grande favorito da noite do dia 5 de março, premiando Felicity Huffman pelo papel de um transsexual em &lt;em&gt;Transamerica&lt;/em&gt; e o próprio Phillip Seymour Hoffman como melhor ator de drama. Além de trazer um protagonista homossexual, &lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt; exigiu de seu intérprete sacrifícios físicos para a caracterização do papel, o tipo de coisa que a Academia adora oscarizar. Inclinações à parte, ainda não é certo que Hoffman e Huffman levarão as estatuetas que têm também como fortes concorrentes o casal de &lt;em&gt;Johnny e June&lt;/em&gt;, Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. É bem verdade que o Oscar não costuma surpreender muito, mas nunca se sabe. Caia nas mãos que cair, o prêmio para o melhor ator de 2005 não será desmerecido.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114132499548719124?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114132499548719124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114132499548719124&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114132499548719124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114132499548719124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/03/capote_02.html' title='Capote'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114084377871073578</id><published>2006-02-25T01:56:00.000-03:00</published><updated>2006-02-25T02:04:06.616-03:00</updated><title type='text'>Crash - No Limite</title><content type='html'>Hoje vou poupar vocês dos meus subterfúgios e excessos de caracteres, porque coloquei outro para fazer o trabalho sujo no meu lugar. Aqui vai uma análise de &lt;em&gt;Crash&lt;/em&gt; por Felipe Sembalista: curitibano, alucinado por axé (aliás, deve estar se perdendo em alguma micareta nesse exato momento), companheiro de empreitadas cinematográficas, o cara que sabe mais sobre a história do Oscar que a própria Academia. Portanto, levem esse rapaz à sério.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu volto aí depois com &lt;em&gt;Capote&lt;/em&gt;, concluindo a lista dos longas que brigam pelo Oscar de melhor filme na noite do dia 5 de março.&lt;br /&gt;Com a palavra, Felipe.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/crash_01.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/crash_01.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Timidamente recebido na época de sua estréia em território nacional, o filme &lt;em&gt;Crash – No Limite&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Crash&lt;/em&gt;, EUA, 2005) retorna às salas de exibição depois de suas 6 indicações para o Oscar deste ano, incluindo aí a categoria de melhor produção do ano. Levando em consideração que as reprises do filme geralmente estão sendo feitas em reduzidos horários nos grandes complexos multiplex das capitais brasileiras, muitos cinéfilos devem estar se perguntando se vale a pena fazer um esforço para conferir o filme. A resposta é sim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desigualdade social, desrespeito, fanatismo étnico e religioso, preconceito racial e corrupção são apenas alguns dos importantes temas que o filme consegue abordar durante as cerca de duas horas de projeção. E consegue abordar de forma inteligente, sem cair em clichês ou chavões desnecessários. Os personagens do filme são bem variados, e vão desde uma família de descendência árabe até um casal da burguesia da cidade, passando por dois marginais negros dos guetos, um astro de cinema, policiais corruptos e um casal de classe média-baixa com uma filha. Nenhum dos personagens, no entanto, é estereotipado. Existe profundidade psicológica em cada um deles, o que os faz ter vida própria e personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esse traço, aliás, confere ao desenrolar do filme uma característica pouco utilizada (até mesmo pela sua complexidade), mas muito interessante: não existe um ator ou atriz principal na trama. A história não gira em torno de um ou de outro personagem, mas sim de todos eles paralelamente e de forma a unificar seus contextos em uma única abordagem, que é a da sociedade. Até por esse motivo, a única indicação do filme nas categoria de atuação foi para Matt Dillon, como ator coadjuvante. Grosso modo, portanto, o filme consegue entrelaçar o cotidiano de todas essas pessoas tocando em temas étnicos e raciais, como a xenofobia e o racismo; e também quão maléficos podem ser estes para a sociedade como um todo. Méritos, aliás, para o diretor do filme, Paul Haggis, que já em seu trabalho de estréia prova que tem muitos méritos e um futuro promissor (assim esperamos).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A montagem do filme é excelente. Cronologicamente, a história se desenrola em um espaço de 36 horas, com uma multiplicidade única de personagens e situações, e mesmo assim o espectador não perde o fio da meada para ter que repensar e relacionar um acontecimento com outro. Igualmente destacável é a canção do filme, de título &lt;em&gt;In the Deep&lt;/em&gt;, executada no final da projeção (mas não nos créditos, como é comum) e que se encaixa muito bem no contexto das imagens. Aliás, essa canção concorre ao Oscar ao lado de &lt;em&gt;Traveln` Thru&lt;/em&gt;, do filme &lt;em&gt;Transaméric&lt;/em&gt;a (ainda inédito no Brasil) e &lt;em&gt;It`s Hard Out Here for a Pimp&lt;/em&gt;, do filme &lt;em&gt;No Ritmo De Um Sonho&lt;/em&gt; (que deve estrear no próximo dia 3 de março).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Certamente o espectador não sairá do cinema indiferente. Seja em função do questionamento social que o filme trata, seja em função das várias seqüências tensas e imagens marcantes, seja pela forma com que a história se apresenta em termos de linha narrativa ou das atuações excelentes dos atores, ele significará muito mais do que uma simples produção rotineira e industrial. O título? Pois é, ele fará bem mais sentido após o término da sessão do que a tentativa de elucidação através do subtítulo da versão brasileira (&lt;em&gt;No Limite&lt;/em&gt;). Nesse ponto, nossos colegas lusos foram mais pertinentes, com o título &lt;em&gt;Colisão&lt;/em&gt;.Com um ritmo agradável, não excessivamente longo, firme e uma abordagem única para temas importantes e que nos afetam diretamente, o filme é uma grata surpresa para quem se dispuser a encarar as poucas opções de horário que os cinemas comerciais estão (infelizmente) dedicando à fita. Sem sombra de dúvidas, um dos melhores filmes do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114084377871073578?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114084377871073578/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114084377871073578&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114084377871073578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114084377871073578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/crash-no-limite_25.html' title='Crash - No Limite'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114032192864746229</id><published>2006-02-19T00:28:00.000-03:00</published><updated>2006-02-22T19:45:16.833-03:00</updated><title type='text'>Johnny e June</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/johnny-e-june-poster07.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/johnny-e-june-poster07.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Gandhi deu o Oscar para Bem Kingsley. Virginia Woolf para Nicole Kidman. Bella Lugosi para Martin Landau e Ray Charles para Jaime Foxx. Será que o lendário cantor Johnny Cash fará Joaquin Phoenix levar a estatueta em 2006? E a queridinha de Hollywood Reese Whiterspoon será oscarizada por seu desempenho como June Carter? Muitas perguntas, nenhuma resposta por enquanto. E se pensarmos bem, o Oscar não tem tanta importância assim. Phoenix não parece estar preocupado com isso. Mais interessado nos meios do que nos fins, como de costume nem se incomodou em conferir o resultado de seu trabalho. &lt;em&gt;“O que me interessa é a experiência de interpretar, e não me ver atuando”&lt;/em&gt;, explica. O ator não tem mesmo motivos para sentir-se inseguro em relação ao papel que lhe valeu o Globo de Ouro. Foi o próprio Johnny Cash, que se tornou fã de Joaquin depois de vê-lo como Commodus em &lt;em&gt;Gladiador&lt;/em&gt;, quem o escolheu para personificá-lo no cinema. O mesmo aconteceu com Reese, escolhida por June Carter para representá-la. Os dois músicos, já falecidos, pareciam estar mesmo afinados na vida real, pois passaram a responsabilidade de serem reconstruídos na tela para as mãos de um casal fictício dono de uma química adorável.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Johnny e June&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Walk the Line&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005) não traz nada que nunca tenha sido visto antes. Estão lá todos os elementos de uma cinebiografia clássica, que levaram milhões de espectadores às lágrimas recentemente em &lt;em&gt;Ray&lt;/em&gt; e que o cinema brasileiro soube nacionalizar tão bem no ainda mais atual &lt;em&gt;Dois Filhos de Francisco&lt;/em&gt; (embora seus protagonistas sejam menos adeptos do &lt;em&gt;“sex and drugs”&lt;/em&gt; que os dos colegas de tema): a infância pobre e sofrida, o amor precoce pela música, o talento digno de projeção, o álcool, a bebida e as mulheres que chegam junto com a fama, a decadência por conta dos vícios e, claro, a volta por cima para demonstrar como a celebridade em questão foi uma personalidade digna de admiração, apesar de todo e qualquer deslize. Mas a biografia de Johnny Cash, o homem que sacudiu a música country com a rapidez de seus acordes e com a obscuridade de suas letras, não pretende ir mais a fundo, optando pelo romance e se afastando do melodrama declarado de seu companheiro &lt;em&gt;Ray&lt;/em&gt;. E quando eu digo &lt;em&gt;romance&lt;/em&gt;, subentendam-se aí todos os clichês da palavra: redenção romântica depois de muito sofrimento, premiada com um belo final feliz, ainda que uma abordagem dessas seja apenas um recorte da história real. O que não é ruim, haja visto que essas são apenas características intrínsecas ao gênero. Não é que faltem momentos tensos no desenrolar da trama, mas &lt;em&gt;Johnny e June&lt;/em&gt; é por excelência uma história de amor, bem desenvolvida, com protagonistas célebres, como sugere o aparentemente ridículo título em português, capaz de definir a índole desse filme com mais eficiência do que o título original.&lt;br /&gt;June Carter ganhou tanta importância na trama quanto Johnny Cash. Mais: sem ela essa história não existiria. June aqui é a alma do músico. Companheira de palco, melhor amiga, maior inspiração, grande paixão, salvação de sua vida que desanda. E o que há de original no filme dirigido por James Mangold (&lt;em&gt;Garota-Interrompida&lt;/em&gt;) é o desempenho do casal principal, que faz a trama pulsar, tornado-a verdadeira e envolvente. Joaquin Phoenix encarna Johnny Cash - um homem introspectivo, autêntico e incapaz de se manter na linha - com uma perfeição assombrosa. O próprio ator cantou todas as músicas em cena e é de arrepiar quando ouvimos sua voz forte anunciando &lt;em&gt;“I´m Johnny Cash”&lt;/em&gt;. Impossível não acreditar em suas palavras. Todos os seus momentos em cena são grandiosos e cheios de personalidade. Reese Whiterspoon faz um bom trabalho como June Carter, explorando seu carisma e mantendo um timing impecável. &lt;br /&gt;Como todo e qualquer filme cujo protagonista é um astro da indústria fonográfica, a música emoldura toda a história, preenchendo as ligações entre as cenas, os saltos temporais e todo o resto. E a trilha é deliciosa. Há closes interessantes, que parecem nos aproximar da história e de seus personagens. O figurino é deslumbrante. A narrativa flui de forma prazerosa, com um ritmo bom de acompanhar. Pode ser que os grandes fãs do cantor se frustrem pela imersão tão rasa em sua intensa biografia. &lt;em&gt;Johnny e June&lt;/em&gt; é simpático, gostoso, umas vezes consegue nos comover, outras vezes consegue nos animar. Mas não tem nada de explosivo. Ao contrário do mito que homenageia, esse filme &lt;em&gt;anda na linha&lt;/em&gt;. E com seu jeito morno sabe conquistar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114032192864746229?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114032192864746229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114032192864746229&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114032192864746229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114032192864746229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/johnny-e-june_19.html' title='Johnny e June'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-114013895837775153</id><published>2006-02-16T22:13:00.000-03:00</published><updated>2006-02-22T19:46:13.716-03:00</updated><title type='text'>Boa Noite e Boa Sorte</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/goodnightandgoodluck.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/goodnightandgoodluck.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p align="justify"&gt;Era uma vez na América um sujeito bonitão e extremamente charmoso. Clooney, George Clooney era seu nome. Começou a vida de estrela arrebatando corações na TV e, como bom galã que era, não demorou a se lançar no cinema. O que o mundo ainda não sabia é que aquele rostinho bonito encobria um espírito subversivo e foi se tornando claro que o sujeito queria mais e mais da vida. Foi caminhando aos poucos. Lançou-se na aventura de produzir o remake de &lt;em&gt;Onze Homens e Um Segredo&lt;/em&gt; (experiência tão bem sucedida que impulsionou uma continuação) e deu os primeiros passos na direção em &lt;em&gt;Confissões de Uma Mente Perigosa&lt;/em&gt;, com o roteiro de Charlie Kauffman. Ganhando credibilidade aos poucos e se aproveitando estrategicamente da condição de estrela, George imaginou que estava na hora de tomar medidas mais drásticas. Então, numa cartada brilhante, achou por bem cutucar passado e presente norte-americanos com seu fantástico &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Good Night and Good Luck&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005).&lt;br /&gt;Clooney lançou mão de seu fascínio pelo jornalismo investigativo de opinião, vestiu seu filme de preto e branco e reuniu um time de atores de primeira para voltar aos anos 50 e remontar a luta de Edward Murrow, o mais importante dos âncoras da CBS, contra o senador Joseph McCarty, famoso pela &lt;em&gt;“caça às bruxas”&lt;/em&gt; que empreendeu em direção à suspeitos de atividades comunistas com o fim da Segunda Guerra. Depois dos concisos 93 minutos que duram a projeção fica fácil entender porque o astro merece o respeito de que goza no momento. São raros no cinema aqueles que têm o dom de incomodar com habilidade e elegância. E polemizar em &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt; é uma questão de arte. Não satisfeito em ir contra a direita política, ele ludibria também certos costumes narrativos a que nossos olhos estão acostumados, realizando mudanças de foco de um plano para outro. O senador McCarty aparece em cenas de arquivo, por via de uma montagem competente, e as imagens fictícias têm a mesma qualidade das imagens reais da época. Essa semelhança cria um aspecto homogêneo, deixando o que é visto na tela mais fluido e uniforme. Ou seja, as imagnes reais e fictícias não destoam muito entre si. O herói Edward Murrow é interpretado por David Strathairn, que arrematou indicações à uma série de prêmios pela atuação sóbria e tensa. Mas o &lt;em&gt;"herói"&lt;/em&gt; aqui ganha um espaço peculiar. O roteiro de Clooney - que também atua no filme - baseado em um texto anterior de Grant Heslov, não desenvolve a vida pessoal do protagonista ou de nenhum dos personagens (sua imersão na privacidade do casal vivido por Robert Downey Jr. e Patricia Clarkson não vai além de um mínimo necessário), concentrando a trama no ambiente de trabalho da rede de televisão. Focalizando os holofotes no conflito discursivo entre McCarty e Murrow, o filme é dinâmico e não se interessa em apelar para uma identificação do público com personagens que tenham sua personalidade esmiuçada.&lt;br /&gt;O cuidado com a reconstituição do momento histórico é primoroso. Figurino, fotografia, cenografia, trilha sonora foram elaborados com esmero e o filme edifica um ambiente de época impecável. Na década de 1950 a televisão estava surgindo e testemunhava seu auge enquanto o rádio ficava para trás. As canções que de tempo em tempo embalam a trama garantem charme e nostalgia. O longa é verborrágico, mas sabe quando e o que dizer. A crítica à mídia como um entretenimento vazio, um objeto de alienação que explorava espetáculos fúteis, remetendo à velha idéia de &lt;em&gt;panis et circus&lt;/em&gt; para evitar que o espectador pense demais, é clara. E o que mais incomoda é ter consciência de que essa perspectiva ainda não mudou. As analogias à postura norte-americana contemporânea também são nítidas: uma &lt;em&gt;“democracia”&lt;/em&gt; que se vale de meios erroneos para justificar seus fins e manter à todo custo a estabilidade da &lt;em&gt;“vida americana”&lt;/em&gt;, pulverizando os antígenos daquela sociedade.&lt;br /&gt;Acompanhando a luta corajosa de Murrow para mostrar em rede nacional a falta de coerência do macarthismo, entramos no campo da necessidade de liberdade de expressão. E testemunhamos também o imenso poder da imprensa. Afinal, tudo é edição. Os meios de comunicação não têm apenas uma grande força, mas também uma enorme responsabilidade. A mídia pode e deve ser usada para defender causas justas. Mas e se, como indaga o personagem de Robert Downey Jr., eles não estiverem defendendo o lado certo da questão? Nada tem um poder tão grande de influenciar e manipular mentes quanto a mídia. Por isso, antes de concordar ou discordar com qualquer idéia que nos é transmitida, é preciso desenvolver uma consciência crítica. Por mais que se busque uma postura democrática dentro de qualquer meio de comunicação, sua engrenagem é movida inevitavelmente pela escolha de informações: daquilo que merece virar notícia, de como ela deve ser abordada, da posição que será tomada frente à ela. É uma questão ética delicada e perigosa. Ouso dizer que, pelas discussões que levanta, &lt;em&gt;Boa Noite e Boa Sorte&lt;/em&gt; poderá ser um dia considerada uma obra tão obrigatória para a formação de um comunicólogo quanto é hoje Cidadão Kane - repito, &lt;em&gt;pelo tema que engloba&lt;/em&gt; e não, de forma alguma, por revolucionar a maneira de fazer cinema. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.&lt;br /&gt;George Clooney voltou ao passado para nos trazer o presente. E já recebeu o ultimato de uma produtora: se continuar insistindo em colocar seus filmes no mercado não será mais contratado. Pior para Hollywood e seu senso comum de cinema, melhor para o público, que ganha estilo e qualidade. Sem medo de cair na retórica, peço encarecidamente que alguém lembre Steven Spielberg que para causar polêmica com jeito não é necessário um orçamento absurdo, cenas complicadas e muitas explosões. Um grande espetáculo incomoda muita gente, mas inteligência e classe incomodam muito mais. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-114013895837775153?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/114013895837775153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=114013895837775153&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114013895837775153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/114013895837775153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/boa-noite-e-boa-sorte.html' title='Boa Noite e Boa Sorte'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113988121753085155</id><published>2006-02-13T22:30:00.000-03:00</published><updated>2006-02-15T08:46:32.006-03:00</updated><title type='text'>The war has began</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/xmen3_04.0.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/xmen3_04.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Wolverine. Garras à mostra. Sombra e escuridão. Uniforme preto colante.&lt;br /&gt;26 de Maio.&lt;br /&gt;Mal posso esperar...&lt;br /&gt;Como bem disse o (anti)herói lá pelo fim do último filme: &lt;em&gt;I´ll take my chances with them&lt;/em&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113988121753085155?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113988121753085155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113988121753085155&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113988121753085155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113988121753085155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/war-has-began.html' title='The war has began'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113976113176438138</id><published>2006-02-12T13:08:00.000-03:00</published><updated>2006-02-13T11:04:16.026-03:00</updated><title type='text'>Ponto Final - Match Point</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/match%20point.3.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/match%20point.3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Woody Allen é um sujeito curioso. Tem a notável e notória capacidade de reinventar a mesma temática há quarenta anos: neuroses amorosas urbanas, preferencialmente as suas, interpretadas por ele mesmo ou por alguém que lhe sirva de alter-ego. Realiza tal proeza com um talento que lhe valeu o status de gênio dentro do cinema, embora o sabor de suas produções mais recentes já não seja o mesmo dos áureos tempos de fertilidade criativa. Polêmico por natureza e opção, avesso à religiosidade e dono de um humor auto-depreciativo único, lança um carisma espaçoso. Difícil não simpatizar com um cara desses.&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;Ponto Final&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Match Point&lt;/em&gt;, Inglaterra, Estados Unidos, Luxemburgo, 2005) Allen abandona sua Nova Iorque habitual, as neuroses e o egocentrismo para dirigir na Inglaterra um roteiro brilhante, que resgata as boas e velhas tramas sobre ligações perigosas de meados do século passado e lhe valeu a indicação para o Globo de Ouro e para o Oscar na categoria. A história intrincada de drama e suspense trata de paixão, luxúria e ambição, tendo como mote inspiradas reflexões sobre as vantagens e venturas da sorte. &lt;em&gt;É preferível ser sortudo a ser bom&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Jonathan Rhys-Meyers está excelente como o protagonista Chris Wilton, um ex-jogador de tênis profissional que começa a dar aulas em um clube privativo de Londres. Lá conhece Tom Hewett (Mathew Goode), um jovem de alta classe de quem se torna amigo, e cai nas graças da irmã do rapaz (Emily Mortimer). Essencialmente ambicioso, e não interesseiro, ele começa a ter acesso a um meio social e cultural muito distinto do seu – aquele ambiente aristocrático de pompa e tradição britânico que o cinema já se encarregou de nos apresentar. Imerso nesse mundo ao qual se acostumou com engenhosa facilidade, Chris põe em risco sua vida confortável ao desejar a noiva do cunhado (Scarllet Johansson, num papel com traços de &lt;em&gt;femme fatale&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;A direção de Woody Allen é tão boa quanto a trama que ele engendrou e o final espetacular evidencia o indisfarçável humor irônico e ácido que só uma mente insana como a dele seria capaz de criar. Atenção admiradores da boa arte: Allen não morreu. Em seu &lt;em&gt;Ponto Final&lt;/em&gt; (péssimo título em português, verdade seja dita) ele está vivo como há muito tempo não aparentava. O prazer é todo nosso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113976113176438138?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113976113176438138/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113976113176438138&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113976113176438138'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113976113176438138'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/ponto-final-match-point.html' title='Ponto Final - Match Point'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113967644863890667</id><published>2006-02-11T13:45:00.000-03:00</published><updated>2006-02-18T00:00:55.283-03:00</updated><title type='text'>O Segredo de Brokeback Mountain</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/blog.2.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/blog.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Insistir em levar às telas um roteiro perigoso que vinha sendo sumariamente recusado por produtores desde o fim da década de 90 não é lá uma idéia das mais sensatas. Apostar em dois atores jovens, bonitinhos e adorados por adolescentes frenéticas para interpretar cowboys americanos – um dos mais fortes arquétipos da virilidade masculina – que vivem um intenso caso de amor por vinte anos, seria então insanidade declarada. Mas foi assim que &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Brokeback Mountain&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005) levou milhares de espectadores aos cinemas para mostrar que coragem não faz mal à indústria e que o amor não precisa ser clichê para soar universal. Esse é um filme peculiar. Não por ser inusitado ao extremo, mas por trabalhar sua premissa com uma sensibilidade aguçada, respeitando os sentimentos que ela envolve sem se preocupar em rotulá-los. Um romance único, diferente dos que estamos acostumados a ver, com um poder de comoção absurdo, quase inexplicável. E de uma idéia que tratada de outra maneira poderia fazer barulho demais, gritando em nome de uma causa e remetendo à facilidade das apologias, somos agraciados com o silêncio e com a suavidade de murmúrios. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Brokeback Mountain&lt;/em&gt; não é um filme gay. Seria medíocre demais reduzir uma obra tão densa a isso. &lt;em&gt;“Estamos apenas contando uma história de amor, sem adjetivos”&lt;/em&gt;, foi o que disse Heath Leadger, um dos protagonistas da trama. E não haveria definição melhor. O que vemos narrado aqui é essencialmente um amor impossível, pouco importa se gay, hétero ou simpatizante. Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennis Del Mar (Leadger) se conhecem no verão de 1963, quando tornam-se pastores de ovelhas na montanha Brokeback. No isolamento daquele lugar nasce uma paixão incontrolável. Com o fim do trabalho, Ennis e Jack se separam e seguem caminhos distantes. O primeiro, já de casamento marcado, constrói uma vida acomodada com a esposa Alma (Michelle Williams, que fez por merecer suas indicações à atriz coadjuvante), enquanto o segundo se casa com uma rica moça texana (Anne Hathaway). Quatro anos mais tarde eles voltam a se encontrar, retomando o relacionamento que nunca esqueceram.&lt;br /&gt;Essa não é uma história de fácil absorção. O amor que testemunhamos exala uma intensidade que pode levar tempo para ser digerida. E o filme escancara o preconceito dentro da sala de cinema: nas duas sessões a que assisti, risadas nervosas que mostravam o incômodo causado pela falta de costume com o que estava sendo mostrado na tela - o que, no mundo de hoje, chega a ser um absurdo digno de dó - quebravam o silêncio das lindas cenas da projeção. Aos “espirituosos” de plantão, fica a dica: na próxima, abandonem o recinto a tempo e se refugiem na sessão de &lt;em&gt;Vovó zona 2&lt;/em&gt; ao lado. O filme não procura agredir ou chocar o público para abrir a polêmica que ronda sua premissa. Essa seria uma saída fácil. A relação entre Jack e Ennis é difícil de ser definida. É necessária, vital, delicada e agressiva ao mesmo tempo. É bonito ver aqueles homens tão másculos – sim, eles o são – nos momentos de carinho (e os enquadramentos são grandes responsáveis por isso, mérito não só do diretor Ang Lee, mas também da fotografia). E angustiante vê-los em momentos brutos impulsionados pelos sentimentos incontroláveis com os quais ainda não sabem lidar. Tão angustiante quanto é para eles. &lt;em&gt;Love is a force of nature&lt;/em&gt;, diz o emblema do filme. É assim a paixão dos dois cowboys: não se pode evitar. E permanece intensa, incapaz de ser controlada, à margem de todo o resto da vida real. Prazer e sofrimento convivem em um amor difícil, cada vez mais insustentável, mas ainda essencial. A rotina é levada por carinho fraternal, conveniência ou por uma obrigação de tocar a vida da maneira esperada. Ennis, com a criação grosseira e rude que teve, é um homofóbico. Ao contrário de Jack, que quer a todo custo assumir o relacionamento, ele não aceita o que sente, impondo a si mesmo uma vida solitária de punição como preço a ser pago por não evitar aquilo.&lt;br /&gt;O contraponto entre as personalidades dos dois é fundamental e os atores conseguiram desenvolve-lo muitíssimo bem. Num filme que se apóia tanto nos olhares – e, mais ainda, em quando eles são evitados - nos longos silêncios, naquilo que não é dito por palavras, mas pelas menores sutilezas da ação, os protagonistas tornam-se a alma da história. E embora eu não ache que sejam eles os únicos e nem os maiores responsáveis pelo que ela consegue nos causar, ambos estão extremamente competentes nos papéis. Jake Gyllenhaal é perfeito nos olhares, nas expressões, nos pequenos gestos. Heath Leadger se apropria com segurança de um personagem bastante complexo. Corajosos, concentrados, dedicados, mostram que têm talento e só por aceitarem participar de um projeto com essa ousadia já merecem crédito. As atuações valorosas renderam indicações ao Oscar – e a vários outros prêmios – numa dessas pegadinhas que colocou Jake para concorrer como coadjuvante e Leadger como ator principal, embora ambos tenham a mesma importância na trama. A cena em que Jack acusa Ennis por nunca ter-lhe dado o que precisava é de arrasar (como tantas outras). Sem música ou qualquer ruído em cena que não a voz dos atores, nem mesmo o som ambiente, com movimentos de câmera que se restringem aos cortes de montagem e mudanças de enquadramento, tem uma força imensa. No fim da discussão há uma breve volta ao passado e revemos os dois em seu primeiro encontro na montanha, quando ainda ignoravam o futuro que viria – ou que não viria – desconhecendo o que a vida poderia fazer à seu amor. Naquele momento eles simplesmente viviam a paixão, alheios ao resto. Tinham o presente e um mundo aparte, apenas deles, naquele lugar. A cena termina com o olhar inocente e ainda não afetado de Jack, e o plano seguinte mostra o mesmo homem vinte anos depois, com um olhar que evidencia o desgaste daqueles anos. E rever aquele amor ingênuo, que se permitia despreocupado, já tendo agora consciência do destino que ele terá, dilacera o espectador. Compartilhamos aquilo com Jack, devastados como ele por algo tão intenso que não pôde ser plenamente vivido. Tudo o que aqueles dois homens têm depois de tanto tempo é Brokeback Mountain.&lt;br /&gt;Aqui não há técnicas brilhantes que chamem a atenção. A direção de Ang Lee é competente, mas nada de genial. A fotografia, ajudada pelo cenário majestoso, é de uma beleza comum e o que faz de melhor é contribuir nos enquadramentos. A montagem traz uma idéia mais conceitual, dando a impressão de que a trama lança coisas novas à todo momento, que não têm tempo de se instaurar, o que acredito ser parte da idéia. A música arrebatadora, repetida durante todo o desenrolar da história sem soar cansativa, passa angústia e solidão. O roteiro magnífico é muito semelhante ao conto homônimo que o inspirou, mas desenvolve a premissa com mais delicadeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Brokeback Mountain&lt;/em&gt; emociona por explorar um amor verdadeiro, de uma maneira real. A paixão aqui afeta irremediavelmente não só os protagonistas, mas os outros ao seu redor. Não se pode mesmo ir contra uma força da natureza. O ser humano é apenas possuído e segue impotente. E assim, com seu jeito&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;o longa&lt;em&gt; &lt;/em&gt;é triste, forte e maravilhoso. Quisera eu ser capaz de, como sugeriu um amigo, fazer o prazer que sentimos ao ver o filme se prolongar nesse texto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113967644863890667?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113967644863890667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113967644863890667&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113967644863890667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113967644863890667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/o-segredo-de-brokeback-mountain.html' title='O Segredo de Brokeback Mountain'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113933831844764631</id><published>2006-02-07T15:38:00.000-03:00</published><updated>2006-02-11T13:49:04.296-03:00</updated><title type='text'>Prévia</title><content type='html'>Muito bonito. Muito triste. Muito forte. Muito delicado. Muito peculiar.&lt;br /&gt;Muito mais.&lt;br /&gt;Prometo escrever sobre o filme no primeiro tempo livre que tiver. E aviso: vou gastar um montão de linhas!&lt;br /&gt;Mas já digo de antemão que &lt;em&gt;Brokeback Mountain &lt;/em&gt;é muito.&lt;span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113933831844764631?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113933831844764631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113933831844764631&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113933831844764631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113933831844764631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/02/prvia.html' title='Prévia'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113868386132762710</id><published>2006-01-31T02:01:00.000-03:00</published><updated>2006-02-07T16:22:18.476-03:00</updated><title type='text'>Munique</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/munich.0.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/munich.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;“Polêmico”?&lt;/em&gt; &lt;em&gt;“O filme mais corajoso de Steven Spielberg”&lt;/em&gt; (Cinema em Cena)? &lt;em&gt;“Uma investigação provocadora sobre o terrorismo”&lt;/em&gt; (Terra)? Nem tanto. Segundo o diretor, seu novo longa, inspirado no atentado sofrido pela delegação de atletas israelenses por terroristas árabes durante as Olimpíadas de Munique, Alemanha, em 1972, é uma &lt;em&gt;“oração pela paz”.&lt;/em&gt; Para mim, toda essa aclamação soa como muito barulho por pouca coisa – o que, aliás, é frequente no caso do cineasta em questão. &lt;em&gt;Munique&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Munich&lt;/em&gt;, Alemanha/Israel, 2005) trata de um tema vital e até tem uma boa abordagem, que evita os maniqueísmos. O que frustra é a impressionante capacidade de Spielberg em fazer de qualquer caso sério um pano de fundo para algo que não ultrapasse muito a complexidade de um filme de suspense-ação. Não digo que ele foi medíocre na forma de enxergar a questão, ou que se omitiu às discussões que ela levanta. Mas depois de ver um filme com a assinatura de Steven Spielberg costumo ter a sensação de que faltou algo (calma aficcionados, para tudo na vida há exceções, não me refiro a pérolas como &lt;em&gt;Império do Sol&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;E.T.&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;A Lista de Schindler&lt;/em&gt;, obras que nem eu ouso questionar). Sinto falta daquele subtexto, das idéias guardadas nas entrelinhas - a parte do filme que sobra para o espectador criar em sua mente. Spielberg, de alguma forma, não deixa espaço para tanto, daí a impressão frequente que me passa de nunca se afastar demais da superfície.&lt;br /&gt;Sem dúvida alguma o diretor domina a técnica e a narrativa com pefeição. Mas essa &lt;em&gt;habilidade&lt;/em&gt; rara acaba fatalmente se sobrepondo às idéias que ele explora em seus enredos. A reconstituição de época em &lt;em&gt;Munique &lt;/em&gt;é excepcional, acrescentada de forma absolutamente adequada pela fotografia, que parece nos transportar para a época. A inserção de imagens reais, retiradas de noticiários e afins, é importante para criar no público a tensão e a consciência inteligível, quase física, de que estamos em contato com um acontecimento verídico e que ainda perturba.&lt;br /&gt;Após o atentado que culminou no assassinato de onze atletas israelenses pelos palestinos - dois ainda no hotel, nove no aeroporto - e cinco dos terroristas mortos em uma tentativa de ação alemã, a então primeira ministra de Israel decide contra-atacar, para mostrar aos inimigos que &lt;em&gt;“matar judeus sai caro”.&lt;/em&gt; Então, um grupo secreto, liderado por Avner (Eric Bana, competente) que, apesar de ligado ao Mossad, não podia revelar qualquer relação com o governo israelense, é destacado para matar cada um dos que tramaram o ocorrido na Alemanha. E tem início um &lt;em&gt;thriller&lt;/em&gt; que toca em questões políticas e diplomáticas, como o envolvimento da CIA no Oriente Médio, a exigência de não atingir civis, o que seria desfavorável para a imagem de Israel, o dinheiro americano dado aos judeus, o perigo de atingir a Rússia em época de guerra-fria e, acima de tudo, como um conflito pode ter mais do que duas pontas, onde supostos aliados estão longe de ser incondicionais. Spielberg lança seu olhar sobre uma questão complexa, para a qual o mundo ainda não conhece respostas, e não tenta nos jogar para um dos lados da briga.&lt;br /&gt;Em momento algum o diretor condena claramente o atentado de Munique, embora não disfarce o seu horror. Mas evidencia como aquilo foi intolerável para os israelenses. Durante os momentos de expectativa enfatiza o sofrimento dos dois lados: famílias judias e palestinas, esperando pelo fim de um ataque terrorista televisionado, com perdas para ambos. E aí caímos nas recorrentes e infindáveis questões do tema. Aquele tipo de ação se justificaria por tratar-se de um artifício para os palestinos serem ouvidos? Aquele povo sem pátria luta para recuperar o que acreditam ser a sua nação, que é o lar, a identidade de um povo. Estão fazendo agora o que Israel fez para conseguir seu território: é uma espécie de sucessão histórica nessa briga, por motivos questionáveis, mas que não são facilmente condenáveis. É um círculo que nunca chega ao fim, alimentado por um ódio que move atos extremos - dotados de legitimidade moral, segundo creem seus participantes.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O lar é caro”&lt;/em&gt;, diz um personagem em certo momento. E Avner sentirá o peso dessas palavras quando começar a questionar o sentido de suas ações. Tudo aquilo é desculpável, é certo, justo? Nosso herói não tem certeza de que a lista de nomes a serem exterminados, dada pelo Mossad, é realmente dos que estiveram por trás de Munique. Aqueles podem ser apenas interessantes alvos políticos. &lt;em&gt;“Matando-os, judeus sobrevivem”&lt;/em&gt; e não é isso o que mais importa? O protagonista e sua equipe são apenas outro dentre tantos grupos &lt;em&gt;tratando do&lt;/em&gt; &lt;em&gt;problema.&lt;/em&gt; Mas assassinar todos os que ameaçam a segurança de seu povo não é apenas fazer com que eles sejam substituídos por outros piores? No fim, terroristas árabes e &lt;em&gt;Avners&lt;/em&gt; são farinha do mesmo saco: matadores dentro de uma guerra onde é impossível apontar um lado bom e um lado mal, retribuindo ataques e injúrias. São geradores de mortes em nome de uma causa que acreditam ser legítima, mas que vai atormentar o protagonista para sempre, até que, no fim, ele escolha se exilar de vez na &lt;em&gt;América&lt;/em&gt;, onde poderá, quem sabe, encontrar &lt;em&gt;paz&lt;/em&gt;, num &lt;em&gt;lar&lt;/em&gt; aparte dos conflitos – o que, convenhamos, foi de péssimo gosto.&lt;br /&gt;Por mais que possamos compreender o que se passa no interior do protagonista, isso não é suficiente para que ele estabeleça uma ligação forte com o público. A trama, com quase três horas, abarrotada de sequências de ação e suspense que intencionam ser tensas e pesadas, parece às vezes sempre a mesma coisa, e isso cansa. A história cheia de segredos cruzados e pontos misteriosos não pretende dar respostas às suas teorias conspiratórias, porque não trata de um caso simples. O tema vai muito além do atentado que impulsiona o enredo e do que o próprio filme engloba. O problema é denso. Quem continua na superfície é o diretor, que aqui até consegue incomodar às vezes, mas não a ponto de te puxar para o fundo. &lt;em&gt;Munique &lt;/em&gt;é o que se pode esperar e não mais do que nos acostumamos a ver nos últimos tempos de Steven Spielberg. Alguns podem alegar que sua nova obra tem algo de diferente, mas a verdade é que o espírito continua o mesmo: falta alguma coisa. Em suma, nome demais para resultado de menos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113868386132762710?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113868386132762710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113868386132762710&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113868386132762710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113868386132762710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/01/munique.html' title='Munique'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113862574141395549</id><published>2006-01-30T09:53:00.000-03:00</published><updated>2006-02-15T08:44:19.010-03:00</updated><title type='text'>Orgulho e Preconceito</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/pride.2.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/pride.2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Eis a verdade por trás do mito de Bridget Jones. Depois de uma primeira adaptação para o cinema em 1940, com Laurence Olivier e Greer Garson nos papéis principais, e da elogiada mini-série britânica protagonizada por Colin Firth e Jennifer Ehle, &lt;em&gt;Orgulho e Preconceito&lt;/em&gt;, o livro de Jane Austin que inspirou elementos de &lt;em&gt;O Diário de Bridget Jones&lt;/em&gt;, ganha sua terceira adaptação para as telas em um filme honesto e lindo de se ver &lt;em&gt;(Pride and Prejudice, &lt;/em&gt;Inglaterra, 2005)&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Aqui é Keira Knightley quem interpreta Elizabeth Bennet, uma jovem inglesa do século XIX de personalidade forte e espirituosa que durante um baile conhece o desagradável e orgulhoso Fitzwilliam Darcy, personagem de Matthew MacFadyen. A primeira impressão fará com que a moça jure ódio ao rapaz até o fim de seus dias, mas o tempo se encarregará de mostrar que ele é bem diferente daquilo que costuma aparentar. Dificuldades como as distintas posições sociais e o comportamento incoveniente da família de Elizabeth agravam os desencontros.&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Sim, premissa óbvia e trabalhada à exaustão durante esses quase 110 anos de cinema. Mas acredito que idéias simples como essa, emprestadas da boa literatura, não envelhecem. Ao contrário, mantém segredos a serem explorados. Por isso, ainda é possível revigorar um lugar comum munindo-se de talento. E o que não falta a esse filme são qualidades que lhe garantem o frescor. Em seu primeiro longa-metragem Joe Wright realizou um trabalho digno de elogios. A densidade da narrativa foi em muito acrescentada pela forma como o diretor a conduziu, criando cenas maravilhosas que sem dúvida alguma fazem o espectador absorver a trama de uma maneira toda especial. A preocupação com a profundidade de campo, a repetição de movimentos de câmera que revelam um cuidado técnico apurado, os planos-sequência, a movimentação quase coreografada dos atores em cena e os enquadramentos arrebatadores fazem toda a diferença na tela e na maneira como a história é contada. A bela fotografia, às vezes na penumbra, às vezes com feixes de luz rasgados, valoriza o ambiente bucólico e agrada os olhos. Uma trilha sonora viva emoldura com elegância o lindo quadro visual. Em suma, padrão de qualidade impecável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;O elenco não deixa faltar aquele traquejo inglês que se torna tão adorável em histórias desse tipo e participações de luxo como as de Donald Sutherland e Judi Dench são sempre um prazer. Confesso ter estranhado à princípio ver Matthew MacFadyen no papel que foi duas vezes de Colin Firth (já que Darcy saiu praticamente imutável do romance de Austin para o &lt;em&gt;best-seller&lt;/em&gt; de Helen Fielding, podemos assim considerar). E assumo que, passado o impacto inicial, ele conseguiu me conquistar como o mocinho introspectivo e grosseiro - mas dono de um charme arrebatador - que lá para as tantas começa a provar o que já era previsível desde o princípo: ele é o homem dos sonhos de qualquer mulher. Keira Knightley, intensa e sincera, dá carisma à heroína e o inevitável romance entre os protagonistas arranca suspiros bastante audíveis da platéia. A mocinha dentro da sala de cinema que não se derreteu vendo MacFadyen caminhar no campo durante o amanhecer, indo ao encontro da amada para declarar sua paixão, tem uma pedra dentro do peito. Absolutamente irresistível!&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Acho, inclusive, que aí reside o segredo do filme e de sua inspiração: o charme de época, dotado de uma inebriante tensão por algo que não é explicitado com agressividade, mas apenas sugerido, e a graça de uma historia simples, mas de forma alguma simplória, tornam-no irresistível. Defeitos? Sim, há. A edição peca um pouco, deixando a sensação de que determinados detalhes ou momentos foram suprimidos. E não nego que senti falta do mais batido dos clichês românticos ao final, ainda que ele não acrescentasse nada para a poesia do desfecho - nos últimos momentos fica fácil saber do que estou falando. O caso é o seguinte: pode acompanhar a fila do ingresso, comprar sua pipoca e se acomodar na sala de cinema, pois nenhum possível deslize tira o gostinho doce dessa projeção. Romance às antigas, lento, delicado, espontâneo e, mais do que tudo, suave. &lt;em&gt;Orgulho e Preconceito &lt;/em&gt;é como uma barrinha de açúcar guardada na gaveta do armário há algum tempo. E é sempre bom redescobrir esse tipo de delícia num lugar tão comum. Quem dera se a vida real fosse mesmo assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113862574141395549?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113862574141395549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113862574141395549&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113862574141395549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113862574141395549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/01/orgulho-e-preconceito_30.html' title='Orgulho e Preconceito'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113788434209257856</id><published>2006-01-21T18:51:00.000-03:00</published><updated>2006-01-23T12:05:02.200-03:00</updated><title type='text'>Salivando pelo segredo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/brokeback_mountain.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/brokeback_mountain.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bacana aqueles dois ali. Muito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Imagem não é tudo e nem sempre é prova de conteúdo, mas convenhamos que o cartaz de &lt;em&gt;O Segredo de Brokeback Mountain&lt;/em&gt; atrai. Bonito e delicado, não prentende chocar logo de cara, algo que a premissa ousada sobre o envolvimento homossexual entre os dois cowboys da foto já tem feito por si só. Mas instiga. Explorando uma imagem que remete aos romances clássicos do cinema - reparem na paisagem deixada ao fundo, na posição dos protagonistas, em suas poses - soube dar a esses lugares comuns uma nova conotação ao tomá-los emprestado para ilustrar uma trama polêmica, cujo tema ainda exige uma certa coragem para ser mostrado às claras em Hollywood.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece bom. Será mesmo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;À partir do dia 3 de fevereiro poderemos conferir num cinema bem próximo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113788434209257856?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113788434209257856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113788434209257856&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113788434209257856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113788434209257856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/01/salivando-pelo-segredo.html' title='Salivando pelo segredo'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113725770988537564</id><published>2006-01-14T13:41:00.000-03:00</published><updated>2006-02-20T21:15:29.220-03:00</updated><title type='text'>Soldado Anônimo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/1600/jarhead_03.1.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/2105/1402/320/jarhead_03.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe aquele velho chavão sobre estar no lugar certo na hora certa? Pois é, adaptando a premissa para o meio cinematográfico, pode-se dizer que nada melhor para ser alçado ao sucesso do que ter em mãos o roteiro certo incentivado pelo produtor certo. Em 1999, Sam Mendes, um consagrado diretor de teatro inglês estreante no cinema, provou ser também o homem certo para levar às telas um olhar corrosivo e humorado da famíla norte-americana típica no premiado &lt;em&gt;Beleza Americana.&lt;/em&gt; Seis anos depois e apenas mais um filme no currículo (&lt;em&gt;Estrada Para Perdição&lt;/em&gt;, de 2002), ele volta aos cinemas com &lt;em&gt;Soldado Anônimo&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Jarhead&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005). O diretor ainda não repete o brilhantismo do primeiro trabalho, mas retoma a boa forma criativa, lançando mão de sua espirituosidade para contar a história de Tonny Swofford (Jake Gyllenhaal), um jovem atirador americano mandado para a primeira Guerra do Golfo.&lt;br /&gt;O grande problema quando se assiste ao filme é tentar enxergar algum engajamento político nele. O que o longa tem de mais delicado - e polêmico - é justamente o fato de ser apolítico. O tema da primeira invasão dos Estados Unidos ao Iraque torna-se inevitavelmente atual devido ao contexto histórico que vivemos. Não é que o diretor ou o roteiro o evitem. A trama simplesmente não entra na questão ideológica. Assim, &lt;em&gt;Soldado Anônimo &lt;/em&gt;torna-se um filme&lt;em&gt; sobre guerra&lt;/em&gt;, mas não exatamente um filme&lt;em&gt; de guerra&lt;/em&gt;. Pelo menos não da forma como estamos acostumados a ver. E embarcar com o diretor nessa visão peculiar do conflito pode ser uma experiência inusitada e bem interessante.&lt;br /&gt;Em um momento ou outro o tema até rende inevitáveis alfinetadas à postura ianque, que não mudou muito ao longo da história. Mas o que o filme procura evidenciar é o comportamento dos soldados americanos. Aqueles &lt;em&gt;milicos&lt;/em&gt; treinados para serem máquinas de extermínio, enviados ao Oriente Médio para lutar em uma guerra política que foi realmente disputada e decidida no espaço aéreo, passaram meses acampados no deserto escaldante não fazendo muito mais do que teatro para a imprensa mundial. E a espera pela entrada iminente no conflito desenvolve uma tensão que mexe de forma agressiva com suas mentes. Daí o emblema do filme: &lt;em&gt;“A guerra é um inferno. Esperar para entrar nela é pior”&lt;/em&gt;. O que se vê em grande parte do tempo são montes de testosterona descontrolada de homens desapegados a ideologias e ávidos por colocar em prática o que lhes foi ensinado. A verdade é que aqueles jovens não se alistaram por motivos nobres ou honrosos. O exército é apenas um trabalho como qualquer outro, cujos motivos a grande maioria não se importa em questionar ou conhecer. Excluindo-se aí o personagem de Jammie Foxx e seu inflamado discurso sobre amar cada dia que passou no exército – às vezes não é possível fugir de certas convenções hollywoodianas.&lt;br /&gt;A direção de &lt;em&gt;Soldado Anônimo&lt;/em&gt; lembra um bocado a de &lt;em&gt;Beleza Americana&lt;/em&gt;. A trilha onipresente, que parece ter vida própria (novamente de Thomas Newman); a narração sarcástica; o humor ácido, fazendo piada nos recantos mais destroçados de uma situação; a ironia disfarçada de uma sutileza que incomoda; a falta de pudor em explorar os lados mais patéticos e humilhantes de seus personagens - uma das melhores especialidades do diretor. A fotografia de Roger Deakins evidencia ao invés de disfarçar, reforçando a sensação de incômodo, tanto pelo calor quanto pela falta do que fazer no deserto. Sam Mendes foge do maniqueísmo e não se preocupa em fazer o público simpatizar com o protagonista: ele é apenas mais um soldado anônimo naquele meio. Tal postura é muito semelhante à de &lt;em&gt;Nascido Para Matar, &lt;/em&gt;embora Stanley Kubrick trate do assunto com mais propriedade e profundidade. Além dele, o longa também faz referência explícita a &lt;em&gt;Apocalypse Now&lt;/em&gt; e a &lt;em&gt;Três Reis&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;O desenrolar da trama acaba não mantendo muitas de suas proposições iniciais, o que é uma pena. Mas o diretor - que se preocupa mais com a qualidade do que com a quantidade de filmes que realiza - ainda sabe usar Hollywood com talento. Conduzindo Jake Gyllenhaal, a estrela do momento, e coadjuvantes de luxo - entre eles os oscarizados Chris Cooper e Jammie Foxx - ao primeiro conflito entre Estados Unios e Iraque, em seu novo filme Sam Mendes leva às telas o horror da guerra por um ângulo bem incomum: o da falta de engajamento. E é incrível perceber que uma produção com essa temática não precisa mostrar militância ou influenciar opiniões para afetar o espectador e fazê-lo pensar sobre a situação. O cinema começou bem em 2006 com &lt;em&gt;Soldado Anônimo&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Wellcome to the suck!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113725770988537564?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113725770988537564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113725770988537564&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113725770988537564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113725770988537564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2006/01/soldado-annimo.html' title='Soldado Anônimo'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113518922073443601</id><published>2005-12-21T14:59:00.000-03:00</published><updated>2006-01-04T17:05:08.736-03:00</updated><title type='text'>King Kong</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ao ser anunciado que Peter Jackson colocaria de novo sua equipe no batente na Nova Zelândia para dirigir uma refilmagem de &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt;, surgiu uma tensão no ar. Ou ele arruinaria sua promissora carreira, ou se sairia incrivelmente bem, não havia espaço para meios-termos. Dezessete Oscar, alguns milhões de dólares arrecadados em bilheteria e notabilidade mundial (saldo da trilogia &lt;em&gt;O Senhor dos Anéis&lt;/em&gt;) são pesos que podem assustar. James Cameron, por exemplo, anda sumido desde &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt; (e não posso dizer que isso seja uma pena). Portanto, havia uma espera ansiosa em torno do novo projeto de Jackson. Com seu mais recente feito ele prova de cara duas coisas: um – é perfeito para dirigir superproduções e sua equipe de efeitos especiais é imbatível; dois – ele sabe contar bem uma história, seja ela qual for.&lt;br /&gt;Nas mãos do homem errado o longa poderia se tornar uma refilmagem desnecessária, beirando o ridículo (como é o caso da fita de 1976). O grande diferencial dessa nova versão de &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt; (Estados Unidos/ Nova Zelândia, 2005) é, sem dúvidas, seu diretor. Dentre todas as histórias que poderia contar, Jackson resolveu tirar do limbo a do primata gigante que se apaixona por uma bela loira. A partir disso, tendo em conta os elementos da trama (cuja primeira versão data de 1933) que, em grande parte, são absurdos ou simplesmente ridículos, é perceptível que o diretor fez, sim, um trabalho competente na condução dessa aventura. Sua câmera ainda é capaz de impressionar, mesmo quando não consegue surpreender. Os aspectos técnicos de sua obra – fotografia, reconstituição de época, direção de arte, cenografia – são impecáveis, realizados com um esmero tão absoluto que imuniza críticas e dispensa comentários. É bem verdade que nada é perfeito. Ainda é impossível que certos efeitos não pareçam falsos. A sequência protagonizada por dinossauros, particularmente, já foi melhor realizada por Steven Spilberg. Mas, ainda assim, a equipe de Jackson é capaz de levar à tela momentos tão impressionantes que são difíceis de serem superados por qualquer outra coisa já vista no cinema.&lt;br /&gt;Tudo em &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt; é gigante, resultado, talvez, da megalomania do diretor. A trilha sonora - que teve menos de dois meses para ser concebida - não se equipara a de &lt;em&gt;O Senhor dos Anéis&lt;/em&gt;, mas é grandiosa e define a ação. Nas primeiras cenas, quando o conflito começa a se instaurar, ela soa como um prelúdio de todo o drama e aventura que vêm pela frente. Esses momentos iniciais são um bocado irregulares, às vezes quase forçados. Na verdade, não questionamos muito como as coisas acontecem aí, pois já sabemos de antemão que elas têm que acontecer para que a trama se desenvolva. É da Nova Iorque de 1933, em plena depressão, quando as aberrações tornavam-se espetáculos públicos, que parte o navio rumo à misteriosa Ilha da Caveira, levando os personagens dessa história. Como destaques temos o cineasta Carl Denham (Jack Black), um homem tão obcecado por fama e glória que chega a ser um lunático, a mocinha Ann Darrow (Naomi Watts), uma pobre e desesperada atriz de &lt;em&gt;vaudeville&lt;/em&gt;, e Jack Discroll (Adrien Brody), um conhecido autor de teatro, que faz as vezes do mocinho. Quando Ann, depois de ser oferecida em sacrifício ao monstro pelos nativos da ilha, é levada por esse, Jack enfrenta todos os perigos da selva para resgatá-la. Ele é o herói perfeito: salva a heroína, protege e conforta inocentes, mas seus esforços não são suficientes. A bela enamora-se mesmo pela fera: Kong, o gorila de 7,5 metros que, em sua paixão, dedicou à moça uma devoção tão grande como nenhum ser humano foi capaz de fazer. A ligação entre a delicada mulher e o primata feroz faz o medo ser substituído pela intimidade, em um amor inatingível, fatal, mas que traz confiança, paz e entrega. Pouco importam o tamanho ou a quantidade de pêlos, Jack e Kong são rivais no amor de Ann, e isso se torna bem claro nas cenas finais.&lt;br /&gt;O ótimo elenco também merece glórias. Dar veracidade aos papéis dentro de um enredo tão absurdo, com um gorila gigante, dinossauros e outras criaturas bizarras, é um desafio. A atuação sempre corre o risco de cair no falso ou no burlesco. Entra em cena então mais uma das especialidades de Peter Jackson. Ele sabe dirigir com primor os seus atores, o que faz a diferença na tela. Os protagonistas seguram o filme com taleto e o diretor sabe extrair de cada um deles aquilo que têm de mais peculiar para compor os personagens: o charme inexplicável de Adrien Brody, o humor intrínseco de Jack Black, a intensidade delicada de Naomi Watts. E a absoluta força expressiva do gorila que dá título ao filme – mais uma vez Andy Serkis por trás de uma criatura difícil de crer que seja digital.&lt;br /&gt;O que há de mais em &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt;? Números astronômicos (dentre eles o cachê de U$20 milhões do diretor e o orçamento de U$207 milhões do filme), efeitos de embasbacar, ação absurda e quase ininterrupta de tirar o fôlego, uma trama bem desenvolvida e um drama capaz de gerar emoção sincera. Graças a Peter Jackson e seus colaboradores, o que vemos durante as exageradas três horas de projeção é um entretenimento de qualidade, homenageando o original de 1933. E se esse neozelandês determinado já conseguiu conquistar o mundo com a saga dos &lt;em&gt;hobbits&lt;/em&gt;, elfos e homens de virtude que chegaram ao extremo de suas forças para proteger um anel, por que não dar uma chance ao macaquinho que carrega um amor tão grave quanto o seu timbre de voz? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113518922073443601?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113518922073443601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113518922073443601&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113518922073443601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113518922073443601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/12/king-kong.html' title='King Kong'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113509077300538547</id><published>2005-12-20T11:40:00.000-03:00</published><updated>2005-12-22T17:25:54.703-03:00</updated><title type='text'>As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um mundo fantástico povoado por seres incríveis, palco de uma aventura épica. Seria essa uma nova versão da famosa trilogia que arrasou as bilheterias do mundo todo? Não, não se trata de &lt;em&gt;O Senhor dos Anéis&lt;/em&gt;, mas de uma obra com uma premissa bem semelhante. &lt;em&gt;As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Gurada-Roupa&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe&lt;/em&gt;, Estados Unidos, 2005) é a mais recente adaptação dos contos homônimos de C. S. Lewis – a primeira para o cinema, no entanto. As semelhanças entre as duas histórias não são, todavia, mera coincidência e as comparações são inevitáveis. Lewis era discípulo de J. R. R. Tolkien, autor da saga do anel. Esse, católico devoto, convenceu o amigo e colega a aceitar o cristianismo. E embora nunca tenha se convertido a nenhuma de suas denominações, Lewis tornou-se um cristão militante. Mais um pensador sobre a fé do que um seguidor de dogmas, na verdade. Suas &lt;em&gt;Crônicas de N&lt;/em&gt;á&lt;em&gt;rnia&lt;/em&gt;, execradas por Tolkien, são uma miscelânea de magia, misticismo e simbolismo cristão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A produção não tem a imponência e magnitude de &lt;em&gt;O Senhor dos Anéis&lt;/em&gt;, mas merece respeito. Torna-se um caso peculiar de filme para crianças, exatamente por ser infantil. De uns tempos pra cá, as produções voltadas para os pequenos têm refletido temáticas menos ingênuas, na tentativa óbvia de não agradar apenas às crianças, mas também aos mais velhos, que acompanham a meninada ao cinema. Dirigida por Andrew Adamson (dos dois &lt;em&gt;Shrek&lt;/em&gt;, alguns dos infantis mais adultos de que se têm notícias), &lt;em&gt;Nárnia&lt;/em&gt; dá credibilidade com elegância às fantasias dos mais novos.&lt;br /&gt;Não que falte à história idéias mais elaboradas entre uma brincadeira de criança e outra. Do Minotauro ao leão que dá sua vida para salvar um pecador e torna a viver, o que há em abundância na obra de Lewis são referências embutidas nas entrelinhas - sejam da mitologia grega ou da cristã. Aslam (voz de Liam Neeson) é o &lt;em&gt;verdadeiro rei&lt;/em&gt;, o messias há tanto esperado e os quatro irmãos humanos são a chave da profecia que se cumpre: a libertação de Nárnia, que há cem anos vivia coberta por uma neve eterna, sob a tirania da Feiticeira Branca (Tilda Swinton). Mas, apesar de todo esse subtexto, &lt;em&gt;As Crônicas de Nárnia&lt;/em&gt; é essencialmente uma história infantil, sobre as fantasias e o universo de imaginação que existem na mente das crianças.&lt;br /&gt;Os heróis são os Pevensie (os &lt;em&gt;filhos de Adão&lt;/em&gt; e as &lt;em&gt;filhas de Eva&lt;/em&gt;): irmãos ingleses levados para o interior quando começam os bombardeios alemães a Londres durante a Segunda Guerra Mundial. Em um dos quartos da nova casa, descobrem um guarda-roupa cujo fundo é uma passagem para Nárnia e, a partir daí, terá início uma luta épica para salvar esse reino mágico, povoado por animais falantes, faunos, centauros e criaturas monstruosas. As crianças serão cavaleiros, reis e rainhas nessa terra. Por fim, as fantasias soam tão verdadeiras que já não sabemos mais se o mundo real fica dentro ou fora do armário.&lt;br /&gt;O primeiro momento do filme, que transcorre à medida que os irmãos vão, um a um, descobrindo o segredo do guarda-roupa, é adorável. Muito bem feito e desenvolvido, carregado de suspensão e mistério. São essas primeiras cenas que conquistam o público e fazem-no se interessar pela história. O meio da trama é mais irregular e cai um pouco, mas Adamson parece perceber a falha e tenta consertá-la nos últimos momentos, em uma batalha de encher os olhos entre a Feiticeira Branca e os seguidores de Aslam. Os momentos finais recuperam a doçura dos primeiros. O elenco infanto-juvenil tem carisma e, considerando-se que na maior parte do tempo contracenaram com &lt;em&gt;“dublês”&lt;/em&gt; dos personagens digitais, fizeram bonito. Georgie Henley se destaca como a pequena Lucy, encantadora e sincera ao extremo, sobretudo nas cenas com James McAvoy (também encantador como fauno Sr. Tumnus). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tecnicamente, o filme não é ruim. Tem bons efeitos, mas não faz nada além daquilo que já foi mostrado em produções como a de Peter Jackson ou em alguma das sagas de Harry Potter. Muitas vezes não chega nem perto de fazê-lo e não é por eles que &lt;em&gt;Nárnia&lt;/em&gt; se destaca. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo discutir se a versão cinematográfica da aventura dos irmãos Pevensie foi realizada em conformidade com o livro. Toda essa discussão de fidelidade à obra original costuma me soar um bocado recorrente. Um livro é um livro, demora dias, semanas ou meses para ser lido e absorvido de acordo com a imaginação de quem o tem em mãos, e não é a ele que se refere a minha análise. Um filme é um filme, materialização do que um determinado grupo imaginou sobre uma história e leva apenas algumas horas para ser consumido. É a isso que me atenho. Se &lt;em&gt;As Crônicas de Nárnia &lt;/em&gt;conseguiu ser o retrato perfeito do que Andrew Adamson e sua equipe imaginaram para o livro de C. S. Lewis, eu não sei. O filme é bonito, caprichado, delicado e honesto. Tem suas falhas e não consegue ser grandioso a ponto de embasbacar. De quaquer forma, sendo o primeiro trabalho de Adamson em um &lt;em&gt;set&lt;/em&gt; de gravações, à frente de atores de carne e osso em uma super-produção, mostrou-se um feito competente do pai de Shrek. Se ele continuar a seguir as pegadas de Peter Jackson na Nova Zelândia, pode ser que se mostre um discípulo bem interessante. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113509077300538547?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113509077300538547/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113509077300538547&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113509077300538547'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113509077300538547'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/12/as-crnicas-de-nrnia-o-leo-feiticeira-e.html' title='As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113314947722274994</id><published>2005-11-28T00:37:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:25:11.516-03:00</updated><title type='text'>Harry Potter e o Cálice de Fogo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Assustador, emocionante, instigante... impressionante. São para mim as quatro palavras fundamentais que definem &lt;em&gt;Harry Potter e o Cálice de Fogo&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Harry Potter and the Globet of Fire&lt;/em&gt;, Estados Unidos/Inglaterra, 2005). Não posso fazer uma crítica sincera e definitiva desse filme por um único motivo: não vi os anteriores, dirigidos por Chis Columbus e Alfonso Cuarón. Portanto, embora tenha alguma noção da história, não compreendo elementos básicos do universo do feiticeiro mais pop do momento. Não sei o que se passa com a sua cicatriz, não faço idéia do que aconteceu com Sirius Black no longa anterior e não entendo a real importância de muitos dos personagens. Nem vou discutir se a quarta aventura de Harry é fiel ao texto de J. K. Rowling, por dois motivos. Primeiro: também não li nenhum dos livros. Segundo: toda essa discussão de &lt;em&gt;"captar o espírito da obra"&lt;/em&gt; costuma me soar um tanto quanto redundante, e, além do mais, não sou eu quem vai dizer qual é o espírito do que Rowling escreveu. De qualquer forma, não poderia deixar de redigir ao menos algumas linhas sobre &lt;em&gt;Harry Potter e o Cálice de Fogo&lt;/em&gt;, ainda que sob tais condições. Prometo fazer uma crítica decente depois de assistir aos outros filmes e aumentar meus conhecimentos sobre toda a magia que cerca Hogwarts. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nessa seqüência, Harry é desafiado a conquistar a glória eterna no Torneio do Tribuxo, enquanto o temido - e temível - Lorde Voldemort (um quase irreconhecível Ralph Fiennes) tenta recuperar sua forma humana. À parte de tudo isso, ele vai descobrir que não é fácil lidar com garotas e que ser um bruxinho especial não o livra dos iminentes transtornos da adolescência. Mike Newell (do simpatico &lt;em&gt;Quatro Casamentos e Um Fuberal &lt;/em&gt;e do insípido &lt;em&gt;O Sorriso de MonaLisa&lt;/em&gt;) fez um ótimo trabalho na direção da nova saga. O setor de arte foi tão competente na caracterização desse mundo mágico que dá vontade de penetrar nele. O trabalho técnico impecável, os efeitos especiais tão bem feitos, o texto divertido, com linguagem accessível e as participações especiais de veteranos dando um charme a mais ao elenco tornam irresistível essa materialização do universo de Harry, familiar a todos aqueles que já precisaram sair da infância e crescer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A quarta aventura do bruxinho nas telonas é agitada, sombria e pouco ingênua. Mais capaz de assombrar as criancinhas do que de simplesmente divertí-las. E quem disse que cinema infanto-juvenil deve ser raso e inocente? O filme é, na verdade, uma boa pedida para qualquer um que aprecie produtos bem acabados. Essas duas horas e meia de projeção conseguiram, enfim, vencer minha longa resistência e o jovem feiticeiro que se tornou mania mundial tem agora uma nova fã. De todas as grandes produções desse ano confuso, &lt;em&gt;Harry Potter e o Cálice de Fogo&lt;/em&gt; foi a que mais me impressionou. Então, que venham agora Peter Jackson com seu &lt;em&gt;King Kong&lt;/em&gt; e Adrew Adamson com &lt;em&gt;As Crônicas de Nárnia&lt;/em&gt;! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113314947722274994?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113314947722274994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113314947722274994&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113314947722274994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113314947722274994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/11/harry-potter-e-o-clice-de-fogo.html' title='Harry Potter e o Cálice de Fogo'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113301136287477413</id><published>2005-11-26T09:09:00.000-03:00</published><updated>2006-01-17T03:02:33.726-03:00</updated><title type='text'>A conspiração das HQs</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em um dos meus não raros momentos de insônia e divagação madrugada a dentro formulei uma teoria de grande relevância - e nem por isso dotada de algum sentido - sobre a vida, o universo e tudo mais. Está bem, talvez a minha teoria da conspiração não seja tão relevante assim. Mas, se você tem um mínimo de interesse que seja pelo cinema e pelas engrenagens da sua indústria, meus devaneios são, no mínimo, pertinentes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo começou com a seguinte reflexão: neste ano de 2005 tivemos a volta do &lt;em&gt;Batman&lt;/em&gt; em grande estilo; o retorno do &lt;em&gt;Superman&lt;/em&gt; pretende dominar 2006 e a terceira aventura do &lt;em&gt;Homem Aranha&lt;/em&gt; promete em 2007. Então, como diz o tema do primeiro &lt;em&gt;Spiderman&lt;/em&gt;, interpretado pelo Nickleback, &lt;em&gt;"and they say that a hero can save us"&lt;/em&gt;... o melhor, no caso, seria &lt;em&gt;"stand here and wait"&lt;/em&gt;, porque há um grande herói dos quadrinhos para salvar os aficcionados em adaptações de HQs a cada ano, em produções tão grandes quanto os poderes desses ícones! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas é claro que tal situação não se deve a um caso do acaso. As produtoras e distribuidoras não seriam estúpidas a ponto de colocarem seus cofrinhos de dinheiro se degladiando nas bilheterias. A melhor estratégia é reservar para cada herói seu momento de glória. Embora nem sempre seja possível evitar um embate entre os astros da &lt;em&gt;Marvel&lt;/em&gt; (que voltaram a ativa há algum tempo) e os da &lt;em&gt;D.C. Comics&lt;/em&gt; (que andavam mais escondidos)... 2006 é também o ano em que os &lt;em&gt;X-MEN&lt;/em&gt; chegam aos cinemas com a terceira sequência de sua franquia e o maior desafio dos mutantes será enfrentar o poder de seu criador. Não, não me refiro ao Prof. Xavier, mas a Brian Singer, o diretor dos dois primeiros filmes da série que, após receber uma proposta mais atraente da &lt;em&gt;Sonny,&lt;/em&gt; abandonou a &lt;em&gt;Fox&lt;/em&gt;, suas criaturas e a direção do projeto que estava sendo desenvolvido para ser visto nas telas em 2005, indo conduzir a reaparição de um herói que estava bem sumido: &lt;em&gt;Superman&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acredito que os mutantes mais queridos dos quadrinhos tenham se prejudicado bastante com a desistência de Singer. Não só com a onda de incertezas que se seguiu em relação ao roteiro e a direção da nova aventura - cujo desfecho não agradou muito - mas, principalmente, pela perda da marca do diretor, que foi capaz de realizar trabalhos tão bons à frente dos &lt;em&gt;X-MEN&lt;/em&gt;. O teaser de &lt;em&gt;Superman Retuns&lt;/em&gt; já foi lançado e parece ter agradado o público. No confronto entre as duas produções, algo me diz que Singer vai dar a vitória à &lt;em&gt;Sonny&lt;/em&gt; e à &lt;em&gt;D.C. Comics&lt;/em&gt;. O que é uma pena, pois confesso que Wolverine e companhia sempre foram os meus preferidos. Mas, como isso tudo são apenas especulações, quem sabe os dois longas não conseguem cair nas graças da crítica e do público e dividir os holofotes? Prejuízo nas bilheterias eu duvido muito que algum deles vá ter.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As adaptações de quadrinhos voltaram com tudo. Ganham cada vez mais força e se consolidam como um gênero cinematográfico - que têm-se mostrado bastante rentável. De &lt;em&gt;Demolidor&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt;, de &lt;em&gt;O Justiceiro&lt;/em&gt; a &lt;em&gt;Os trezentos de Esparta&lt;/em&gt;, não importa a premissa - e muitas vezes nem a qualidade do filme - os temas de HQs têm público para serem vistos nas telonas. E uma série de projetos nesse sentido está saindo das gavetas para se materializar no cinema. Mas ainda acredito que há UM grande herói para cada ano. Pelo menos no que se refere aos mais tradicionais. O futuro vai provar se minha teoria conspiratória desconexa tem fundamentos ou não. De qualquer forma, fica uma pergunta de cunho mais filosófico: por que será que nós, pobres mortais indefesos, precisamos tanto de heróis?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113301136287477413?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113301136287477413/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113301136287477413&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113301136287477413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113301136287477413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/11/conspirao-das-hqs.html' title='A conspiração das HQs'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113241606783348528</id><published>2005-11-19T12:52:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:24:36.580-03:00</updated><title type='text'>Hora de Voltar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Seria inútil disfarçar. Eu confesso: tenho um fraco enorme por filmes despretensiosos que acabam se mostrando pequenas pérolas cinematográficas. Geralmente essas jóias - nem tão raras assim - têm em comum o fato de serem produções de tamanho médio que surpreendem pela sensibilidade e originalidade do roteiro, pelas boas atuações do elenco (estrelar ou não), pelo belo trabalho técnico e pela escolha perfeita da trilha sonora. Em resumo: são filmes harmônicos, onde todos os elementos se encaixam para proporcionar ao espectador aquele prazer indescritível de acompanhar uma boa projeção. No meio de tantas produções sem alma, cujas idéias são retalhadas pelo poder de veto do capital, são filmes desse tipo que me fazem crer que a indústria do cinema ainda tem futuro como arte e objeto de reflexão.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hora de Voltar&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Garden State&lt;/em&gt;, EUA, 2004) não enfrentou grandes problemas com a indústria. Na verdade, foi inteiramente financiado pelo produtor Gary Gilbert, que tirou U$2,5 milhões do seu próprio bolso para bancá-lo. Gilbert fez um ótimo negócio apostando nessa estréia de Zach Braff (o J.D de &lt;em&gt;Scrubs&lt;/em&gt;) como diretor, já que, depois de ser exibido no &lt;em&gt;Sundance Film Festival&lt;/em&gt;, o filme foi vendido à 20th Century Fox e à Miramax por U$5,00 milhões.&lt;br /&gt;Braff não teve pouco trabalho em sua estréia. Além de dirigir com uma competência admirável e protagonizar o filme, foi responsável pelo roteiro (parcialmente auto-biográfico) e pela escolha da trilha. Ela cai como uma luva para o estado de espírito do protagonista, sendo ao mesmo tempo forte, sensível e melancólica. Andrew Largeman (Braff) é um ator mal-sucedido que trabalha em Los Angeles como garçom. Leva uma vida insípida devido aos fortes remédios que toma desde criança, receitados pelo pai, que o deixam em estado permanente de torpor. Após a morte da mãe ele é obrigado a voltar à Garden Sate, sua cidade natal, onde não pisava há tempos. E, à partir do convívio com os companheiros do passado e com uma nova amiga (Natalie Portman) ele vai descobrir sensações e sentimentos que também foram entorpecidos pela vida que costumava levar. Mas, acima de tudo, ele vai se descobrir.&lt;br /&gt;O que há de original e mais delicioso em &lt;em&gt;Hora de Voltar&lt;/em&gt; é o desenvolvimento da trama, povoada de personagens estranhíssimos, mas absolutamente humanos, de situações absurdas, mas perfeitamente coerentes e repleta de uma delicadeza que a faz a vida parecer difícil, mas ainda assim irresistível. Impressionante como os excêntricos personagens soam verossímeis, fazendo perceber o quanto cada um de nós é também cheio de esquisitices. A conclusão lógica é que não há nada mais normal do que ser bizarro. Nada mais humano do que se achar estranho e sem lugar. Nada mais peculiar do que uma vida. O que Andrew recupera ao fim dos poucos dias que passa em Garden State é uma existência sofrível, mas capaz de ser sentida, a sensação de lar que havia perdido há tempos e, sobretudo, a consciência de que essa vida é tudo o que ele tem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A despretensão sempre cai bem a uma obra que tem muito a dizer. &lt;em&gt;Hora de Voltar&lt;/em&gt; é melancólico e nostálgico, como muitas vezes é a vida. Tem um humor cuidadoso e uma perspicácia capaz de dar alegria ao que é triste. Simples assim, com inteligência, criatividade e sutileza, figura entre as pequenas pérolas que me fazem amar o cinema e o que ele ainda é capaz de fazer.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113241606783348528?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113241606783348528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113241606783348528&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113241606783348528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113241606783348528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/11/hora-de-voltar.html' title='Hora de Voltar'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113226135813216009</id><published>2005-11-17T17:38:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:24:00.966-03:00</updated><title type='text'>Manderlay</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt; é o segundo capítulo da trilogia &lt;em&gt;USA – Land of Oportunities&lt;/em&gt;, concebida pelo dinamarquês Lars von Trier para bombardear a sociedade norte-americana. O estilo é o mesmo visto em &lt;em&gt;Dogville&lt;/em&gt;, o primeiro título da série, de 2003. Depois do impacto visual sentido no filme anterior, que inovava causando incômodo e estranheza pela quase ausência de cenário e pela estética mais caracteristicamente teatral do que cinematográfica, em &lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt; esse artifício tornou-se um signo já reconhecível pelo espectador. Mais que reconhecível, tornou-se decifrável com uma maior facilidade.&lt;br /&gt;Lars von Trier rompe novamente com pontos do movimento que ajudou a criar, o &lt;em&gt;Dogma 95&lt;/em&gt;. Apesar de o cenário não contar com mais do que o necessário para que a história se desenvolva, a gravação é feita em estúdio, sem o uso exclusivo da câmera na mão, há luz externa e uma tímida - mas presente - trilha sonora (proibições estipuladas pelo Dogma). Em &lt;em&gt;Dogville&lt;/em&gt; a inexistência do cenário tinha um sentido mais conceitual do que em &lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt;, servindo para evidenciar que a pequena cidade seguia sua vida sem que ninguém se desse conta do que acontecia entre quatro paredes invisíveis, ou que, por vezes, era impossível esconder o caráter de seus habitantes por mais que as aparências tentassem disfarçar. De qualquer forma, a escassez do cenário concentra as atenções na atuação do elenco - muito bom, de Danny Glover à Jonh Hurt, com sua narração sutil e cruelmente irônica - e no texto, fazendo crescer de uma forma quase incômoda o poder dramático da narrativa.&lt;br /&gt;A nova trama se passa em outro canto isolado dos Estados Unidos. É 1933. Depois de sair de Dogville, Grace (aqui interpretada não por Nicolle Kidman, mas por Brice Dallas Howard, de &lt;em&gt;A Vila,&lt;/em&gt; que cria uma protagonista mais rígida e menos inocente), em companhia do pai (Willen Dafoe) e de seu bando de gangsters, vai parar em Manderlay, uma fazenda onde os empregados negros continuam sendo escravizados. Moralmente correta, após a morte da senhora das terras, Grace decide intervir - o que parece ser uma metáfora relativa à conduta de George Bush no Iraque - e supervisionar um novo tipo de relação entre os escravos agora libertos e a família branca de patrões. Mas os limites de sua benevolência serão mais uma vez testados nesse lugarzinho aparte do mundo.&lt;br /&gt;Por trás da pureza de intenções de Grace, de seu modelo de conduta moral e de sua nobreza há, talvez, um grave complexo de superioridade. Ela acredita saber mais do que qualquer um o que é certo e justo, e seu comportamento hostil em relação ao pai - cujos princípios condena, mas dos quais não consegue fugir - tem muito disso. Em Manderlay ela usará seu poder, o de coerção através da força, para impor sua visão de liberdade e tentar construir na fazenda uma democracia perfeita. Os escravos eram regidos por um sistema de controle baseado na psicologia, ainda mais aterrorizante e complexo do que parece ser a princípio. Eram divididos em classes numeradas, abrangendo cada uma delas um tipo psicológico. Viviam apáticos, acostumados a essa que era sua forma de sobreviver e de conviver harmonicamente. Harmonia que será abalada com a presença de Grace e sua tentativa de democracia, pois, estariam os habitantes de Manderlay preparados para tal experiência? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O governo do povo tem ainda o perigo de cair na ditadura da maioria. E como Grace deveria agir quando uma decisão da maioria fere seus imaculáveis princípios? O que ela deveria fazer quando não consegue evitar de sentir-se tentada pela sensualidade latente dos negros?&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt;, com toda a sua crítica ferrenha e discussões metafóricas sobre a sociedade americana, é um filme que gera mais perguntas do que respostas. O diretor não deixa clara aqui sua visão pessoal sobre as questões que propõe. A mais recorrente delas é: os escravos libertos estariam prontos para o mundo livre e esse mundo livre estaria pronto para eles? Após a abolição, essa sociedade deu algum passo para integrá-los e fazer com que se sentissem cidadãos desse mundo como outros quaisquer? Ou a América, personificada em Grace, não é capaz de ver que as marcas da escravidão não podem ser corrigidas com a simples abertura dos portões do escravismo? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que Lars Von Trier pretende com sua trilogia não é divertir o público, mas fazer vir à tona a hipocrisia que acredita estar imersa na sociedade do país que se proclama líder do mundo livre. Se você estiver disposto a levar mais um soco no estômago dirigido por Trier, entre numa boa sala de cinema e não tenha pudores de se incomodar com as infindáveis - e, por que não, necessárias - discussões que essa obra suscita. E não espere sair de lá com respostas em mente. &lt;em&gt;Manderlay&lt;/em&gt; expõe a doença, mas não pretende apontar sua cura.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113226135813216009?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113226135813216009/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113226135813216009&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113226135813216009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113226135813216009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/11/manderlay.html' title='Manderlay'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113200253802823461</id><published>2005-11-14T17:56:00.000-03:00</published><updated>2006-01-07T13:17:47.873-03:00</updated><title type='text'>Tudo Acontece em Elizabethtown</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Drew Baylor (Orlando Bloom) é, segundo sua própria definição, um &lt;em&gt;artista&lt;/em&gt; do mundo dos calçados, que trabalha para a maior empresa de esportes dos Estados Unidos. Ou melhor, trabalhava, já que, após produzir um tênis que gerou para a companhia um prejuízo de quase um bilhão de dólares, Drew perde o emprego e, de quebra, a namorada. Desesperado, ele volta para casa obstinado a cometer suicídio. Mas, enquanto colocava seu plano em prática, recebe um telefonema da irmã, avisando que seu pai havia falecido na pequena Elizabethtown e que Drew precisaria cuidar do funeral. A caminho de lá, sabendo que em alguns dias seu fracasso se tornaria público para todos aqueles que o admiram, ele conhece Claire (Kirstin Dunst), uma aeromoça maluquinha que se torna o sopro de esperança da vida que ele julgava perdida.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tudo Acontece em Elizabethtown&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Elizabethtown&lt;/em&gt;, EUA, 2005) é uma comédia-romântica sobre auto-descobrimento com ares de &lt;em&gt;road movie&lt;/em&gt;. E talvez tanta pretensão tenha sido demais para a fita. Dirigido e roteirizado por Cameron Crowe (&lt;em&gt;Quase Famosos&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Vanilla Sky&lt;/em&gt;), o filme é bonitinho e bem simpático. Isso não se pode negar. Mas tem seus erros (muitos até), que pretendo discutir ao longo desse texto.&lt;br /&gt;O maior de todos os problemas em &lt;em&gt;Elizabethtown&lt;/em&gt; é a insistência. Algumas das melhores cenas pecam por insistirem demais, sendo desnecessariamente longas. É o caso da primeira reunião da família paterna de Drew e da coversa de horas entre ele e Claire no telefone (sim, ela é significativa e intencionalmente grande, mas não precisava ser tanto). Insistência é também o vício em que cai a trilha sonora. Ela é belíssima e absolutamente adequada ao estilo do filme, mas quase ininterrupta, o que acaba cansando o espectador.&lt;br /&gt;Como comédia, o filme é regular. Tem boas piadas de humor negro, as melhores delas apenas visuais, e até que sabe fazer rir da desgraça. Mas, apesar de espirituoso, não consegue consolidar esse humor pouco ortodoxo claramente pretendido, o que é uma pena. Como trajetória de auto-descobrimento, ele é frustrante, não escapando muito do conteúdo dos mais que batidos manuais de auto-ajuda. Como &lt;em&gt;road movie&lt;/em&gt;, se mostra eficiente (embora ainda recaia na conotação de auto-ajuda), mas essa faceta seria melhor aproveitada se tanto da história já não tivesse transcorrido antes que ela tenha início.&lt;br /&gt;É como romance que &lt;em&gt;Elizabethtown&lt;/em&gt; mostra o que tem de melhor e mais original. A princípio, têm-se a impressão de que, como tantos outros pontos no filme, esse também não seria capaz de se instaurar. Mas ele se instaura, e bem. Ainda que seja absurdo – ou talvez exatamente por isso – ele convence, atrai e conquista. Drew e Claire são desconhecidos que não têm motivo algum para se aproximarem. Ela seria apenas a aeromoça da companhia aérea pela qual ele viajava, e ele não seria mais do que um passageiro como outro qualquer. Mas os dois têm algo em comum que Claire percebe imediatamente. Ambos são, de algum modo, pessoas &lt;em&gt;substitutas &lt;/em&gt;e por isso se conectam tão naturalmente. Pena o desnecessário final hollywoodiano dado para essa história ter feito escorregar um lado da fita que vinha se desenvolvendo tão bem.&lt;br /&gt;A química entre Orlando Bloom e Kirstin Dunst é um dos pontos fortes do filme. Na primeira impressão, Claire soa um tanto quanto inverossímel. Mas Dunst encanta no papel, criando uma mocinha doce, independente e de grande empatia. Bloom consegue seus melhores momentos quando o romance está em desenvolvimento. De resto, ele é bonito, charmoso, mas não tem lá um grande talento dramático. Mostra carisma e até consegue nos fazer simpatizar com Drew, mas é um ator raso demais, incapaz de atingir as exigências de seu papel. É espantoso que Cameron Crowe tenha escrito o roteiro pensando nele para protagonista. De duas uma: ou o personagem de Bloom realmente ainda não se deu conta de tudo que lhe aconteceu, ou foi Bloom que não se deu conta de seu personagem.&lt;br /&gt;Durante os 123 minutos desse filme, percebe-se sua ânsia de acertar. Mas ele não o faz por completo. Por vezes, parece se extraviar, saindo um pouco do seu caminho. Em geral, Elizabethtown é simpática, ainda que não te deixe totalmente à vontade. Desanda em suas pretensões, embora em alguns momentos seja capaz de te cativar de verdade. E todos sabemos que um filme é algo fundamentalmente subjetivo, que depende muito dos olhos de quem o está assistindo. Alguns poderão não encontrar nada que os encante nessa cidadezinha. Mas quem sabe &lt;em&gt;Elizabethtown&lt;/em&gt; não tem algo que encante você? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113200253802823461?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113200253802823461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113200253802823461&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113200253802823461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113200253802823461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/11/tudo-acontece-em-elizabethtown.html' title='Tudo Acontece em Elizabethtown'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113034435592245064</id><published>2005-10-26T12:21:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:23:14.796-03:00</updated><title type='text'>O de sempre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela tirou os olhos do prato e olhou pra ele. &lt;em&gt;“Cinco anos”&lt;/em&gt;, pensava. Há cinco anos atrás as coisas eram diferentes. Mas depois de tantos dias, tantos meses, tantos anos juntos, certas coisas passaram a ser orgânicas. O cinema da sexta a noite. Não importava mais que filme era. O futebol de domingo na televisão. Ela já nem se dava conta de que nunca gostou de futebol. A visita aos pais de quinze em quinze dias. Aquele silêncio tão comum parecia-lhe agora constrangedor. Os dois com os olhos no prato, distantes em seus pensamentos. Aquilo não parecia uma comemoração. De repente ela se deu conta de que há muito todas as comemorações eram assim. Sem surpresas, sem entusiasmo. &lt;em&gt;“Será, meu Deus, que nos tornamos um daqueles casais de quem sempre tive pena?”&lt;/em&gt;. Ela pensava.&lt;br /&gt;Ele não pensava. Com os olhos no prato, comia a refeição sem reparar no sabor. Não gostava de pensar. Não naquilo. Pensar pra que? Os dois já haviam se acostumado. Pensar se tornou um trabalho desnecessário. Uma ameaça à estabilidade. Mas por um momento ele lembrou do tempo em que a estabilidade não existia. Havia paixão. Havia algo que ele não sabia definir, mas que há muito já não sentia. Estranho lembrar assim de um tempo que lhe parecia tão longe.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Será, meu Deus, que somos mais um daqueles casais sem vida?”&lt;/em&gt;. Ela pensava. Será que depois de tanto tempo eles haviam esquecido o porque de estarem juntos? Comodismo talvez. Tinham afinidades. Quase não brigavam. Parecia um bom sinal. Será que aqueles dois tinham recebido a sorte de um amor tranqüilo? &lt;em&gt;“Será que eu quero esse amor tranqüilo?”&lt;/em&gt;. Ela pensava. E tinha medo de saber a reposta. Medo de descobrir que o que ela queria mesmo era sentir o sangue circulando nas veias novamente. Os olhos se encheram de lágrimas e ela voltou a olhar para o prato.&lt;br /&gt;Ele ainda olhava para o prato. Não tinha vontade de erguer seus olhos e encontrar os dela. Era preciso dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Mas ele não tinha nada a dizer. &lt;em&gt;“Por que a cada dia que passa temos menos a nos dizer?”&lt;/em&gt;. Ele pensava. E tentou não pensar. Por que de repente não conseguia parar de pensar? Ele não costumava pensar. Não naquilo. Pensar pra que? Os dois já haviam se acostumado. Pensar se tornou um trabalho desnecessário.&lt;br /&gt;Ela mantinha os olhos no prato ainda cheio. Aquele nó na garganta não deixava a comida descer. Ele não percebeu que ela segurava o choro. Se não segurasse, seria um pranto de horas. Aquilo não parecia uma comemoração. De repente ela se deu conta de que há muito todas as comemorações eram tristes. E de que os dias eram tristes. Teve vontade de gritar e sair correndo daquele restaurante. Correr pra longe dele. Por que não se mudava pra algum lugar bem longe? Longe o suficiente pra deixar aquele nó na garganta perdido no meio da estrada. &lt;em&gt;“Rio de Janeiro, talvez”&lt;/em&gt;. Ela pensava. Lá era bonito. Ela poderia freqüentar a praia e ter uma cor de pele diferente daquele amarelo mofado de quem não saia do escritório. &lt;em&gt;“Será que nós também estamos mofados?”&lt;/em&gt;. Ela pensava. E teve vontade de gritar e de correr.&lt;br /&gt;Ele não queria mais pensar no quanto pensar havia se tornado um trabalho desnecessário. Aquele silêncio de vinte minutos parecia ter durado a vida toda. Ele olhou para o prato dela, ainda cheio. E percebeu que ela estava segurando o choro. &lt;em&gt;“Chorar por que, meu Deus?”&lt;/em&gt;. Ele pensava. E começou a achar que aquilo não parecia uma comemoração. E que todas as comemorações haviam se tornado tristes assim. Parou de comer a refeição sem sabor porque o nó que surgiu na garganta não deixava a comida descer. O que poderia ser feito? Acabar com tudo? Deixá-la livre? Fugir pra algum lugar bem longe? &lt;em&gt;“Não!”&lt;/em&gt;. Ele pensava. Não podia. Por que não podia viver sem ela? Há cinco anos atrás as coisas eram diferentes. Mas talvez ele ainda a amasse. Há muito tempo não pensava sobre isso.&lt;br /&gt;Ela teve vontade de gritar e correr. Mas não o fez. &lt;em&gt;“E por que não?”&lt;/em&gt;, pensava. Por que não sabia viver sem ele? Depois daqueles cinco anos talvez ela ainda o amasse. Há muito tempo não pensava em outra coisa. Não estava feliz. Seria feliz sem ele? Ela não queria mais pensar. Não naquilo. Pensar pra que? Os dois já haviam se acostumado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ela tirou os olhos do prato ainda cheio e se deu conta de que os olhos dele olhavam pra ela. E a voz dele ainda tímida quebrou aquele silêncio de vinte minutos que parecia ter durado a vida toda. &lt;em&gt;“Mais vinho?”&lt;/em&gt;. Ele perguntou. &lt;em&gt;“Ou vai ser outra coisa?”&lt;/em&gt;. Ela deu um sorriso triste e respondeu sem entusiasmo. &lt;em&gt;“O de sempre”&lt;/em&gt;. E depois de fazerem o pedido de sempre ao garçom de sempre, os dois se olharam por um segundo antes de voltarem os olhos para os pratos de sempre. Não queriam mais pensar. Não naquilo. Pensar pra que? Os dois já haviam se acostumado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113034435592245064?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113034435592245064/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113034435592245064&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113034435592245064'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113034435592245064'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/o-de-sempre.html' title='O de sempre'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-113027260500893492</id><published>2005-10-25T17:27:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:22:55.986-03:00</updated><title type='text'>A Noiva Cadáver</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Uma história sobre paixão, romance e assassinato a sangue frio&lt;/em&gt;. Uma animação em &lt;em&gt;stop-motion&lt;/em&gt; com as vozes de Jhonny Depp e Helena Bonhan Carter. Um filme de Tim Burton. &lt;em&gt;A Noiva Cadáver&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Corpse Bride&lt;/em&gt;, EUA, 2005) tem motivos de sobra para atrair o público. Poucos cineastas contemporâneos despertam o amor – ou o ódio – do espectador como esse excêntrico californiano de 47 anos. Polêmicas à parte, há algo que não se pode negar. Burton consegue imprimir com habilidade sua marca às produções que dirige. E &lt;em&gt;A Noiva Cadáver&lt;/em&gt; não desmente seu estilo. A começar pelas parcerias que repetiu. Essa é a quinta vez em que Jhonny Depp protagoniza um filme de Tim Burton. É também seu quarto trabalho com Helena Bonhan Carter (sua esposa na vida real), o terceiro com Chistopher Lee e o segundo com Albert Finney. E se você já está familiarizado com o estilo do diretor de &lt;em&gt;Edward Mãos de Tesoura&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Ed Wood&lt;/em&gt;, sabe que em sua cartilha jamais faltam a fotografia sombria, o humor irônico, o sarcasmo e uma sorte de peculiares bizarrices nas entrelinhas.&lt;br /&gt;Nessa animação de 78 minutos, em que os protagonistas são bonecos de massinha, Burton tira mais uma vez da gaveta seu universo singular para contar a história de Victor Van Dorst (Jhonny Depp), um jovem que está de casamento marcado com uma moça que sequer conhece. Os pais de Victor são ricos emergentes e desejam ver o filho casado com uma jovem de família tradicional. Em contrapartida, os pais de Victoria Everglot (Emily Watson), a noiva prometida, estão falidos e vêem no casamento da filha a única saída para a penúria. Para os Van Dorst e os Everglot, o matrimônio não é mais do que um acordo de interesses. Útil, mas nunca agradável. Victor e Victoria sofrem com esse espírito prático dos pais. Ambos são românticos, sonhadores e sensíveis. Sentem-se como estranhos dentro de suas próprias famílias. E ao se conhecerem, um dia antes do casamento, apaixonam-se imediatamente. Mas uma reviravolta acontece e, num terrível engano, Victor acaba se casando com Emily (Helena Bonhan Carter), a noiva cadáver.&lt;br /&gt;No universo de Tim Burton, nada é muito simples. E ao longo da história vamos percebendo que nesse filme não há apenas uma mocinha que complete o herói. Em determinado momento não sabemos mais qual das duas merece ficar com Victor, porque ambas são perfeitas para ele. Emily não respira e não tem a face corada de Victoria. Tem um corpo já em decomposição, com ossos à mostra, um olho que salta e um verme metido à consciência dentro da cabeça. Mas tem sensibilidade para a música, para a dança e aspira por um amor que não teve em vida. E ainda que seu coração não bata mais, ela é capaz de derramar lágrimas ao perceber que Victor está envolvido com outra mulher.&lt;br /&gt;A fotografia sombria, em tom cinzento, do mundo dos vivos lembra o ambiente medonho de &lt;em&gt;A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça&lt;/em&gt;. O &lt;em&gt;mundo de cima&lt;/em&gt; é frio e assustador. Mais triste do que o &lt;em&gt;mundo de baixo&lt;/em&gt;, terra dos mortos, cujo colorido lembra bastante &lt;em&gt;Os Fantasmas se Divertem&lt;/em&gt;. Para Tim Burton, os defuntos parecem ter mais alegria e desprendimento do que os vivos. Danny Elfman, outro parceiro habitual do diretor, volta a colaborar na composição da trilha. As músicas que fazem as vezes de diálogos são divertidas, explicativas e repletas de alfinetadas. Têm um humor afiado que consegue fazer rir e emocionar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em &lt;em&gt;A Noiva Cadáver&lt;/em&gt; Tim Burton está em casa: no mundo incomum que sabe delinear tão bem, ao lado de gente em quem confia e se sente à vontade. Quem aprendeu a apreciar suas peculiaridades sabe que mergulhar no universo de Burton é sempre uma experiência nova e interessante. Nessa sua obra mais recente, esse cineasta nada convencional mostra outra vez que estranhamento também pode ser sinônimo de beleza, lirismo e poesia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-113027260500893492?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/113027260500893492/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=113027260500893492&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113027260500893492'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/113027260500893492'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/noiva-cadver.html' title='A Noiva Cadáver'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112984543712062022</id><published>2005-10-20T18:44:00.000-03:00</published><updated>2006-01-07T13:34:25.096-03:00</updated><title type='text'>Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Qual seria a sua reação ao ler uma mensagem dizendo que o amor da sua vida passou por uma operação que apagou todas as memórias referentes a você da mente dele? Em nosso mundo real isso seria inimaginável. Mas quando o assunto é Charlie Kauffman, nunca podemos esperar o trivial. Colocando John Cusack para trabalhar no andar sete e meio de um edifício em &lt;em&gt;Quero Ser John Malkovich&lt;/em&gt;, de 1999, ou emprestando sua identidade e a de um irmão gêmeo a Nicolas Cage em &lt;em&gt;Adaptação&lt;/em&gt;, de 2002, Kauffman ignora o sentido da palavra &lt;em&gt;inimaginável&lt;/em&gt;. Em &lt;em&gt;Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Eternal Sunshine of the Spoteless Mind&lt;/em&gt;, EUA, 2004) as bizarrices do roteirista são mais doces do que nunca. Dessa vez é Jim Carrey quem encarna o protagonista introspectivo e desiludido, marca registrada de Charlie. Depois de descobrir que sua ex-namorada Clementine (Kate Winslet) havia realizado um tratamento para apagar as lembranças de seu conturbado relacionamento, Joel Barish (Carrey) decide se submeter ao mesmo processo. Mas enquanto suas memórias vão sendo apagadas, Joel percebe que pior do que passar pela dor da separação seria esquecer todas as boas lembranças. E a partir daí ele vai travar uma batalha épica dentro de sua mente para não deixar que Clementine seja irremediavelmente apagada.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Brilho Eterno&lt;/em&gt; mostra nas telas um elenco talentosíssimo, de nomes já respeitados em Hollywood, como Jim Carrey e Kate Winslet, e outros que estão firmando agora seus lugares, como Mark Ruffallo, Kirstin Dunst e Elijah Wood. Mas o diretor Michael Gondry foi sincero ao declarar que a verdadeira estrela do filme é mesmo Charlie Kauffman. Depois de seis anos escrevendo para programas de TV, Kauffman estreou no universo do cinema com &lt;em&gt;Quero Ser John Malkovich&lt;/em&gt; e nessa primeira experiência já provou ao mundo ser dono de uma criatividade rara. O talento lhe abriu as portas da indústria cinematográfica e despertou o interesse das grandes estrelas em seus textos peculiares. E se existe uma lição a ser tirada de seus cinco trabalhos no cinema é: jamais limite seu controle criativo. Kauffman se tornou um roteirista de nome tão forte quanto o de um diretor e, na velha rixa entre as áreas de roteiro e direção para imprimir suas marcas às produções, ajudou a demonstrar que, ao invés de uma disputa, o ideal seria uma aliança entre as duas funções. Trabalhando dessa forma, realizou belos trabalhos em parceria com Spike Jonze (&lt;em&gt;Quero Ser John Malcovich&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Adaptação&lt;/em&gt;) e Michael Gondry (também diretor de &lt;em&gt;A Natureza Quase Humana&lt;/em&gt;, de 2001). Mas foi deixado de fora das filmagens e das mudanças no texto de &lt;em&gt;Confissões de Uma mente Perigosa&lt;/em&gt;, dirigido por George Clooney em 2002. O resultado foi um filme com roteiro defasado, sem o brilhantismo dos demais.&lt;br /&gt;Na mente imprevisível de Charlie Kauffman os personagens ganham traços de sua própria personalidade ou características que lhe atraem. Talvez venha daí a impressão freqüente de que, por mais improváveis que sejam as bases do mundo que ele cria, o roteirista sabe bem do que está falando. Aquele universo estranho, rico de subjetividade e metalinguagem, existe dentro dele. E &lt;em&gt;Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças &lt;/em&gt;não foge ao estilo. A começar pelo título, tirado do poema &lt;em&gt;Eloisa to Abelard&lt;/em&gt;, de Alexander Pope. Kauffman já havia feito referência ao poema em um show de marionetes de &lt;em&gt;Quero Ser John Malkovich&lt;/em&gt; e, procurando citações para Mary, a recepcionista vivida por Kirstin Dunst, se deparou com o seguinte trecho: &lt;em&gt;“Como é feliz o destino do inocente vestal. Esquecendo o mundo, pelo mundo esquecido. Brilho eterno de uma mente sem lembranças. Cada prece aceita e cada desejo atendido”&lt;/em&gt;. Gostou da melancolia desse pensamento e acreditou não haver título mais cabível. O filme é uma comédia-romântica triste, lírica e delicada que desperta alguns questionamentos. Se você e o seu amor tivessem uma nova chance, se arriscariam de novo mesmo sabendo que o final poderia não ser feliz? Vale a pena apagar uma parte da sua vida para evitar o sofrimento? O amor sobrevive mesmo a tudo?&lt;br /&gt;O filme tem início no dia dos namorados de 2004. Desiludido, achando sua vida desinteressante, Joel Barish, apesar de não ser uma pessoa impulsiva, mata o trabalho e vai para Montauk, sem saber bem o porque, já que a praia está gelada em fevereiro. Lá conhece Clementine, e se questiona &lt;em&gt;“por que eu me apaixono por qualquer mulher que me dê um mínimo de atenção”&lt;/em&gt;? O interesse que surge entre os dois, criaturas absolutamente diferentes, é imediato. E então vamos testemunhando a intimidade estranha de duas pessoas que acabaram de se conhecer, para, instantes depois, observarmos Joey dirigindo aos prantos, numa atitude clara de quem está sofrendo pelo fim de um relacionamento. Muito da história se passa na mente de Joel, enquanto suas memórias vão sendo apagadas. E essa invencionice de Kauffman foi o pretexto ideal para que o diretor Michael Gondry e sua equipe criassem o espetáculo visual que se vê na tela. &lt;em&gt;Brilho Eterno&lt;/em&gt; é um ótimo exemplo de como a técnica pode agir a favor da narrativa no cinema. &lt;em&gt;Jump-cuts&lt;/em&gt; (ou cortes que omitem ação), passagens de uma seqüência para outra sem cortes, imagens escuras que dão destaque aos pontos de luz colorida e uma capacidade imensa de aproveitar o improviso (como a cena do circo, que inicialmente não estava prevista no roteiro) constroem o universo espetacular e imprevisível do filme. Aqui, tudo é verossímil, porque grande parte da ação transcorre nos corredores da mente de Joel, como num sonho. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A peculiaridade de Charlie Kauffman, que se torna nítida nesse filme, é ser capaz de fazer o absurdo parecer natural de uma forma única e incrivelmente doce. Mas o mérito pela beleza e poesia de &lt;em&gt;Brilho Eterno&lt;/em&gt; não pode ser dado somente ao roteiro. É também da direção sensível de Gondry, do timing perfeito de Jim Carrey, contido quando deve ser e expressivo como só ele sabe ser quando é necessário, da vivacidade de Kate Winslet e da seriedade do talentoso elenco coadjuvante. A harmonia desse filme se deve muito à confiança que toda a equipe parece ter depositado na obra de Kauffman, o homem com uma mente cheia de idéias extraordinárias que, mais do que nunca, provou com essa história como algo tão delicado é capaz de te destroçar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112984543712062022?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112984543712062022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112984543712062022&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112984543712062022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112984543712062022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/brilho-eterno-de-uma-mente-sem.html' title='Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112914468634746503</id><published>2005-10-12T15:42:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:22:13.016-03:00</updated><title type='text'>Os Irmãos Grimm</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em certo momento de &lt;em&gt;Os Irmãos Grimm&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;The Brothers Grimm&lt;/em&gt;, EUA, 2005), os protagonistas Wilhem (Matt Damon) e Jacob (Heath Ledger), ao se verem no meio de uma situação misteriosa que não sabem como resolver, começam uma discussão. O prático, cínico e realista Will grita para o irmão que aquilo não é uma fábula. E o sonhador Jake responde categoricamente: &lt;em&gt;“então esse não é o seu mundo”&lt;/em&gt;. O diálogo resume com perfeição o espírito do longa. Para gostar de &lt;em&gt;Os Irmãos Grim&lt;/em&gt; é preciso, em primeiro lugar, se familiarizar com o universo peculiar que o diretor Terry Gilliam criou para esse conto de fadas sombrio. Responsável por filmes tão diversos como os do &lt;em&gt;Monty Phyton,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Brazil-O Filme&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Os 12 Macacos&lt;/em&gt;, seus trabalhos têm em comum o estilo, visualmente marcante. &lt;em&gt;Shrek&lt;/em&gt; faz graça com os contos infantis. O filme de Gilliam transforma-os numa história de terror. O visual carregado e incomum causa um impacto inevitável, para o bem ou para o mal. É exagerado, escuro, pesado, muitas vezes nojento e, sim, belíssimo ao seu modo. Alguns cenários são mais teatrais do que cinematográficos. Mas para toda essa excentricidade do diretor há uma desculpa. É fácil perceber que realismo não era uma das maiores intenções de Gilliam nessa fábula à sua maneira.&lt;br /&gt;Por trás do exuberante visual está a trama simples do filme, que se mostra uma aventura romântica divertida, recheada de referências, mas nada complexa. Na Europa do século XVIII, os irmãos Grimm percorrem a Alemanha ocupada por Napoleão Bonaparte ganhando dinheiro de forma escusa. De povoado em povoado, conquistaram fama exterminando bruxas, gigantes e monstros que eles mesmos criavam. Mas a engenhosa estratégia dos irmãos acaba sendo descoberta pelo comando francês e, para escaparem da punição, eles terão que resolver o mistério que envolve uma pequena aldeia, onde meninas começaram a desaparecer sem explicação.&lt;br /&gt;O filme traz um delicioso humor negro, quase sempre inofensivo. É capaz de fazer referência à muitos dos mais famosos contos-de-fadas dos irmãos. À exemplo de &lt;em&gt;Shakespeare Apaixonado&lt;/em&gt;, os autores aqui viram personagens de suas próprias histórias. Interessante como o roteiro foi capaz de criar não só esse diálogo entre autores e obras, mas também uma boa conexão das obras entre si. De repente, nesse universo fantástico e apavorante de &lt;em&gt;Irmãos Grimm&lt;/em&gt;, a madrasta da Branca de Neve e Rapunzel se tornam uma só personagem. &lt;em&gt;Chapeuzinho-vermelho&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;João e Maria&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Bela Adormecida&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Cinderela&lt;/em&gt; e tantos outros emprestam elementos para que o roteiro brinque com a imaginação do espectador, inserindo numa trama de aventura típica todas essas referências que os irmãos usariam futuramente em suas célebres histórias e que há séculos fazem parte de qualquer infância.&lt;br /&gt;Heath Ledger e Matt Damon se mostraram ótimas escolhas para os protagonistas. São jovens, trazem bons trabalhos no currículo e se esforçaram bastante nesse filme. Eles dão a essa produção tão carregada de elementos grande parte de sua leveza. Curioso que, a princípio, Damon interpretaria Jake e Leadger, Will. Mas, a pedido dos dois atores, os personagens acabaram sendo trocados. Os Grimm são donos de personalidades que se completam. Will é exageradamente realista. As fantasias que cria com o irmão são para ele uma forma de ganhar a vida apenas. Com Jake é exatamente o contrário. Nada é mais sério do que as histórias que elabora. Foi enganado na infância por um homem que lhe ofereceu feijões mágicos em troca do único bem de sua família: uma vaca (não soa familiar?). Por isso, vive sendo atormentado pelo irmão, cuja incredulidade será abalada ao se depararem com acontecimentos fantásticos que não saberão explicar. Jake acredita de tal forma naquele mundo de sonhos que seu destino acabará se parecendo com o de um verdadeiro príncipe encantado.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Os Irmãos Grimm&lt;/em&gt; é uma fábula dark, com visual imponente, movimentos de câmera que causam vertigem e criatividade. Dos personagens principais ao cenário, todo o universo aqui gira em torno da fantasia. Mas nos filmes tudo pode ser absurdo. E como diz a vilã interpretada por Monica Bellucci, a realidade costuma ser mais triste do que a ficção. Por isso, o melhor mesmo é ficar à vontade no mundo estranho de Terry Gilliam, deixar-se envolver e torcer, perante todas as adversidades, pelo &lt;em&gt;“e viveram felizes para sempre&lt;/em&gt;”&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112914468634746503?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112914468634746503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112914468634746503&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112914468634746503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112914468634746503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/os-irmos-grimm.html' title='Os Irmãos Grimm'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112897043767434613</id><published>2005-10-10T15:45:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:21:53.473-03:00</updated><title type='text'>A Feiticeira</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;A Feiticeira&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Bewitched&lt;/em&gt;, EUA, 2005) é uma produção confusa. Não que seu enredo, absolutamente simples, traga características para assim classificá-la. Com &lt;em&gt;“confusa”&lt;/em&gt; quero dizer que o filme mostra um certo número de erros e acertos que se equilibram na balança e tornam difícil dizer se essa comédia hollywoodiana despretensiosa é eficiente ou não. A fórmula é velha e bem clara: um elenco de astros (dos protagonistas Nicole Kidman e Will Ferrel a coadjuvantes como Shirley MacLaine e Michael Caine), numa premissa bobinha, misturando romance e comédia, para abocanhar o grande público. Isabel Bigelow (Kidman) é uma bruxa boazinha que se muda para a Califórnia em busca de uma existência regular, a contragosto do pai (Caine). Ela quer ser normal e encontrar um homem perdido que precise desesperadamente dela. Acredita ter achado isso em Jack Wyatt (Ferrel), um ator de cinema em decadência convidado para protagonizar o remake de &lt;em&gt;A Feiticeira&lt;/em&gt;, o bem-sucedido seriado de TV da década de 60. Envolvida por ele, Isabel aceita representar Samantha, a feiticeira da série. E, ao se sentir enganada por Jack, que queria apenas uma parceira de cena a quem pudesse ofuscar, a bruxinha vai causar uma série de confusões tentando se vingar. Mas essa poção mágica há tempos usada em Hollywood, que se mostrava bastante rentável, parece estar dando sinais de esgotamento e a história da feiticeira que queria ser mortal não teve o êxito de público esperado pelos produtores.&lt;br /&gt;Como a grande maioria dos filmes, esse é feito de prós e contras, que são aqui bem evidentes. Ele é ágil, traz algumas boas tiradas e em geral consegue divertir. A diretora Nora Ephron (&lt;em&gt;Mensagem para você&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Bilhete Premiado&lt;/em&gt;) acertou ao tentar (e em boa parte conseguir) manter o espírito ingênuo da série, exibida entre 1964 e 1972. Outro ponto positivo é &lt;em&gt;A Feiticeira&lt;/em&gt; não ser uma simples refilmagem com menos de duas horas do seriado e, sim, uma obra com diferenças sutis que dialoga de forma divertida com a que lhe inspirou. São claras as cenas que procuram criar uma semelhança entre as duas histórias e mostrar ao público que Isabel e Samantha têm muito - ou tudo - em comum. Nicole Kidman está, sobretudo no início do filme, muito bem, se mostrando uma heroína tão ingênua e simples quanto o filme pede. Papel, aliás, muito diferente dos que a atriz vinha escolhendo ultimamente, já que &lt;em&gt;“simples”&lt;/em&gt; era a última palavra possível de ser usada para definir suas personagens mais recentes.&lt;br /&gt;Por outro lado, Will Ferrel, saído há algum tempo do &lt;em&gt;Saturday Nihgt Live&lt;/em&gt; para ser o comediante do momento, no papel do exageradíssimo Jack Wyatt está... exageradíssimo. Difícil imaginar como uma mulher em sã consciência, ainda que fosse uma bruxa, se apaixonaria por ele. Entretanto, Ferrel, que já mostrou em filmes como &lt;em&gt;Melinda e Melinda&lt;/em&gt; ter bastante talento e carisma, merece ser destituído da culpa. O responsável por transformar Jack Wyatt em um personagem tão desinteressante é, na verdade, o roteiro fraco e equivocado, também de Nora Ephron. Sua atuação lembra muito Jim Carrey, com caras, bocas e trejeitos performáticos. Carrey, inclusive, chegou a ser cogitado para o papel, mas, devido a outros compromissos, não pôde participar do filme. Talvez essa curiosidade possa explicar algo sobre a natureza exagerada de Jack Wyatt. Hollywood, provavelmente tentando aumentar a identificação do público com a produção, achou por bem adaptar a ingenuidade aos tempos modernos, o que acabou tornando a fita um bocado irregular. Defeito agravado pela escorregada que o filme dá no final, caindo na mesmice do melodrama romântico. E ver Steve Carrel (também criação do &lt;em&gt;Saturday Night Live&lt;/em&gt;) surgir de repente como tio Arthur, fazendo vir à mente seu outro filme em cartaz – &lt;em&gt;O Virgem de 40 Anos&lt;/em&gt;, que ainda me pergunto como conseguiu fazer tamanho sucesso – é um tanto quanto traumatizante.&lt;br /&gt;Na disputa entre erros e acertos, pesa a irregularidade do filme e a sua obediência exagerada a uma fórmula que subestima o espectador. &lt;em&gt;A Feiticeira&lt;/em&gt; não pretende ser mais do que diversão à lá sessão da tarde. O tipo de programa para quem quer entrar no cinema, esquecer da vida e não precisar pensar em muita coisa. Vários filmes anteriores a esse já mostraram que isso não é, de forma alguma, algo ruim. Mas o grande problema aqui é que os erros acabaram fatalmente pesando mais na balança. É mesmo uma pena. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112897043767434613?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112897043767434613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112897043767434613&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112897043767434613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112897043767434613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/feiticeira_10.html' title='A Feiticeira'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112856889933993651</id><published>2005-10-05T23:59:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:21:32.683-03:00</updated><title type='text'>O Fabuloso Destino de Amélie Poulain</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No mesmo segundo em que uma mosca californiana capaz de 14670 batimentos de asa por segundo pousou numa rua em Montmartre, um espermatozóide de cromossomo X, pertencente ao Sr. Raphael Poulain (Rufus), fecundou o óvulo da Sra. Amandine Poulain (Lorella Cravotta), em solteira Amandine Fouet. Nove meses depois nascia Amélie (vivida na infância por Flore Guiet e mais tarde por Audrey Tatou). &lt;em&gt;O Fabuloso Destino de Amélie Poulain &lt;/em&gt;(&lt;em&gt;Le Fabuleux Destin d´Amélie Poulain&lt;/em&gt;, França, 2001) é, em síntese, a mágica de transformar o cotidiano em poesia, como nas frases acima. Amélie foi uma criança peculiar. Como todas as outras, gostaria de ter o carinho do pai. Mas ele, um ex-médico militar muito frio, só tocava a filha no exame mensal de rotina. A menina, emocionada com o contato tão incomum, não conseguia impedir que seu coração disparasse. Raphael Poulain conclui, então, que a filha sofria de uma grave anomalia cardíaca. Não podendo ir à escola, a garota passa a ter a mãe, extremamente nervosa, como preceptora. Privada do contato com outras crianças, convivendo apenas com um pai distante e uma mãe neurastênica, ela começa a criar um mundo de fantasias no qual se acostumará a viver. Após a trágica morte da esposa, Raphael Poulain torna-se ainda mais fechado e tudo ao redor de Amélie parece tão sem vida que ela não vê outra alternativa além de sonhar até que possa partir. Quando se muda do subúrbio para Paris, torna-se garçonete no café &lt;em&gt;Deux Mullins&lt;/em&gt;. Mas, mesmo vivendo em um mundo maior e cheio de pessoas, a jovem nunca deixou seu universo de fantasias, onde não há limites para a sua imaginação.&lt;br /&gt;A vida da heroína e o mundo que a cerca são às vezes melancólicos, mas nunca tristes. A história é contada de forma a parecer que o destino fabuloso da protagonista é possível e só está a sua espera. Isso, devido ao imenso valor que é dado aos pequenos detalhes, tornando momentos banais do cotidiano extremamente intensos. A cada cena se redescobre o segredo de &lt;em&gt;Amélie Poulain&lt;/em&gt;: a beleza e poesia com que as coisas corriqueiras são tratadas. A vida aqui, em cada mínimo detalhe, é inevitavelmente fabulosa. A própria narração tem sempre um tom de aventura fantástica, como se algo emocionante, não importa o quão pequeno seja, pudesse acontecer a qualquer momento. Os personagens que povoam o mundo da jovem francesa são apresentados por particularidades mínimas e delicadas, mas que dizem muito. Assim, temos Suzanne (Claire Maurier), a dona do café, que &lt;em&gt;manca um pouco, mas nunca derrubou um copo&lt;/em&gt;; Gina (Clotilde Mallet), também garçonete, cuja avó era curandeira; Georgette (Isabelle Nanty), &lt;em&gt;a doente imaginária&lt;/em&gt;; Joseph (Dominique Pinon), o amante rejeitado de Gina, louco por plásticos-bolha; Dufayel (Serge Merlyn), o &lt;em&gt;homem de vidro&lt;/em&gt; e tantos outros riquíssimos. E, sobretudo, temos Amélie, a garota introspectiva que vive num mundo de sonhos e se apega a pequenos prazeres, como enfiar a mão num saco de grãos, quebrar com a colher a crosta do &lt;em&gt;créme brulée&lt;/em&gt; e atirar pedras no Canal Saint Martin. Depois de achar por acaso em seu apartamento uma caixinha escondida há 40 anos por um menino, ela toma uma decisão que mudará o seu destino: vai encontrar o dono daquele tesouro e devolvê-lo. &lt;em&gt;Se ele se emocionar, ela se imiscuirá da vida dos outros. Se não, azar&lt;/em&gt;. Na verdade, a vida de Amélie Poulain é vazia e solucionar os problemas à sua volta, com idéias sempre criativas, lhe dá um sentido. Entretanto, nossa heroína perceberá que, sendo apenas o anjo da guarda dos outros, poderá desperdiçar sua própria vida. E, como diz seu amigo Dufayel em certo momento, &lt;em&gt;quem vai arrumar a bagunça da vida dela&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;Dirigido por Jean-Pierre Jeunet, de &lt;em&gt;Delicatessen&lt;/em&gt;, o filme é uma junção de histórias que ele acumulou durante 25 anos. Dái a riqueza do enredo. A história de Amélie é só uma entre tantas no filme. E há dentro desse vasto universo ficcional alguém muito parecido com a doce protagonista. Nino Quincampoix (Mathieu Kassovitz) foi também uma criança sozinha. Trabalha como caixa no &lt;em&gt;Palace Vídeo, O Rei do Pornô&lt;/em&gt; e nas quartas-feiras no trem-fantasma de um parque de diversões. Tem o hábito de colecionar fotos instantâneas de desconhecidos, um estranho álbum de família. Assim como Amélie, é um sonhador. Já no primeiro encontro ela sente que os dois têm algo em comum, mas, sempre introvertida, prefere viver no sonho a encarar a realidade e se arriscar. No entanto, a moça terá que criar coragem e deixar de se privar para não estragar o próprio destino. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sonho é parte essencial do mundo de Amélie e preenche todo o filme. Fantasia e realidade misturam-se num mundo fantástico. A simplicidade do cotidiano, tornado aqui tão grande, tão bonito e tão capaz de emocionar, nos aproxima da história. E o visual espetacular influi muito nela. Jeunet optou por utilizar cores vribrantes, até mesmo quando a cena é escura. Para compor o trabalho, o diretor e a equipe foram buscar inspiração em pinturas e uma grande influência em &lt;em&gt;Amélie Poulain&lt;/em&gt; foi um artista brasileiro, de nome Machado, que utilizava bastante o verde e o vermelho (as cores essenciais da fotografia de &lt;em&gt;Amélie&lt;/em&gt;) em suas obras. Mas a variedade era importante e, para equilibrar o excesso dessas duas cores, há sempre em algum lugar do quadro uma outra, como o amarelo e o azul, que aparece pontualmente em várias cenas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Amélie Poulain&lt;/em&gt; foi preparado com um apuro extremado. Depois de filmar &lt;em&gt;Alien – A Ressurreição&lt;/em&gt;, Jean-Pierre Jeunet queria voltar à França e fazer o filme que tivesse vontade. Se dedicou muito à pré-produção, usando &lt;em&gt;storyboards &lt;/em&gt;e definindo previamente cada tomada, cada manuseio da câmera. Um cuidado que mostrou resultados, pois os movimentos de câmera são impressionantes, mas não excessivos, garantindo ao filme o ritmo certo. Foi grande também a preocupação com os cenários, os desenhos de produção e a escolha das locações. A história se passa em Montmartre, que é uma colina. São mostrados elementos específicos dali, mas as locações também dão uma boa amostra de Paris, trazendo mais realidade ao filme. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para o papel principal, Jeunet havia pensado inicialmente na inglesa Emily Watson, de &lt;em&gt;Ondas do Destino&lt;/em&gt;, que por motivos pessoais não pôde ficar com o papel. No teste de elenco na França, a primeira atriz que conheceu foi Audrey Tautou. Um feliz encontro, pois ela encarnou a heroína com perfeição. Difícil falar em &lt;em&gt;Amélie Poulain&lt;/em&gt; sem que nos venha a mente os já antológicos &lt;em&gt;close-ups&lt;/em&gt; do rosto de Audrey, com seu olhar e sorriso peculiares. A princípio, o título do filme seria &lt;em&gt;Amélie das Abesses&lt;/em&gt;, uma praça de Paris. O título verdadeiramente escolhido foi encontrado em um catálogo de filmes antigos, a partir de uma obra de Sacha Guitry intitulada &lt;em&gt;O Fabuloso Destino de Desirée&lt;/em&gt;. Nas palavras do diretor, no fim seu filme teve um &lt;em&gt;fabulos destino&lt;/em&gt; e o título pelo qual optaram &lt;em&gt;foi meio premonitório&lt;/em&gt;. É, há uma infinidade de histórias a serem contadas sobre &lt;em&gt;Amélie Poulain&lt;/em&gt;. Mas uma única, recorrente e inevitável palavra já define com perfeição essa deliciosa obra francesa: fabulosa! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112856889933993651?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112856889933993651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112856889933993651&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112856889933993651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112856889933993651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/o-fabuloso-destino-de-amlie-poulain.html' title='O Fabuloso Destino de Amélie Poulain'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112845532195748723</id><published>2005-10-04T16:38:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:21:02.230-03:00</updated><title type='text'>Seabiscuit - Alma de Herói</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Seabiscuit&lt;/em&gt; é mesmo um azarão. Não só o cavalo do título, mas o filme em si. &lt;em&gt;Alma de herói&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Seabiscuit&lt;/em&gt;, EUA, 2003) tem um &lt;em&gt;je ne sais quois&lt;/em&gt; que o tornou mais aclamado do que se imaginava. A história do cavalo de corridas subestimado pelo pequeno porte e pela indisciplina, ambientada nos anos da grande depressão, é um melodrama norte-americano típico. Não é inovador, mas tem uma doçura que soube encantar o público. Talvez o mistério de &lt;em&gt;Seabiscuit &lt;/em&gt;seja o elenco em ótima forma e harmonia. Talvez sejam as belas cenas que valorizam o texto preciso, mas nada surpreendente. Talvez todo o conjunto da obra – direção de arte, figurino, fotografia, atuações, montagem, trilha e direção – tenha conseguido um resultado que fez desse filme algo maior do que o esperado. A história, verídica, gira em torno de quatro personagens muito diferentes, cujas trajetórias de ganhos e perdas estão ligadas à conjuntura do país. Charles Howard (Jeff Bridges) passou de um humilde mecânico de bicicletas a um bem sucedido industrial do ramo automobilístico devido ao bom tino para os negócios e ao superconsumo de automóveis ocorrido antes do crack da bolsa de Nova York. Durante a época da depressão, perde o filho em um acidente de carro (por ironia) e logo depois é abandonado pela esposa, que o culpava pela fatalidade. Red Pollard (Tobey Maguire) é um jóquei grande demais para a profissão, abandonado pelos pais que perderam tudo durante a depressão. Dono de uma personalidade forte, costuma se envolver em brigas, que nunca vence, para ganhar dinheiro. Tom Smith (Chris Cooper) é um hábil domador de cavalos que perde espaço com a acelerada difusão dos automóveis trazida pela modernidade. Esses três homens marcados vão se ligar em torno de outra vida aparentemente perdida: a de Seabiscuit, um animal já tão desacreditado que desaprendeu a ser um cavalo.&lt;br /&gt;O diretor Gary Ross, de &lt;em&gt;A Vida em Preto e Branco&lt;/em&gt;, conduziu essa produção com traços semelhantes aos de seu filme anterior. Apesar de não ter a premissa fantasiosa daquele e de ser bem claro, quase não guardando idéias nas entrelinhas, &lt;em&gt;Seabiscuit&lt;/em&gt; mantém o tom leve e fabuloso. A narração é um bom exemplo disso. A história é tratada como um conto - limitada a certos personagens e ao que lhes acontece, mas sempre fazendo alusão a algo maior (o período histórico norte-americano) – o que garante a impressão de estarmos assistindo a uma espécie de fábula. E a moral da história é definida por uma fala do personagem de Jeff Bridges: &lt;em&gt;“não se descarta uma vida só por causa de uma lesão”&lt;/em&gt;. O que acontece com cada um dos protagonistas do filme, baseado no livro de Laura Hillenbrand, é dar a si mesmos e aos demais uma nova chance. Todos esses personagens (assim como a maioria do povo americano naquele momento) são criaturas marcadas por lesões. Quando Charles ganha Seabiscuit e contrata Tom como treinador, eles descobrem no cavalo um potencial surpreendente. Para montar um animal de temperamento tão agressivo, seria necessário um jóquei que soubesse lidar com ele. Então, depois de uma metáfora visual que identifica claramente a personalidade de Seabiscuit com a do explosivo Red, o rapaz se junta ao grupo. Tem-se aí uma combinação das mais absurdas: um cavalo pequeno demais e um jóquei maior do que o normal, que inusitadamente vão ganhar fama e notoriedade nas corridas de cavalo de quase todo o país em 1938. Os personagens, na verdade, se complementam e preenchem faltas existentes na vida de cada um. E o que leva esses homens a apostarem tanto em Seabiscuit é a circunstância em que se encontram: nenhum deles têm mais nada a perder. Mas por ser essencialmente tão dramático, o filme cai por vezes em certas obviedades do melodrama. Nada que atrapalhe seu bom andamento, entretanto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de não ter muita ação, ou grandes reviravoltas, &lt;em&gt;Seabiscuit &lt;/em&gt;mostra um bom ritmo, favorecido pelas ótimas conexões entre as cenas. Para ligar a história do filme ao contexto norte-americano da depressão, no final de determinados planos os personagens fictícios são mostrados em poses semelhantes às das fotos reais da época, que seguem esses planos. A trilha sonora ajuda na impecável reconstituição de época, assim como as cenas das transmissões de rádio. Entra aí outro fator que faz a diferença no filme: William H. Macy, impagável no papel do locutor Tick Tock McGlaughlin, pelo qual foi indicado ao globo de ouro de melhor ator coadjuvante. É difícil dizer ao certo o que fez de Seabiscuit o grande azarão do Oscar em 2004, recebendo sete indicaões, inclusive a de melhor filme. O que sobra nesse drama verídico de Gary Ross é beleza, suavidade e capacidade de envolver. Talvez o segredo do sucesso tenha sido mesmo a sua falta de pretensão. O fato é que, assim como o pequeno cavalo do título, esse filme realizou algo melhor do que o esperado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nota: Vale a pena conferir o &lt;em&gt;making off&lt;/em&gt; das gravações no dvd.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112845532195748723?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112845532195748723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112845532195748723&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112845532195748723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112845532195748723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/10/seabiscuit-alma-de-heri.html' title='Seabiscuit - Alma de Herói'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112784721101663091</id><published>2005-09-27T15:31:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:20:43.823-03:00</updated><title type='text'>A Vida em Preto e Branco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Honey, I´m home!&lt;/em&gt; Depois de colocar sua maleta no chão e pendurar o chapéu, George Parker (William H. Macy) diz a frase para a esposa Betty (Joan Allen). Ele repete essa seqüência dia após dia em um seriado de TV dos anos 50 intitulado &lt;em&gt;Pleasantville&lt;/em&gt;. É esse mundo que o adolescente solitário David (Tobey Maguire, antes de se tornar o &lt;em&gt;Homem Aranha&lt;/em&gt;) admira com fervor. Assim como todos na fictícia cidade, a família Parker tem uma vida agradável e linear, o que faz do programa o escape de David para o mundo acelerado e confuso em que vive. Ao contrário dele, sua irmã gêmea Jennifer (Reese Whisterpoon, antes de ser &lt;em&gt;Legalmente Loira&lt;/em&gt;), não tem reclamações desse mundo. Cada vez mais popular, consegue marcar um encontro em sua casa com um dos garotos mais cobiçados do colégio, para assistirem juntos à MTV. Surge então um problema, já que o programa que Jennifer quer ver vai ao ar no mesmo horário da &lt;em&gt;Maratona Pleasantville&lt;/em&gt;, que David espera há um ano para assistir. Como bons - e típicos - irmãos adolescentes, nenhum dos dois que abrir mão da TV com som estéreo e, na disputa pelo controle-remoto, esse acaba se quebrando. Quase que no mesmo instante, um estranho sujeito misteriosamente toca a campainha e oferece aos gêmeos a solução: um controle &lt;em&gt;"bem mais poderoso”&lt;/em&gt;. E durante a nova briga pelo controle, num passe de mágica, David e Jennifer são transportados para dentro da televisão, se transformando em Bud e Mary Sue, os filhos de George e Betty Parker.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Vida em Preto e Branco&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Pleasantville&lt;/em&gt;, EUA, 1998) é assim: uma fantasia em tom de fábula. O tipo de filme que, por dizer tanta coisa, faz ser difícil falar sobre ele. Filmado totalmente a cores, passou mais tarde por um processo em que elas foram retiradas e substituídas pelo preto e branco. O intuito não era apenas criar a belíssima fotografia, mas também construir um visual necessário para transmitir ao espectador uma série de conceitos. A vida sem cor de Pleasantville é agradável e cordial, somente. Não se sofre, mas também não se vive. Cada um é aquilo que querem que ele seja. Faz-se sempre o que esperam de você e sabe-se exatamente como a vida vai transcorrer. Claro, mas sem nunca ser agressivo, o filme é uma crítica à essa vida harmônica e previsível, que segue um roteiro já pré-determinado. Os habitantes de Pleasantville, em sua rotina equilibrada, vivem em meio a livros em branco e objetos incapazes de pegar fogo. As ruas da cidade fazem um círculo, pois jamais se imaginou que pudesse haver algo além daquele lugar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A inserção dos dois irmãos nesse ambiente vem para mostrar que a vida pode ser mais do que apenas agradável. A partir desse contato com quem conhece um mundo maior do que aquele incolor, os moradores da cidade começam a descobrir sabores e prazeres, como o sexo e os livros, agora cheios de palavras, e sentimentos como a paixão, a raiva e a coragem. Esse contato com o novo também vai trazer descobertas para David e Jennifer, e, aos poucos, a vida em preto e branco vai ganhando pinceladas de cor: desde rosas, frutos, carros e vitrines, até as próprias pessoas. O visual é magnífico, garantindo cenas marcantes de encher os olhos e a alma. Mas tantas mudanças perturbam a ordem constituída, fazendo nascer na cidade um movimento de repressão. E aí o filme traz novamente à tona aspectos da vida contemporânea, como a sociedade patriarcal e a intolerância àquilo que é diferente.&lt;br /&gt;A fita, dirigida por Gary Ross (de &lt;em&gt;Seabiscuit&lt;/em&gt;), é uma comédia colorida com drama, poesia e leveza, repleta de metáforas visuais. Não foi em vão que recebeu indicação aos oscars de melhor direção de arte, figurino e trilha sonora. A trilha doce, o apuro artístico e o comprometimento dos atores garantem a suspensão e o tom fabuloso. William H. Macy e Joan Allen encantam como os chefes da família Parker: personagens acostumados a seguir um roteiro e que, de repente, são surpreendidos pelas venturas e desventuras de novidades imprevisíveis. Há um mundo fascinante a ser descoberto nas entrelinhas de &lt;em&gt;A Vida em Preto e Branco&lt;/em&gt;. Mas, melhor do que dizer qualquer coisa a respeito, é conferir esse filme único. Tão poético e delicado quanto a vida deve ser.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112784721101663091?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112784721101663091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112784721101663091&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112784721101663091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112784721101663091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/09/vida-em-preto-e-branco.html' title='A Vida em Preto e Branco'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112742601171548159</id><published>2005-09-22T18:27:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:20:21.043-03:00</updated><title type='text'>Vôo Noturno</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Mocinha com medo de voar acaba de sair do enterro da avó e tem que pegar um vôo de volta para Miami. No aeroporto, conhece um belo e simpático estranho. Ao entrar no avião, descobre que coincidentemente sua poltrona fica ao lado da dele. Esse enredo sugeriria mais uma comédia romântica do que um suspense-terror de Wes Craven (&lt;em&gt;Pânico&lt;/em&gt;), não fosse por um detalhe. As coincidências nessa história não existem. Ao contrário, foram meticulosamente providenciadas pelo rapaz, Jackson Rippner (Cillian Murphy, de &lt;em&gt;Batman Begins&lt;/em&gt;), para que a mocinha, Lisa Reisert (Rachel McAdams, de &lt;em&gt;Diário de uma paixão&lt;/em&gt;), colabore na execução de um poderoso homem de negócios que se hospedará no hotel do qual ela é gerente. Se Lisa não der um telefonema ordenando que o hóspede seja transferido para outra suíte, um assassino contratado por Jackson irá executar o pai da moça (Brian Cox, de &lt;em&gt;X-MEN 2&lt;/em&gt;). É assim, a partir de situaçõs - e ações - absurdas, como manda o gênero, que se desenvolve &lt;em&gt;Vôo Noturno&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Red Eye&lt;/em&gt;, EUA, 2005). Interessante, mas sem nada muito inovador, o filme explora uma série de clichês que, em sua maioria, não lhe são prejudiciais.&lt;br /&gt;A personagem de Rachel McAdams é a heroína perfeita: educada, ponderada e dona de frases como &lt;em&gt;“ele é um bom homem”&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;“você não precisa fazer isso”&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;“eu tenho pena de você”&lt;/em&gt;. Filha amorosa e excelente profissional, carrega um misterioso trauma, que obviamente só é revelado ao espectador no devido momento: exatamente quando ela precisa de forças para revidar e enfrentar o vilão. Depois de um &lt;em&gt;“eu jurei que isso nunca mais aconteceria” &lt;/em&gt;(ou algo do tipo), vemos a mocinha assustada e passiva se transformar em uma mulher corajosa. Do outro lado está o personagem de Cillian Murphy, também típico: o homem charmoso e sedutor, que lá para as tantas da história se mostra um vilão lunático. O bom aqui é que o &lt;em&gt;“lá para as tantas da história”&lt;/em&gt; não demora a acontecer. Ao contrário: o filme tem apenas 85 minutos, é movimentado e não perde muito tempo com embromação. Mas é pena que o personagem de Murphy não tenha sido mais bem elaborado, faltam-lhe motivos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um filme desenvolvido a partir de lugares comuns de um gênero cinematográfico já tão explorado não poderia deixar de lado algo clássico nos filmes de terror adolescente norte-americanos: a típica cena em que a mocinha, tentando fugir do psicopata que a persegue com uma faca, sobe as escadas que dão para o andar de cima da casa. Wes Craven já não havia mostrado isso antes em uma certa trilogia? Pois aqui não falta nem o uniforme de &lt;em&gt;cheerleader &lt;/em&gt;dentro do armário de Lisa. Um detalhe importante em &lt;em&gt;Vôo Noturno&lt;/em&gt; é a trilha sonora. A música acompanha a ação o tempo todo, desde a primeira cena, e diz ao espectador o que ele deve sentir em cada momento. É como se ela dialogasse claramente com o público, dizendo &lt;em&gt;“fique tenso”&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;“sinta medo”&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;ou &lt;em&gt;“agora sinta-se vitorioso”&lt;/em&gt;. O diretor foi competente em criar a atmosfera caótica do aeroporto e uma certa sensação de claustrofobia dentro do avião. Grande parte dos planos transcorridos ali dentro oferecem ângulos próximos, com muitos close-ups e alguns planos detalhe. O roteiro tem um mínimo de complexidade e Rachel McAdams convence no papel da protagonista, segurando bem o filme. &lt;em&gt;Vôo Noturno&lt;/em&gt; é entretenimento descerebrado e inofensivo. Rápido, eficiente e sem causar danos ao espectador.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112742601171548159?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112742601171548159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112742601171548159&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112742601171548159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112742601171548159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/09/vo-noturno.html' title='Vôo Noturno'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112715914548459348</id><published>2005-09-19T16:39:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:20:01.133-03:00</updated><title type='text'>Los Angeles - Cidade Proibida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os créditos iniciais, trazendo os personagens fictícios inseridos em fotos de época ao lado de personalidades como Marilyn Monroe e Frank Sinatra, sugere bem a ambientação: Los Angeles, início dos anos 50. Cidade do sol, das oportunidades, do cinema e suas estrelas. Mas a &lt;em&gt;cidade dos anjos&lt;/em&gt; é também lugar para o crime organizado e a corrupção, um lado nada glamouroso que Hollywood não se interessava em mostrar. Dentro desse meio caótico, de luxo e obscuridade, somos apresentados a três policias, que guardam diversas motivações e princípios. Bud White (Russel Crowe) é truculento e capaz de usar meios escusos para levar a cabo aquilo que acredita ser justo, mas não se sente bem em relação à violência contra indefesos e abomina acima de tudo a agressão física a uma mulher. Ed Exley (Guy Pearce) é inteligente e caxias ao extremo, avesso ao suborno e à violência, mas capaz de qualquer coisa para construir uma boa carreira. Jack Vincennes (Kevin Spacey) é consultor do show policial &lt;em&gt;Badge of Honor&lt;/em&gt; e costuma auxiliar o jornalista Sid Hudgens (Danny DeVitto) a armar flagrantes sensacionalistas em troca de notoriedade e algum dinheiro. Após um escândalo dentro da polícia que, por motivos distintos, coloca os três homens dentro da mesma divisão, eles se verão envolvidos na investigação de um grupo de assassinatos. Uma trama que se revela cada vez mais misteriosa e torna esses policiais tão diferentes mais próximos.&lt;br /&gt;É esse roteiro inteligente, entre outras coisas, que faz de &lt;em&gt;Los Angeles – Cidade Proibida&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;L. A. Confidential&lt;/em&gt;, EUA, 1997) um grande filme. O enredo combina uma ótima trama policial, bastante versátil, com uma certa profundidade crítica. À época do lançamento da fita, discutiu-se bastante se ela era um &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt; ou não. Há realmente muitos elementos que encaixam o filme dirigido por Curtis Hanson (de &lt;em&gt;Garotos Incríveis&lt;/em&gt;) dentro do gênero, apesar de a fotografia, extremamente clara, contrariá-lo. Em primeiro lugar, o início da década de 50, época em que se baseia a história, foi berço dos grandes policiais &lt;em&gt;noir &lt;/em&gt;de Hollywood. Como nos clássicos do gênero, os heróis são solitários, desiludidos e presos ao passado. A personagem de Kim Basiger, a prostituta Lynn Bracken, cumpre o papel da mulher fatal e misteriosa. Os diálogos explicativos, que muitas vezes evidenciam a personalidade e os motivos de cada personagem, assim como o humor de certos comentários, são também típicos. Com tal combinação de elementos o filme se mostra um clássico narrativo &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, mas que obviamente pretende ser mais do que isso e ir além do gênero para trazer à tona a verdadeira Los Angeles da época.&lt;br /&gt;Tudo no filme é imprescindível para o decorrer da história. Não há cenas ou falas desperdiçadas. A trama é dinâmica e foi muito bem conduzida pelo diretor. A certo ponto, quando o espectador já está instigantemente absorvido pelo enredo, a história sofre uma reviravolta surpreendente, de cortar a respiração, como só os melhores suspenses são capazes de fazer. E para compor o bom trabalho ao lado da direção segura e do roteiro de qualidade não faltam bons atores. Todo o elenco está muito bem, oferecendo ao público atuações na medida certa para personagens muito diferentes entre si. Russel Crowe, Guy Pearce, Kevin Spacey e James Cromwell (de &lt;em&gt;Baby - o porquinho atrapalhado&lt;/em&gt;, aqui como o capitão Dudley Smith) dão vida aos personagens centrais da trama e não falham na tarefa de convencer - e envolver - o espectador. Surpreendente é que, dentre tantas atuações de qualidade, a única premiada tenha sido Kim Basiger. Apesar de cumprir bem o papel da prostituta que tem a fisionomia de Verônica Lake, sua personagem não tem notoriedade suficiente na trama para dar a Basiger um momento sequer que justifique o globo de ouro e o oscar que levou.&lt;br /&gt;Das muitas indicações que recebeu, &lt;em&gt;Los Angeles – Cidade Proibida&lt;/em&gt;, só ganhou o oscar de melhor roteiro adaptado, além dos já citados prêmios na categoria de atriz coadjuvante. As controvertidas premiações de Basiger podem, talvez, ter sido um tributo à boa qualidade do filme como um todo, pois é triste pensar que a inteligência de uma produção como essa perdeu o oscar de melhor filme para as horas (e litros) de água-com-açúcar de &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;em 1998...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112715914548459348?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112715914548459348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112715914548459348&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112715914548459348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112715914548459348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/09/los-angeles-cidade-proibida.html' title='Los Angeles - Cidade Proibida'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112648948263671698</id><published>2005-09-11T22:26:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:19:33.116-03:00</updated><title type='text'>A luta pela esperança</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em 2001, o diretor Ron Howard se juntou ao ator Russel Crowe, ao roteirista Akiva Goldsman e ao produtor Brian Grazer para levar às telas a história do matemático esquizofrênico John Nash em &lt;em&gt;Uma mente brilhante&lt;/em&gt;. O filme recebeu 4 oscars em 2002, entre eles os de melhor diretor e melhor filme, e outras 4 indicações. Recentemente, o grupo repetiu a parceria para levar aos cinemas outra cinebiografia, com um estilo bem parecido ao da anterior. &lt;em&gt;A luta pela esperança&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Cinderella Man&lt;/em&gt;, EUA, 2005) traz Crowe no papel do pugilista James J. Braddock, um nome em ascensão no boxe em fins dos anos 20, mas que devido a uma derrota vê sua promissora carreira destruída e acaba na miséria com a mulher (interpretada por Renée Zellweger) e os filhos durante os anos da grande depressão. Após muitas derrotas sucessivas, que custaram sua licença na liga de pugilismo, Braddock sobe novamente ao rinque, em clara desvantagem, para lutar contra um peso-pesado e, inesperadamente, vence a disputa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trazendo uma premissa dessas fica difícil compreender porque o filme não foi bem nas bilheterias ianques, a ponto de a rede de cinemas AMC ter criado uma promoção que devolvia ao espectador não satisfeito o dinheiro de seu ingresso. O público norte-americano adora histórias que mostrem o sofrimento e o pessimismo de seu povo durante os anos que se seguiram à queda da bolsa de Nova York, em 1929, e como a projeção de uma figura edificante representava a retomada da esperança de toda uma nação. Vide &lt;em&gt;Seabiscuit&lt;/em&gt;, que acabou concorrendo ao oscar de melhor filme em 2004. Pois é exatamente nesse contexto que o novo filme de Ron Howard entra para jogar sua moral: a possibilidade de uma segunda chance. Mais uma vez o grande vilão da história é o desemprego, razão maior de toda a miséria e das adversidades sofridas pelos cidadãos norte-americanos. E mais uma vez uma figura simbólica se destaca para mostrar aos seus compatriotas que a vitória é possível, mesmo que nada esteja a seu favor.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A luta pela esperança&lt;/em&gt; é politicamente correto ao extremo. Não tem nada de inovador ou arriscado. Ao contrário: as opções que o roteirista e o diretor fazem para construir a história colocam-na dentro dos padrões oscarizáveis da Academia. No entanto, o filme tem seus méritos, que se sobressaem mais pela qualidade do que pela quantidade. Os mais valiosos deles são as atuações de Russel Crowe e Paul Giamatti, como o empresário do lutador. A dupla tem uma boa química e suas interpretações fortes e comoventes vão além do texto. Em muitos momentos os dois atores mostram que, assim como Jim Braddock era um herói para o povo americano, eles são os heróis para o filme de Howard, sendo capazes de tornar seus papéis mais complexos e verossímeis do que o roteiro parece às vezes intecionar. Crowe acresenta ao seu personagem um brilho incontido nos olhos quando sobe em um ringue, evidenciando ao público que, mais do que um meio de melhorar a vida da família, o boxe era para ele uma vocação, na qual seu empresário acreditava piamente.&lt;br /&gt;Não há como negar que Ron Howard consegue em geral extrair da platéia aquilo que deseja. As cenas do filme são bem construídas para provocarem no espectador as sensações de comoção ou de tensão almejadas. Em boa parte da projeção, o diretor até que resiste às tentações de cair em certos clichês que a história convida. E é frustrante observar os momentos em que ele sucumbe a elas. O mais fatal deles é quando, no meio de uma luta difícil, Braddock, quase no fim de suas forças, relembra em um &lt;em&gt;flash back&lt;/em&gt; os períodos de dificuldade de sua família, ganha motivação e consegue vencer o adversário. Mas é bom perceber que, depois desse deslize, o filme não deixa escapar sua nova chance e começa a direcionar as atenções do público para a última e mais difícil das lutas. Ao contrário das anteriores, a cena da disputa final não tem tantos cortes e câmera rápida. Mantém os planos subjetivos, mas é mais longa e angustia o espectador a ponto de fazê-lo torcer desesperadamente pelo clássico final hollywoodiano. A fotografia do filme chama a atenção por ser extremamente escura, clareando de repente quando a história está a ponto de oferecer a Braddock sua segunda chance. Mesmo assim, em grande parte das cenas, sobretudo nas internas, os personagens são vistos em meio à escuridão. A luz é quase pontual, em tom amarelo-avermelhado, e provêm de pequenos focos no cenário, como abajures ou velas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quem não é muito fã de &lt;em&gt;Uma mente brilhante&lt;/em&gt; e, ainda que bastante premiado, considerou-o muito barulho por pouco, confira a &lt;em&gt;A luta pela esperança&lt;/em&gt;. Apesar de não ter feito tanto barulho, com seus erros e acertos o filme acaba sendo, sim, alguma coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112648948263671698?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112648948263671698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112648948263671698&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112648948263671698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112648948263671698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/09/luta-pela-esperana.html' title='A luta pela esperança'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112528124078613755</id><published>2005-08-28T22:38:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:19:13.830-03:00</updated><title type='text'>2 Filhos de Francisco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O primeiro e único requisito necessário para entrar em uma sala de cinema e assistir a &lt;em&gt;2 Filhos de Francisco&lt;/em&gt; é perder o preconceito. Sim, o filme conta a trajetória da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Sim, você vai ouvir música sertaneja. Muita. E provavelmente no fim da sessão sairá da sala com &lt;em&gt;É o amor&lt;/em&gt; na cabeça. Mas não se assuste. Entre no cinema mais próximo e se deixe envolver pela história, porque ela vai além, muito além de propaganda para a dupla. Os fãs vão se divertir e se emocionar durante as duas horas de projeção. Os que não são fãs sentirão a mesma coisa. O filme não vai mudar opiniões sobre a música sertaneja, nem pretende fazer isso. O diretor estreante Breno Silveira acertou em cheio nesse ponto e a partir daí definiu o tom da história. Ela também tem sentido para aqueles que não gostam do som da dupla e as opções que o diretor fez para contá-la tornam óbvia sua intenção: atrair não só os admiradores, mas também o público não sertanejo. E talvez o mais eficaz dos artifícios para conquistar esse público tenha sido justamente a escolha da trilha sonora. Elaborada por Zezé e Caetano Veloso, conta com nomes renomados da MPB, como Maria Betânia e o próprio Caetano. Ouvir músicas rurais que não são da dupla, ou mesmo canções deles na voz de outros intérpretes facilita uma identificação do espectador que não é fã com a história, e confirma: a música de Zezé di Camargo e Luciano é uma coisa, o filme é outra bem diferente.&lt;br /&gt;A primeira cena do longa, bem curta, mostra um show real, já atualmente. A câmera filma a multidão, mas não vemos os cantores. Ouvimos apenas suas vozes e a partir daí regredimos para 1962, quando começa a história dos dois filhos de Francisco. O espectador já conhece o fim do percurso, mas é exatamente o caminho que levou os dois irmãos ao sucesso notório de hoje que preenche o filme e surpreende o público. Francisco, vivido com um prazer perceptível por Ângelo Antônio, é um lavrador humilde, ignorante e fascinado pela música rural. Casado com Helena, muito bem interpretada por Dira Paes, é determinado desde o nascimento do primeiro filho (Zezé, ou melhor, Mirosmar) em fazer com que a partir de uma carreira musical ele possa ser alguém. Francisco é obcecado por essa idéia que acredita ser a única chance de uma vida melhor para os filhos. Por apostar de tal forma em algo que parece impossível, é visto como um louco. E realmente, apesar de os fatos serem reais, o personagem às vezes parece saído de uma fábula, tão incomuns são as atitudes que ele é capaz de tomar para investir em seu sonho. Troca pertences por instrumentos musicais para Mirosmar e Emival (os cantores mirins Dáblio Moreira e Marco Henrique), abandona a terra e se muda para Goiânia, onde a dupla poderia dar certo, cai no conto de um empresário picareta a quem confia os dois filhos (José Dumont), e por aí vai.&lt;br /&gt;O longa de Breno Silveira tem o que falta a grande parte dos filmes nacionais, sobretudo os mais comercias como esse: um bom roteiro. É sim propaganda para a dupla, inegavelmente. Isso se torna óbvio principalmente nas últimas cenas, que mostram o Zezé e o Luciano reais com a família. E em alguns momentos (poucos e curtos, diga-se de passagem) não resiste e descamba para o melodrama ao rememorar a morte de Emival. Mas o que não falta ao filme são qualidades capazes de colocá-lo entre as mais corretas produções do cinema nacional mais recente. A primeira parte da projeção, amparada sobretudo em Francisco e nas crianças Mirosmar e Emival, atrai de cara o espectador, com doçura. A segunda, já focada no Zezé adulto, representado por Márcio Kierling, perde um pouco o ritmo. Ainda que não esteja mal no papel, Kierling às vezes é incapaz de despertar no público o carisma do ator mirim. Mas a esse ponto do filme o espectador já foi conquistado pela história, pela empatia entre Ângelo Antônio e a dupla infantil, que já não é a mesma entre Márcio Kierling e Thiago Mendonça, intérprete de Luciano.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;2 Filhos de Francisco&lt;/em&gt; traz no enredo um Brasil rural que ainda não estamos muito acostumados a ver. A relação dos personagens com a conjuntura histórica é bem eficiente para ilustrar esse mundo. Há ótimas passagens e frases que mostram de forma engraçada a ignorância do povo simples em relação ao período da ditadura militar. A reconstituição de época em geral é boa. O figurino dos personagens durante a década de 80 é perfeito. O diretor foi muito feliz na escolha das cenas, capazes de contar a história de maneira precisa, sem delongas. Mérito, aliás, não só dele, mas também da montagem e da edição. Breno Silveira é direto no que quer dizer ao público. Para tanto faz uso de planos curtíssimos e de outros bem longos, sempre eficientes em passar ao espectador uma determinada idéia. Tudo isso substitui a linguagem verbal e contribui para não deixar o filme explicativo. Não é preciso usar sempre a fala dos personagens se há a possibilidade de recursos como close-ups, enfocando a expressão facial das pessoas e suas reações aos acontecimentos, planos-detalhe e sequências longas centradas, sobretudo, na linguagem corporal (como uma das primeiras cenas entre Zezé e Zilú). O elenco é em sua maioria excelente e os coadjuvantes são um espetáculo à parte. Lima Duarte, Jackson Antunes e José Dumont premiam o público com participações deliciosas. O filme, com orçamento de 6,3 milhões de reais, é uma grande produção para os padrões brasileiros. Durante os precisos 119 minutos que o espectador passar na sala de cinema assistindo à essa projeção pode ser que chore, dê gargalhadas e venha a admirar a trajetória dos sertanejos, ainda que não suporte a música que eles fazem. Excetuando-se os fãs de Zezé di Camargo e Luciano e os admiradores desse gênero musical em geral, é pouco provável que alguém saia do cinema direto para o show mais próximo da dupla. Mas &lt;em&gt;2 Filhos de Francisco&lt;/em&gt;, além de todas as suas inúmeras qualidades, tem um trunfo que não se pode negar: sabe envolver o público, conquistá-lo e fazê-lo se emocionar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112528124078613755?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112528124078613755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112528124078613755&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112528124078613755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112528124078613755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/2-filhos-de-francisco.html' title='2 Filhos de Francisco'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112473682866740369</id><published>2005-08-22T15:05:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:18:52.573-03:00</updated><title type='text'>Réquiem para um sonho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Réquiem é um termo fúnebre, associado ao ofício dos mortos. Em &lt;em&gt;Réquiem para um sonho&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Requiem for a dream&lt;/em&gt;, EUA, 2000), os personagens, embora não saibam, irão percorrer, cada um ao seu modo, um doloroso percurso repleto de ilusões, picos e quedas para verem seus sonhos irrecuperavelmente enterrados no final. A história começa a ser apresentada entre os créditos de abertura. Ao som de uma música instrumental extremamente angustiante, que sugere bem o tom do filme, acompanhamos os personagens de Jared Leto (Harry Goldsfarb) e Marlon Wayans (Tyrone C. Love) levando a televisão da mãe de Harry até a loja onde será penhorada. Não é a primeira vez que ele vende a televisão, o único escape de sua mãe velha e sozinha, interpretada por Ellen Burstin. Tyrone, Harry e sua namorada Maryon Silver (Jennifer Connely) são viciados em heroína e precisam de dinheiro para sustentar o vício. Aliás, essa é a premissa principal do filme dirigido por Darren Aronosfsky: vícios e os resultados que eles podem trazer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É bem verdade que, analisando a história de forma mais ampla, ela pode soar exagerada. Mostra o vício chegando às últimas conseqüências. Oferece uma trágica destruição da vida dos protagonistas, sem espaço para esperanças de recomeço. Se o espectador enxergar o filme como uma previsão do caminho que todo e qualquer viciado em drogas, de anfetaminas a heroína, irá obrigatoriamente percorrer, vai provavelmente considerá-lo moralista. Mas &lt;em&gt;Réquiem para um sonho&lt;/em&gt; acompanha a trajetória de quatro personagens, as suas histórias de destruição, e é a elas que me atenho. Por essa visão mais restrita, sem a preocupação de uma moral a ser passada para o público, o filme é angustiante. Um retrato triste da vida dos protagonistas durante três estações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A história começa no verão. Harry e Maryon sonham em abrir uma loja de roupas. Assim como Tyrone, querem se dar bem na vida e ganhar dinheiro. Para isso os dois amigos, além de viciados, se tornam distribuidores de droga, um negócio promissor que a princípio tem bastante êxito, dando aos três a esperança de alcançarem seus objetivos. Enquanto isso, Sara, a mãe de Harry, recebe um telefonema e acredita ter sido convidada para aparecer em seu programa de TV favorito. Um pouco acima do peso, ela quer emagrecer para conseguir entrar novamente em seu vestido vermelho. Começa a tomar anfetaminas, emagrece, se sente bem e querida. Mas no outono começa a queda. Harry, Tyrone e Mary não estão mais prosperando como antes e seu vício incontrolável em heroína agrava os problemas. Sara está ainda mais magra e acaba se viciando nos remédios para perder peso. A realidade é cada vez mais sufocante e o inverno traz a morte para os sonhos de cada um deles. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que afunda de fato os personagens de &lt;em&gt;Réquiem para um sonho&lt;/em&gt; em vícios sem cura é a busca de algo que lhes dê sentido, de uma vida nova diferente daquela que os angustia. Darren Aronofsky faz uso de recursos competentes para compartilhar com o espectador essa sensação aflitiva. O filme é repleto de close-ups e planos subjetivos. As fantasias dos personagens são mostradas com frequência. Quando algum deles se droga é apresentada sempre a mesma seqüência, que se repete cada vez mais à medida que o filme transcorre. Os planos são em geral bem curtos, havendo mais de 2000 cortes (normalmente têm-se de 600 a 700). Em certos momentos a tela se divide ao meio e é possível que o espectador tenha dois pontos de vista diferentes de uma mesma cena. Esses artifícios habilmente utilizados fazem o público entrar nas alucinações dos personagens. O filme vai se tornando progressivamente mais angustiante, impressão acrescida pela trilha sonora. A cada instante parecem haver menos saídas. E o final da história vem confirmar o que &lt;em&gt;Réquiem para um sonho&lt;/em&gt; é desde as primeiras cenas: incômodo, pesado, deprimente e chocante. É necessário um estômago forte para sair sem nenhuma perturbação desse filme.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112473682866740369?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112473682866740369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112473682866740369&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112473682866740369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112473682866740369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/rquiem-para-um-sonho.html' title='Réquiem para um sonho'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112378528966552193</id><published>2005-08-11T15:10:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:18:33.390-03:00</updated><title type='text'>Desventuras em série</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cenas lindas. Personagens excêntricos e interessantes. Tragédia do início ao fim. Esse é o mundo de &lt;em&gt;Desventuras em Série&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events&lt;/em&gt;, EUA, 2004). Como o próprio narrador adverte, não espere elfos meigos ou desfechos alegres na história dos irmãos Baudelaire: três órfãos à mercê de um tio ganancioso e capaz de tudo para ficar com o dinheiro dos herdeiros. &lt;em&gt;Desventuras em Série&lt;/em&gt; é mesmo uma história de horror para crianças. A narração é crua e tem um caráter documental, como se o narrador Lemony Snicket (Jude Law) relatasse fatos que testemunhou, de forma imparcial. Seu discurso, entretanto, vai assustando o espectador ao enfatizar freqüentemente quão trágicas são as desventuras das três crianças. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O filme é irônico desde a animação de abertura e tem um visual sombrio, puxado para o gótico. Irônico, sombrio e gótico? Isso não lembra alguém? Sim. O visual do filme, dirigido por Brad Silberling, empresta muito de Tim Burton. Parte da equipe já tinha inclusive experiência nesse área: o diretor de fotografia Emmanuel Lubezki foi indicado ao Oscar por &lt;em&gt;A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça&lt;/em&gt;, o designer de produção Rick Heinrichs começou a trabalhar com Burton no curta &lt;em&gt;Vincent&lt;/em&gt; e Collen Atwood foi responsável pelos figurinos de &lt;em&gt;Ed Wodd&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Marte Ataca&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Desventuras em Série&lt;/em&gt; mostra de fato um estilo Tim Burton, embora com menos humor e mais crueldade. A fotografia e a direção de arte são incríveis, capazes de embasbacar. Os enquadramentos de câmera resultam em imagens que impressionam. E todos esses recursos técnicos são usados em prol da história, para favorecer a forma como ela é contada e as sensações que quer provocar na platéia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Além de trazer um elenco cheio de participações especiais, contando com Meryl Streep, Dustin Hoffman e Billy Connoly, o filme tem Jim Carrey em momento peculiar de sua carreira. Como Conde Olaf, o tio vilão que é o terror de Violet, Klaus e Sunny Baudelaire, Carrey pela primeira vez consegue ser exagerado sem comprometer a produção ou seu papel. Aliás, as excentricidades do ator são perfeitamente cabíveis aqui e fazem do conde um personagem interessantíssimo, que enche a história. O papel de Carrey exige um intérprete capaz de se exercitar, criando muitas faces para um mesmo personagem, algo que ele realizou muito bem. Tais faces, inclusive, deveriam não parecer convincentes já que o Conde Olaf é um ator egocêntrico e absolutamente canastrão. Todos os personagens que cria para recuperar a guarda das crianças soam falsos e mal elaborados. São incapazes de enganar os pequenos, mas, para desespero desses, facilmente levados a sério pelos adultos que deveriam lhes garantir proteção. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os Baudelaire estão realmente sozinhos em um mundo desconhecido. O fato de haverem personagens com senso de responsabilidade para cuidar das crianças não as deixa menos abandonadas. Seus falecidos pais nunca são mostrados no filme e tal artifício faz o espectador compartilhar com Violet, Klaus e Sunny as sensações de abandono e insegurança. Não fugindo à temática, o próprio projeto para transformar a série de livros de Daniel Handler em filme foi repleto de eventos desastrosos. Problemas de toda sorte, e que são uma história à parte, rondaram a pré-produção da saga dos Baudelaire. Mas ao contrário da história das três crianças órfãs, essa saga teve final feliz, rendendo um filme trágico e diferente, baseado nos três primeiros livros da série infantil. Triste, mas capaz de oferecer ao público mistério, suspense e aventura. &lt;em&gt;Desventuras em Série&lt;/em&gt; é um belo filme feito para desagradar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112378528966552193?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112378528966552193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112378528966552193&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112378528966552193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112378528966552193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/desventuras-em-srie.html' title='Desventuras em série'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112359876883822606</id><published>2005-08-09T11:40:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:18:09.633-03:00</updated><title type='text'>O Diário de Bridget Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pensei que jamais escreveria uma crítica sobre &lt;em&gt;O Diário de Bridget Jones&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Bridget Jones´s Diary&lt;/em&gt;, EUA, 2001). Isto chega a ser um paradoxo, pois creio que qualquer um que me conheça ao menos superficialmente esperasse ver essa como a minha crítica principal, tantas foram as vezes que me ouviram dizer &lt;em&gt;“esse é o filme da minha vida”&lt;/em&gt;. E exatamente por isso sou incapaz de emitir qualquer juízo de valor sobre ele! Mas eu (ainda) não sou uma crítica profissional, não tenho que ser analítica sempre, então me dou ao direito de ser absolutamente parcial e dizer &lt;em&gt;“the truth about Bridget Jones. The hole truth”&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu poderia elogiar a direção, a adaptação do roteiro, as atuações, falar das indicações a prêmios que recebeu, fazer comparações com as outras comédias-românticas inglesas do mesmo estúdio e um monte de outras coisas... Mas de que importa isso tudo, se quando você é uma mulher e assiste a &lt;em&gt;O Diário de Bridget Jones&lt;/em&gt; outras coisas chamam a sua atenção? Não importa se você é uma balzaquiana ou uma adolescente, todas as mulheres já se sentiram como a personagem de Renée Zellweger em algum, ou em alguns muitos momentos de suas vidas. E todas nós, inevitavelmente, suspiramos com o final feliz da mocinha acima do peso. Imaginamos que você não precisa ser perfeita para ter o seu &lt;em&gt;happy end&lt;/em&gt; com um Mark Darcy. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente por isso &lt;em&gt;Bridget Jones&lt;/em&gt; seja um filme muito mais admirado pelo sexo feminino do que pelo masculino. Porque, por mais que soe exagerado, entende a alma feminina de uma maneira bem humorada, em momentos que os homens consideram fúteis. Observem que esse não é um discurso feminista, é simplesmente feminino. Quero apenas passar a idéia de que os homens, obviamente, não são mulheres. Por isso não sentem a mesma coisa que nós quando vêem Bridget em seus momentos mais decadentes, se sentindo feia, inadequada, traída e deslocada. Não entendem o que passa em sua cabeça quando ela é trocada por outra. Quando descobre que o mundo perfeito que demorara tanto tempo para conquistar, e parecia ser real, na verdade não existia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos identificamos com ela de uma forma divertida e ao mesmo tempo triste. Seria muito mais bacana, inclusive, se na vida real pudéssemos também passar por nossas dores de cotovelo embaladas pelas músicas da trilha sonora do filme (outro aspecto execrado pelos homens em geral). Imaginem: aquele cara que parecia gostar tanto de você te deixa e de repente começa a tocar ao fundo &lt;em&gt;Out of Reach&lt;/em&gt;. Você se entope de comidas que engordam enquanto pensa no quanto se enganou ou no quanto foi enganada. E de repente, quando a música para, você o vê surgir na porta da sua casa dizendo que se esqueceu de te dar um beijo. Todas as impressões ruins que estavam em sua mente se desfazem e vocês são felizes para sempre... ou pelo menos até o segundo filme. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Bom, a vida não é um filme. As comédias românticas são cheias de desencontros que precisam se resolver nos dez minutos finais da história, porque essa é a premissa. A realidade dura mais do que uma hora e meia e os desencontros necessitam de mais do que dez minutos para se resolverem. De qualquer forma, &lt;em&gt;Bridget Jones&lt;/em&gt; dá às mulheres a sensação de serem refletidas na tela, e uma certa esperança de um dia vir a gostar de você mesma &lt;em&gt;“just the way you are”&lt;/em&gt;. Então... &lt;em&gt;“to Bridget, just the way she is”!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112359876883822606?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112359876883822606/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112359876883822606&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112359876883822606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112359876883822606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/o-dirio-de-bridget-jones.html' title='O Diário de Bridget Jones'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112353545093667934</id><published>2005-08-08T18:00:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:17:48.230-03:00</updated><title type='text'>Sin City</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para os que estão acostumados a ver o mundo das HQs no cinema em fitas como &lt;em&gt;Homem Aranha&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;X-Men&lt;/em&gt;, ou &lt;em&gt;Quarteto Fantástico,&lt;/em&gt; vale o aviso: &lt;em&gt;Sin City – A Cidade do Pecado&lt;/em&gt;, como o próprio nome sugere, passa longe dos filmes protagonizados pelos heróis da Marvel, em temática e visual. O filme é um grande exercício técnico de construção de imagens, assustadoramente fiéis às histórias que lhe deram origem. Não existem sequer créditos de roteiro no longa: quadrinhos especialmente confeccionados foram usados como storyboard para a elaboração dos planos. Portanto, dizer que &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt; é uma adaptação das &lt;em&gt;graphic novels&lt;/em&gt; publicadas por Frank Miller na década de 90 é balela. O filme é uma transcrição dos quadrinhos para as telas, resultando num visual excêntrico capaz de incomodar espectadores desavisados que entrem na sala de cinema sem saber o que esperar. Mas vai agradar muito aos fãs do cinema pop, ao estilo Quentin Tarantino: violência banalizada e caricatural, tão absurda que chega a divertir o público com as exageradas cenas, conduzidas por narrações sádicas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A própria atmosfera dark da série de quadrinhos que lhe deram origem faz de &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt;, acima de tudo, um grande filme &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt;, recheado de homens durões, mulheres fatais, escuridão e suspense. O mundo criado por Frank Miller é sujo e ausento de maniqueísmos morais. Na cidade do pecado, é cada um por si. As mulheres são tão belas quanto perigosas, a violência e o homicídio são quase inevitáveis e a corrupção tem lugar comum. A partir dessa premissa se desenvolvem as tramas. O longa apresenta um breve momento inicial para introduzir o espectador no ambiente de &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt;. Mas são as histórias do ex-lutador de rua Marv (Mickey Rourke), do misterioso Dwight (Clive Owen) e do policial honesto Hartigan (Bruce Willis) que movem o filme. Há inserções divertidas de elementos de uma trama em outra, apesar de elas não terem obrigatoriamente uma conexão. Robert Rodriguez pretendia inclusive conectá-las a princípio, mas tal idéia acabou não se mostrando viável. Entretanto, existe em comum o que de fato move os três protagonistas durões: o desejo de vingança ou proteção de suas mulheres em apuros na cidade do pecado, ainda que tais beldades não sejam exatamente indefesas.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt; é uma produção peculiar desde sua criação, e isso se mostra já nos créditos de abertura. Para garantir a fidelidade do filme às &lt;em&gt;graphic novels&lt;/em&gt;, Robert Rodriguez fez questão de alçar Frank Miller ao posto de co-diretor. Como o sindicato não permite a existência de tal função, Rodriguez preferiu abdicar de sua filiação para manter Miller ao seu lado na condução do longa. E esse não participa do filme apenas como roteirista (se podemos assim dizer) e co-diretor. Frank Miller faz ainda uma pontinha como um padre que ouve as confissões de Marv. Outro convidado ilustre que colaborou em Sin City foi Quentin Tarantino, dirigindo a irônica seqüência de Clive Owen e Beniccio Del Toro tendo uma conversa no carro em movimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A perfeição visual do filme é tão grande que aparenta por vezes comprometer a narrativa. Mas se Robert Rodriguez almejava fidelidade na transposição de &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt; dos quadrinhos para as telas, foi exatamente o que conseguiu. E não só nas imagens, mas em todo o universo que foi capaz de criar, desde a escolha dos atores, fisicamente parecidos com seus personagens, até a elaboração das narrações. Embora sejam mais longas no filme, essas mantém o espírito das &lt;em&gt;graphic novells&lt;/em&gt;: ácidas, fortes, repletas de um humor cortante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A forma que Rodriguez escolheu para dar vida a uma série de quadrinhos não é superior e nem inferior aos formatos que o cinema conheceu anteriormente nesse quesito. É apenas uma opção estética do diretor, que traz em sua fórmula nomes significativos em Hollywood, referências pop, muita tecnologia digital e publicidade. Com todo esse universo criado em volta da história, o mínimo a ser dito é que &lt;em&gt;Sin City&lt;/em&gt; vale o seu ingresso de cinema. E merece ser visto repetidas vezes, pois tem um belo valor como experiência cinematográfica.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112353545093667934?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112353545093667934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112353545093667934&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112353545093667934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112353545093667934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/sin-city.html' title='Sin City'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112351729341559049</id><published>2005-08-08T12:47:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:16:22.063-03:00</updated><title type='text'>Beleza Americana</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Beleza Americana&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;American Beauty&lt;/em&gt;, EUA, 1999) foi o primeiro filme dirigido pelo diretor Sam Mendes, que vinha de uma vasta experiência teatral. Sucesso de público e crítica, o filme convidava o espectador a olhar mais de perto a vida de um casal suburbano comum norte-americano. Traz como protagonista o quarentão Lester Burham (Kevin Spacey, em aclamada interpretação), um homem frustrado, que se sente impotente perante sua vida. Sua esposa Carolyn (Annete Benig, não menos elogiada) é corretora de imóveis e valoriza antes de tudo os bens materias e a aparência. Lester é um homem anestesiado, que desperta ao conhecer Angela Hayes (Mena Suvari), amiga de sua filha adolescente Jane (Tora Birch), que se torna para ele uma espécie de Lolita. Estimulado pela beleza da jovem, Lester começa a mudar sua vida e quebrar o mundinho de aparência em que há muito vivia com sua família. Pede demissão do emprego monótono, após chantagear o chefe, e passa a gastar grande parte de seu tempo fazendo exercícios físicos e fumando maconha em sua garagem. O basta que Lester dá em sua antiga vidinha de estabilidade é uma tentativa de dar a volta por cima. Mas como resultado dessa reconstrução, ele acaba desestruturando a vida de muitos ao seu redor. Todo esse incômodo causado culmina em seu assassinato. O filme tem início com a narração de Lester, já morto, e a partir disso faz-se uma retrospectiva cronológica que mostra ao público o que levou o personagem até aquele ponto. À exemplo de &lt;em&gt;Crepúsculo dos deuses&lt;/em&gt;, de Billy Wilder, com seu Joe Gillis, &lt;em&gt;Beleza Americana&lt;/em&gt; também mostra ao espectador a trajetória de um homem que já se encontra morto no começo da história. E à medida que a trama vai se desenrolando, vão surgindo os suspeitos do crime: sua esposa Carolyn, fustrada com o fim da estabilidade que havia construído, seu novo vizinho, o Coronel Fitts (Chris Cooper), um militar enérgico e reprimido, e Ricky (Wes Bentley), o esquisito filho do militar, que vendia drogas e nutria uma atração por Jane.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;American Beauty&lt;/em&gt; é um tipo de rosa sem cheiro e sem espinhos, muito cultivada nos Estados Unidos. O título do filme é uma metáfora ao vazio do cidadão americano típico. Beleza americana sugere uma beleza para consumo, uma imagem a ser vendida, e é esse o grande cerne do filme de Sam Mendes: uma beleza de vitrine, para ser admirada de fora. Por isso o slogan &lt;em&gt;“look closer…”&lt;/em&gt; que o filme traz. É uma ácida, porém sutil crítica à sociedade norte-americana de consumo: a aparência por fora é soberba e harmônica, sugerindo a perfeição dos anúncios publicitários, mas por dentro as coisas estão em pedaços, e a imagem de felicidade estável é construída em cima de vidas frustradas, que por terem se perdido sentem uma enorme necessidade de bens materiais a serem expostos.&lt;br /&gt;Durante todo o filme vemos alusões à rosa. A cena em que Lester está no ginásio assistindo a filha em uma apresentação de “cheerleaders” e, vendo Angela pela primeira vez, é atingido por pétalas de rosas vermelhas, marca a produção. O vôo das pétalas foi uma bela proesa realizada pelo diretor de fotografia, Conrad L. Hall. Algumas cenas depois, em um sonho de Lester, vemos Angela imersa em uma banheira cuja água está coberta por pétalas de rosas rubras. É um novo momento de forte presença da rosa, e da cor vermelha, que também marca o filme.&lt;br /&gt;A película foi o primeiro filme de orçamento médio a sair nos cinco últimos anos de funcionamento da DreamWorks anteriores a 1999. Mendes acabou retirando quase cinco minutos do fim do filme na edição final, alterando radicalmente o fim da história. &lt;em&gt;Beleza Americana&lt;/em&gt; foi sucesso de crítica nos EUA à época de seu lançamento. A comédia dark sobre a vida de uma típica família de classe média americana vista por dentro caiu nas graças de público e críticos, ocupando lugar na história do cinema como uma respeitável produção, que merece, sim, um olhar mais de perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112351729341559049?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112351729341559049/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112351729341559049&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351729341559049'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351729341559049'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/beleza-americana.html' title='Beleza Americana'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112351472764394847</id><published>2005-08-08T12:20:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:15:50.843-03:00</updated><title type='text'>O espanta tubarões</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O espanta tubarões&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Shark Tale&lt;/em&gt;, EUA, 2004) é um filme interessante. Não tem o glamour de outras animações recentes como &lt;em&gt;Procurando Nemo&lt;/em&gt; ou um enredo inovador como &lt;em&gt;Shrek&lt;/em&gt;. Mas traz um sabor a mais para os cinéfilos de plantão, que podem se deliciar com as inúmeras sacadas sobre filmes e papéis relacionados aos atores que dublam os personagens principais do desenho. Os peixinhos e tubarões têm muito da personalidade dos próprios atores, ou de momentos de suas carreiras. As alusões a &lt;em&gt;O Poderoso Chefão&lt;/em&gt; são claras e bem divertidas. Don Lino, o comandante dos tubarões, traz até mesmo a pinta de Robert De Niro, que oferece uma dublagem carregada do sotaque italiano de seu Vito Corleone na segunda parte do filme de Coppola. O tubarão carcamano tem o mesmo apego à família e aos seus valores, seus sócios lhe oferecem a mesma forma de cumprimento e o mesmo temor e respeito que são oferecidos a Don Corleone. Em determinado momento, um dos personagens chega a dizer &lt;em&gt;“um desses capangas apagou meu tio Vito”.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, apesar de tantas referências a &lt;em&gt;O Poderoso Chefão&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;O espanta tubarões&lt;/em&gt; é um típico filme de Will Smith, que dubla o peixe protagonista Oscar. A trilha sonora e as referências hip-hop são bem o espírito do astro. Aliás, melhor seria dizer que a animação da Dreamworks é de fato uma mistura dos filmes de Smith com as comédias-românticas protagonizadas por Renée Zellweger, que faz a voz da peixinha Angie. E isso o tubarão vegetariano Lenny (voz de Jack Black) constata ao dizer a Oscar, no auge de tensão da história: &lt;em&gt;“é o filme clássico”.&lt;/em&gt; A certo ponto tudo o que o atrapalhado e divertido personagem de Will Smith quer é ficar com a mocinha (ou melhor, peixinha) que lá para o desenrolar da história descobre que ama. E a sem sorte no amor personagem de Renée ganha sua cara metade no desfecho da trama. Isto parece um tanto quanto familiar? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O interessante é que essas auto-referências não soam de maneira nenhuma clichês ou forçadas. Ao contrário, são capazes de divertir muito o público que absorve as sacadas. Um ótimo momento é quando Oscar sai da boca do tubarão e diz para a câmera &lt;em&gt;“you had me at hello”&lt;/em&gt;, uma das frases mais célebres do cinema, dita por Renée em &lt;em&gt;Jerry Maguire&lt;/em&gt;. No quesito referências, há ainda piadas com os lábios de Angelina Jolie, que dubla a &lt;em&gt;“peixe fatalle”&lt;/em&gt; Lola, e alusões a &lt;em&gt;Titanic&lt;/em&gt;, como o quadro de Rose pendurado na parede do tal navio onde Don Lino reside. Mas nem só disso vive o filme. Há piadas não referenciais que garantem boas risadas. Lenny é um tubarão vegetariano, e em seu meio isso é tão embaraçoso e difícil de lidar quanto em nossa sociedade é o homossexualismo. &lt;em&gt;O espanta tubarões&lt;/em&gt; é diversão garantida. Leve e inspirado, para qualquer idade ou gosto cinematográfico. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112351472764394847?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112351472764394847/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112351472764394847&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351472764394847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351472764394847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/o-espanta-tubares.html' title='O espanta tubarões'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112351427635685505</id><published>2005-08-08T12:12:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:06:50.293-03:00</updated><title type='text'>Garotos Incríveis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Garotos Incríveis&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Wonder Boys&lt;/em&gt;, EUA, 2000) é um dos filmes mais incríveis (sem trocadilhos infames) realizados nos últimos tempos. Dirigido por Curtis Hanson, de &lt;em&gt;Los Angeles - Cidade Proibida&lt;/em&gt;, é de uma sutileza poética, ou de uma poesia sutil, não sei exatamente dizer. Talvez seja de fato as duas coisas, mas o certo é que o filme tem alma e inteligência. E por ser tão peculiar, partindo de situações fantásticas para mostrar a personalidade e os conflitos de cada um de seus personagens, grande ponto positivo do filme, &lt;em&gt;Garotos Incríveis&lt;/em&gt; acabou sendo subestimado por muitos. As desventuras em que se insere o protagonista Grady Tripp, um ótimo papel nas mãos de Michael Douglas, dão ao filme uma suspensão que pode mesmo soar inverossímel. Afinal, tentar esconder um cachorro morto por acidente e recuperar um casaco usado por Marlyn Monroe em seu casamento, na companhia de um aluno excêntrico (Tobey Maguire), não é exatamente o que se espera do final de semana de um professor universitário de literatura (Douglas). Mas é justamente acompanhando esses dias incomuns de Tripp que tomamos conhecimento do homem perdido e sem rumo que ele é na verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um filme leve, com tanta coisa para ser descoberta nas entrelinhas, é difícil de ser admirado se o espectador se ater à superfície. Corre-se o risco de não perceber o filme envolvente e inebriante que está diante de você. E toda a bela equipe oferece um trabalho delicioso, desde a adaptação do roteiro, baseado no livro de Michael Chabon, até os atores e a direção. Michael Douglas está perfeito no papel do protagonista e é auxiliado com maestria pelo elenco coadjuvante, que conta com Robert Downey Jr, Tobey Maguire, Francis McDormand e Kate Holmes, muito bem em seus papéis. A trilha sonora é um espetáculo à parte. Entre as várias músicas marcantes está a vencedora do oscar &lt;em&gt;Things have changed,&lt;/em&gt; composta por Bob Dylan especialmente para a fita. O resultado desse belo trabalho é um filme humano e delicado que merece ser visto, revisto e muito valorizado! &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112351427635685505?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112351427635685505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112351427635685505&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351427635685505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351427635685505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/garotos-incrveis.html' title='Garotos Incríveis'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-15221206.post-112351363707753765</id><published>2005-08-08T11:56:00.000-03:00</published><updated>2005-12-13T12:05:59.420-03:00</updated><title type='text'>Estrada para perdição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Estrada para perdição&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Road to Perdition&lt;/em&gt;, EUA, 2002) não é um filme surpreendente, mas nem por isso perde seu valor. O próprio título, uma metáfora do lugar ao qual o matador Mike Sullivan (Tom Hanks) e seu filho Michael (Tyler Hoechlin) se dirigem após o assassinato do restante de sua família exibe a moral da história: neste caminho percorrido não há redenção. Para enterrar o passado e seguir a vida na tranqüila cidade de Perdition, algumas dívidas devem ser cobradas por Mike e seu filho, de onze anos, estará irremediavelmente envolvido nesse acerto de contas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sam Mendes já havia demonstrado ser um bom diretor em &lt;em&gt;Beleza Americana&lt;/em&gt; e em seu segundo filme mostra uma boa habilidade técnica. &lt;em&gt;Estrada para perdição&lt;/em&gt; oferece planos belíssimos, que valorizam o filme e engrandecem a imagem na tela. A história é &lt;em&gt;noir&lt;/em&gt; por excelência, mas a fotografia, e até mesmo a trilha sonora, deixam o filme menos sombrio em alguns momentos. Aliás, esses são dois aspectos técnicos que contribuem muito para valorizar a obra de Mendes: fotografia e trilha são clássicas, e enchem os olhos e ouvidos. Logo no início do filme há uma cena onde a família Sullivan está jantando que mostra um plano muitíssimo parecido com o da marcante cena do jantar dos Burham em &lt;em&gt;Beleza Americana&lt;/em&gt;. O enquadramento da câmera é idêntico. É um momento rápido, sem grande relevância no filme, mas que pode sugerir algo como a marca de um diretor. &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Estrada para perdição&lt;/em&gt; é um drama com muitos pontos bons. Mas ainda que não fosse possível enxergar nenhum valor no filme de Sam Mendes, ele já valeria a pena pela simples presença de Paul Newman no elenco. Com trinta, quarenta ou mais de setenta anos, Newman é sempre uma boa razão para se ver um filme!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/15221206-112351363707753765?l=desventurascriticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/feeds/112351363707753765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=15221206&amp;postID=112351363707753765&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351363707753765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/15221206/posts/default/112351363707753765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desventurascriticas.blogspot.com/2005/08/estrada-para-perdio.html' title='Estrada para perdição'/><author><name>Isabella Goulart</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17034975464706257370</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='28' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_sRyjfutP22I/Sdo1mPtz5_I/AAAAAAAAAHg/U6jvJWHHzP0/S220/blog.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
